Nota prévia sobre espécies novas de batráquios brasileiros*

Introdução

Nestes últimos anos, tenho observado no Brasil maior número de batráquios, entre os quais havia umas trinta espécies que considero novas, depois de compará-las com a literatura, ao meu alcance, principalmente com a monografia de Nieden.

Vinte e nove destas espécies foram mostradas na Sociedade Brasileira de Biologia, em exemplares vivos ou conservados, aquarelas e fotografias, acompanhadas de descrições sumárias. Estas foram em seguida publicadas nos Compte Rendus de la Société de Biologie et ses filiales. Sendo estas descrições publicadas apenas em língua francesa, julguei conveniente dar uma versão portuguesa e outra inglesa, sob forma de nota prévia, visto que a publicação das ilustrações não está sendo feita já.

Espécies novas

1 – Leptodactylus trivittatus n. sp.

Esta espécie é, sem dúvida, muito vizinha do L. nanus no tamanho e na biologia, mas as diferenças tanto do desenho como da coloração, e a falta de transições não permite reuni-las. Foram encontradas nas mesmas regiões, mas em pontos diferentes, L. trivittatus, observado vivo, mostra muita tendência a esconder-se durante o dia.

A fêmea adulta mede cerca de 22 mm. Em comprimento. A língua é livre por trás e os dentes vomerinos formam dois pequenos grupos retilíneos com pequeno intervalo.

No dorso do tronco há três estrias longitudinais de cor terracota ou um pouco mais vermelhas. A dorsomediana limita-se à metade posterior do dorso. As laterais principiam sobre a pálpebra superior e terminam pouco antes da prega inguinal. Nos últimos 4 mm. A cor avermelhada vira em creme. A mesma cor aparece numa fita sinuosa que principia abaixo do olho e acaba na raiz do braço. Passando por baixo do tímpano, torna-se mais estreita. A cor terracota aparece também no lado dorsal do cotovelo e do joelho estendendo-se sobre as partes vizinhas. Num exemplar menor a estria mediana invade também a metade anterior do dorso, tornando-se mais fina e interrompida.

Tenho um exemplar do Alto da Serra de Cubatão e alguns de Campo Belo, encontrados dos debaixo de tronco de árvores derrubadas e os outros no capim. Não se conhece a voz.

2 – Leptodactylus troglodytes n. sp.

Fêmea adulta com 50 mm de comprimento do tronco.

Apanhada por Conrad Guenther (de Friburgo) em casa de saúva e dada em maio de 1924. Procedência: Pernambuco. Coloração: fundo branco, mais ou menos misturado com pardacento, e desenhos cor de chocolate (no exemplar conservado em álcool).

Parte anterior da cabeça fazendo acima da boca uma saliência oblíqua arredondada. Canthus rostral obtuso e região loreal um tanto escavada. Tímpano mais largo do que alto, quase do tamanho do olho, mostrando no centro um ponto branco por dentro de um círculo pardo; a margem é preta, a parte intermediária pardacenta. Por cima e por trás do tímpano há uma prega semilunar um tanto saliente, de cor preta. Espaço interorbital oblíquo, pouco largo. Mandíbula com cova mediana recebendo uma saliência maxilar. Língua ovalar, livre por trás. Dentes vomerianos em duas séries ligeiramente convexas e pouco separadas, colocadas em eixo transversal, logo atrás das cóanas que são bastante grandes. Pele lisa em cima e em baixo, granular apenas na face ventral das coxas. Faltam glândulas maiores ou bem acusadas. O ventre tem um disco e está cheio de ovos branco-amarelados de 1-2 mm de diâmetro. A perna de trás, aplicada ao tronco, alcança com a articulação tíbio-tarsal pouco além do olho.

Na cabeça há uma mancha sub-cuneiforme mediana, com a base no meio entre os olhos e a ponta, um pouco em frente destas há, de cada lado, uma estria escura, composta de manchas em série, que passa sobre as narinas e a região frenal e, em forma de traço fino, abaixo do olho, alargando-se entre este e o tímpano. Uma parte continua em forma de tarja larga e irregular do lado superior e posterior do tímpano, a outra forma duas pequenas manchas insulares sucessivas e mais para dentro. Abaixo da parte anterior do olho há uma mancha escura, subrombica, que se dirige obliquamente para a margem mandibular que, no resto, é clara ou apenas ligeiramente enegrecida. Entre a metade posterior das pálpebras e invadindo a direita das pálpebras e invadindo a direita há uma mancha em forma de W cheio, com as duas pontas viradas para trás.

Há mais duas manchas maiores sobre as vértebras e processos transversais e por trás destas várias pequenas que se estendem até a prega anal. As zonas laterais são pardacentas e contêm uma estria longitudinal, formada por pequenas manchas esbranquiçadas. Os membros em cima com faixas transversais escuras. Face interna das coxas com fundo escuro, salpicado de branco na parte proximal.

Mãos com tubérculos subarticulares e tubérculos palmares bem desenvolvidos, podendo servir para cavar. Dedos afilados e bastante curtos; o primeiro bem mais longo do que o segundo. Dedos do pé sem membrana lateral ou interdigital distinta; 2 tubérculos metatarsais moderadamente desenvolvidos. Não há tubérculo tarsal.

O exemplar parece relativamente grosso e largo, devido em parte ao desenvolvimento dos ovários.

3 – Leptodactylus flavopictus n. sp.

Desta espécie, procedente de Monte Serrat, na base do Itatiaia, obtive apenas uma fêmea adulta, mas esta era perfeita. Foi observada durante a vida e tão bem reproduzida nas gravuras que publicaremos que dispensa descrição. Parece claramente ocupar uma posição intermediária entre pentadactylus e lus e gigas sendo bem distinta de ambos. Distingue-se também no L. bufo de Andersson que é mais parecido como pentadactyus. O dorso lembra o de pentadactylus, mas o desenho ventral é bem diferente de todos os Leptodactylus observados. Como em gigas, o fundo das manchas ornamentais é amarelo, mas esta cor no flavopictus é mais intensa e menos limitada. As curiosas decorações do dorso das extremidades são muito características.

4 – Pseudis bolbodactyla

Comprimento 47 mm. Das outras espécies só P. paradoxa é maior, tendo 69 mm. Dorso verde de matiz vivo, lado ventral esbranquiçado, com algumas vermiculações e grandes listras negrejantes, ao longo da coxa; dedos com as pontas intumescidas. Batráquio inteiramente aquático, revelando a sua presença por coaxar curto e forte. Procedência: estado de Minas (Belo Horizonte e Lassance).

5 – Crossodactylus di spar n. sp.

Cerca de 26 mm. Aspecto dorsal pardo, com manchas, verrugas e estrias glandulares, mais escuras no tronco, e barras transversais nas extremidades; lado ventral esbranquiçado. Macho com os membros anteriores intumescidos; peito e região esternal pontilhadas de preto no macho, cobertos de uma rede enegrecida com malhas largas na fêmea. Ambos os sexos podem mostrar três pontas córneas negras no primeiro dedo. Procedência: montanhas do Estado do Rio.

6 – Eupemphix maculiventris n. sp.

Distingue-se de E. nana pela cabeça, ainda mais estreita em frente dos olhos, e pelas manchas bastante grandes com centro claro na barriga. A voz também é diferente. C. 19 a 21 mm. Procedência: montanhas da vizinhança de Santos.

7 – Eupemphix olfersioides n. sp.

C. 18 mm. Espécie parecida com Paludicola olfersii, que é muito maior. Lado dorsal pardo claro, com uma larga barra lateral bem mais escura e um semicírculo pardo-escuro no meio da coxa. Face ventral clara. Hábitos terrestres. Procedência: litoral do Estado do Rio.

8 – Eupemphix bolbodactyla n. sp.

C. 17 mm. Dedos com dilatação terminal. Aspecto dorsal pardo oliváceo claro com duas barras submedianas onduladas e as barras transversais sobre as extremidades mais escuras. Região inguinal de cor alaranjada viva e extensa. Aspecto ventral enegrecido com cinco pontos brancos sobre o bordo do queixo. Barriga com pontilhado branco e algumas manchas mais escuras. Hábitos terrestres. Três exemplares provenientes de Angra dos Reis.

9 – Hyla (Hylella) eurygnatha n. sp.

C. 17 mm. Lado dorsal verde, virando em amarelo no focinho, nos dedos e numa linha marginal. Cabeça curta, dilatada atrás dos olhos, devido à largura do queixo. Íris cor de outro mate com lóbulo inferior e superior no meio da pupila. Pontilhado negro mais acentuado depois da morte. Membrana curta entre os dedos da mão, mais longa entre os dedos do pé. Um único exemplar, proveniente da Serra da Bocaina.

10 – Hyla fuscomarginata n. sp.

C. 23 mm. Dentes pequenos; tímpano coberto, pequeno, cabeça curta, com ângulo preocular quase reto e apical obtuso. Corpo alongado e apenas da largura da cabeça. Canthus rostralis distinto, com margem parda. Fundo do dorso cor de café com leite com uma risca mediana e outra interocular, formando uma cruz parda; faixa marginal dupla de cor parda do olho até a prega inguinal.

Extremidades com barras pardas transversais. Saco vocal do macho citrino. Aspecto ventral do corpo creme, cinéreo e pontilhado de preto nas patas posteriores. Procedência: Rio, S. Paulo e Belo Horizonte.

11 – Hyla elongata n. sp.

Tipo da precedente. C. 21 mm. Dorso amarelo ou verde no animal vivo, pontilhado de vermelho violáceo após a morte. Extremidades sem barras transversais mais às vezes com faixas longitudinais escuras na perna e no tarso. Uma estria parda acompanha o canthus, uma outra envolve o dorso, sendo em parte desdobrada por uma estria branca. Saco citrino; discos alaranjados. Espécie muito variável, mas diferente de H. fuscomarginata, conjuntamente com a qual foi encontrada.

12 – Hyla clepsydra n. sp.

C. 40 mm. Aspecto ventral esbranquiçado, dorsal bege claro. O focinho apresenta uma mancha angular parda e uma segunda, muito grande, em forma de clepsydra, cujo bordo anterior se acha sobre e entre as pálpebras, e cuja margem posterior, na região lombar, emite dois prolongamentos oblíquos, com uma anastomose transversal. Barras transversais pardas nas extremidades. Lado posterior das coxas róseo, sem desenhos. Um macho, procedente da Serra da Bocaina.

13 – Hyla crospedospila n. sp.

C. 30 mm. Membrana interdigital não existente na mão, bem desenvolvida no pé. Dorso com fundo bege e manchas pardas disseminadas sobre o corpo e formando barras bastante largas nas extremidades. Todas as manchas com margem escura. Ventre claro. Encontrada na vizinhança da água ou nas bromélias no Rio e em S. Paulo.

14 – Hyla cuspidata n. sp.

Vizinha de crospedospila, mas menor e com focinho ainda mais pontudo. Membrana interdigital como na espécie precedente. Dorso com fundo pardacento ou olivaceo, uma estria canthal, uma mancha intraocular e duas faixas fragmentadas mais escuras, margeando o dorso, guarnecidas em redor de pequenos pontos brancos. Nas extremidades barras pardas bastante largas. Ventre claro, região gular do macho citrina. Íris cor de cobre. Ossos verdes. É comum nas bromélias do Rio de Janeiro.

15 – Hyla decipiens n. sp.

C. de uma fêmea adulta menos de 2 cm. Característicos de Hylella. Fronte e margem dorsal citrina, o restante coberto de uma grande mancha parda, com orla mais escura. Extremidades desprovidas de barras transversais, mostrando alguns grupos de pontos pretos. Membrana interdigital no pé apenas. Um pouco parecida com exemplares jovens de H. leucophyllata, mais dela se distinguindo pelos característicos de Hylella. Não é muito rara nos brejos, perto do Rio.

16 – Hyla fuscovaria n. sp.

C. 41 mm. Vizinha de H. rubra, porém mais variegada. Dorso cor de café com leite com um grande número de pontos e uma rede de manchas mais escuras, salpicadas de pontos claros. Extremidades com barras pardas. Fundo citrino nos flancos, coxas, bordo anterior do tarso e da perna, em baixo apenas. O resto do lado ventral creme, um pouco róseo ou pardo, sobretudo no bordo do queixo.

Num macho procedente de Água Branca (Estado de Minas), observado durante muito tempo, os desenhos e as cores não mudaram.

17 – Hyla pallens n. sp.

Fêmea adulta. C. 22 mm. Tipo de Hylella. Cabeça curta e larga. Membrana interdigital apenas nos membros posteriores. Dorso cor de café com leite, com grandes manchas longitudinais mais escuras, mas com orla branca, podendo se anastomosar entre os olhos e na região lumbar. Aspecto ventral branco amarelento, ventre granuloso. Pernas com barras pardas oblíquas, que não se verificam nas coxas. Todas as cores são pálidas. Espécie comum nos brejos do Rio e dos estados vizinhos.

18 – Hyla semiguttata n. sp.

C. 41 mm. Membrana interdigital de 1/3 na mão e de ½ no pé. A articulação tíbio-tarsal alcança além da ponta do focinho. Tímpano bastante grande, pardo. Dorso pardo claro, com uma barra submarginal de cada lado e uma mediana, todas pardas e fragmentadas por parte, formando então manchas longitudinais ovais ou redondas. Uma mancha da mesma cor na pálpebra superior e na perna. Dorso com margem branca dos lados e atrás; as extremidades pardo-claras com listras longitudinais pardas um pouco avermelhadas. Lado ventral creme, granuloso e pontilhado de cinzento no corpo, lado posterior das coxas e extremidades anteriores e posteriores. Um exemplar conservado, proveniente de S. Bento, Estado de Sta. Catarina, parece adulto.

19 – Hyla squalirostris n. sp.

C. 28-29 mm. A cabeça mais larga do que o corpo, o focinho projetado para cima e para a frente da boca. Corpo e extremidades muito delgadas. Membrana interdigital pouco desenvolvida apenas nos pés. Pele transparente, o que dá um matiz róseo aos membros. Dorso com fundo pardacento apresentando uma linha vertebral escura. Listra canthal preta, orlada de branco por dentro. Atrás dos olhos uma barra longitudinal dupla, negra, com intervalo branco. Os membros, tanto posteriores como anteriores, não apresentam barras transversais, mas são um pouco pontilhados de preto. Ventre branco amarelado, pele do saco vocal citrina. Vários machos, apanhados à noite nos brejos da Serra da Bocaina.

20 – Hyla albofrenata n. sp.

É de dimensões menores do que a H. albomarginata Spix, ou infulata Burmeister e faltam-lhe certas manchas de cor alaranjada que se verificam na espécie de Spix, enquanto viva; possue também de cada lado uma estria branca sobre o canthus rostralis agudo; a íris é cor de cobre. O seu canto é muito diferente do da albomarginata e se assemelha ao ruído de gotas de água caindo numa garrafa vazia. São encontradas com certa freqüência os girinos em metamorfose; mas os adultos se escondem na folhagem de árvores frondosas e principalmente nas bromeliáceas epífitas. Não são raros, pois a noite ouvem-se cantar em muitos lugares. Procedência: arredores do Rio de Janeiro.

21 – Phyllomedusa guttata n. sp.

Encontramos primeiro um novo girino com a boca alongada em forma de um funil que serve para se suspender à tona da água. Na larva de hypochondrialis este funil é rudimentar.

As duas espécies têm as dimensões das pererecas européias, mas são mais delgadas. P. guttata mostra umas vinte manchas redondas de um azul violáceo, sobre fundo cor de laranja, nos flancos. A outra é ornamentada com as mesmas cores, mas com distribuição inteiramente diferente. Estas duas espécies também se distinguem pela diferença das usas vozes. P. guttata pode ser apanhada à noite quando se tem ouvido o seu canto na vizinhança da água onde foram encontradas as suas posturas.

Sendo mais rara que a Ph. hypochondrialis, é verificada apenas nas montanhas dos arredores do Rio.

22 – Phyllomedusa bahiana n. sp.

Espécie grande. C. 75 mm. Primeiro dedo na mão mais curto, mas no pé mais longo do que o segundo. Dorso verde do animal vivo. Patas anteriores e posteriores, assim como o tronco, brancos do lado ventral. Discos pequenos. Procedência: Bahia.

23 – Phyllomedusa appendiculata n. sp.

Espécie pequena. C. 33 mm. Dorso, cor de ardósia azulada, mas, sem dúvida, verde em vida. Os membros anteriores acima do cotovelo, as coxas, as patas anteriores e posteriores e o ventre branco-creme. Calcanhar com um apêndice cònico.

Descrito de um exemplar conservado, recebido de Santa Catarina.

24 – Hylaplesia nigriventris n. sp.

C. 21 mm. Dorso com fundo creme, avermelhado, na fonte sem manchas, no resto coberto de manchas negras que formam barras nas extremidades, e de pontos brancos, agrupados, em estrela na altura da região escapular posterior. Aspecto ventral pontilhado e manchado de negro com alguns pontos brancos. Procedência: Itatiaia e Serra do Cubatão.

25 – Hylaplesia flavopicta n. sp.

C. 32 mm. Aspecto dorsal preto, com uma listra marginal, canthal e rostral, e uma outra submediana, formada de pontos e manchas dispersas sobre as extremidades, todas de cor amarela dourada, virando em vermelho alaranjado na região inguinal, e na coxa; na perna uma mancha ventral da mesma cor. Lado ventral com fundo branco azulado ou esverdeado e grandes vermiculações negras, sinuosas ou ramificadas.

Procedência: Belo Horizonte.

26 – Corythomantis adspersa n. sp.

Difere de greeningi pela cor e pelo focinho mais curto. C. 76 mm. Cristas ósseas e bordos do capacete com pontos amarelos; algumas manchas pretas, alongadas, na cabeça. Pupila rómbica. Membrana interdigital apenas entre os três primeiros dedos da pata posterior. Discos pretos, bastante grandes. Fundo do dorso castanho claro, com pequenas manchas pretas nas regiões laterais e lumbar, no antebraço e na perna; algumas barras longitudinais pretas nas extremidades. Barriga granulosa branca, com reticulação parda. Garganta quase completamente negra.

Um exemplar de Niterói. Gênero vizinho de Trachycephalus pela forma e pelos hábitos.

27 – Hylodes nasutus n. sp.

C. 38 mm. Ponta dos dedos um pouco dilatada e arredondada. Membros longos e finos; articulação tíbio-tarsal pode ser levada além do focinho. Face dorsal pardo-clara, não manchada, mas semeada de granulações, claras na cabeça e nas pálpebras, mais escuras ao longo dos cantos e da margem dorsal. Barras transversais quase desbotadas no antebraço e na coxa, e duas estrias brancas transversais na perna. Lado ventral claro, sem manchas. Focinho saliente na frente e acima da boca. Esta espécie, muito distinta dos outros Hylodes, foi apanhada à noite em Nova Friburgo, pelo canto dos machos.

28 – Bufo paracnemis n. sp.

Maior do que o Bufo marinus (agua) comum em S. Paulo e no Rio (C. 18 cm.). Macho e fêmea muito mais semelhantes. Além das parótidas enormes, existe, ao longo da tíbia, uma série de glândulas que formam uma massa alongada e contêm a mesma secreção leitosa e tóxica. Dorso variegado, sem grandes manchas brancas, mas podendo mostrar, ao menos no macho, algumas manchas pretas. Uma crista superocular que forma com a crista retroocular um ângulo obtuso. O corpo todo coberto de verrugas lenticulares, com pontas córneas no macho. Barriga mosqueada de negro sobre fundo claro. Observamos indivíduos vivos, procedentes do Estado de Minas, em parte enviados pelo Instituto Ezequiel Dias de Belo Horizonte.

29 – Bufo rubescens n. sp.

C. do macho 8-9 cm., da fêmea até 12. Ambos os sexos cobertos de verrugas lenticulares escuras, guarnecidos no macho de pequenas pontas córneas. Este pode também mostrar excrescências nupciais negrejantes dos três primeiros dedos. Dorso pardo ou oliváceo, laço ventral branco, muito levemente mosqueado de preto. Flancos mais ou menos variegados notam-se muitas vezes barras transversais escuras nos membros. O que mais caracteriza a espécie é, em primeiro lugar, a cor vermelha de tijolo das cristas cefálicas e dos membros, que pode invadir a barriga, simulando manchas de eritema e, em seguida, as parótides que formam uma saliência longa e estreita. As cristas supra e retrooculares se juntam sem formar um ângulo. Tímpano sempre oval. Observei uns quinze espécimes, enviados pelo Instituto Ezequiel Dias. Esta espécie não é conhecida, senão do Estado de Minas.