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AS PROEZAS DO IMPERADOR

Um pé descalço, muito arqueado. Um tornozelo esguio enfeitado com correntes douradas.

Nevo não tinha a intenção de ver aquilo, mas a música das tornozeleiras chamou sua atenção no instante em que a garota atravessou a porta. Um rápido vislumbre da figura secreta antes que ele pudesse abaixar a cabeça às pressas e cravar os olhos no chão.

A concubina da noite, deixando o harém para ser escoltada pela passarela até o refúgio sagrado do imperador. Como era costume, estava coberta por um véu e por uma túnica com capuz que escondia até suas asas. Não fosse pelo pé visto de relance, mal se veria que era uma pessoa. Era o máximo que Nevo já tinha visto das concubinas de Joram, e foi pego de surpresa pelo efeito que isso provocou nele.

Na mesma hora quis ajudá-la.

Ajudá-la a quê? Escapar? Que piada. Era seu dever garantir que ela não tentasse fugir. Nevo fazia parte da escolta dos Espadas de Prata, que se preparava para levá-la até o outro lado da passarela. Eram seis ao todo, praticamente um cortejo. Chegava ao nível do ridículo: seis guardas para acompanhar uma garota por uma passarela.

Uma garota. Não seria uma mulher? Nevo não saberia dizer por que tinha achado isso — dificilmente seria por causa do pé —, mas a imaginava jovem. De repente, ela hesitou.

Quando ouviu o barulho das portas do harém se fechando ruidosamente atrás de si, a garota empacou.

Nevo sentiu que corria nela uma intensa energia por baixo de todo aquele tecido diáfano. Viu seu véu tremular com a respiração acelerada, assim como a túnica — por arrepios, e não de frio: de pavor. Sem dúvida era a primeira vez que fazia aquela caminhada.

Perceber isso o deixou tocado.

Trabalhando várias vezes por semana no chamado cortejo, Nevo aprendera que se podia inferir muito pela maneira como uma mulher se comportava, mesmo estando tão coberta. Passos lentos e firmes, ou passos agitados, curtos e rápidos; cabeça erguida, ou virando para um lado e para o outro, tentando espiar pela pequena rede do véu o mundo fora de sua prisão. Ele já vira — ou acreditara ter visto — cansaço e resignação, orgulho, depressão, mas nunca uma garota paralisada assim. Ficou tenso, achando que ela sairia correndo.

A passarela era um estreito caminho de vidro erguendo-se bem acima da cidade, de forma que às vezes as mulheres decidiam se jogar dali para não chegarem até o outro lado. Com as asas presas sob as túnicas, cair significava morrer — ou tentar morrer. Um guarda saltava atrás dela. Se a pegasse, ela era punida; se não, o punido era ele.

Não era algo inédito, mas desde que ele começara ali, nunca havia acontecido. Nevo tinha apenas vinte anos; fazia apenas dois que carregava a espada de prata, e tinha sido promovido à guarda pessoal do imperador havia apenas dois meses. Não sabia o que fazer numa situação como aquela.

Nenhum dos outros guardas se mexeu nem falou nada. Esperaram, e portanto ele fez o mesmo, inexplicavelmente nervoso. Quando a garota enfim pôs-se em movimento, trêmula e muito lentamente, Nevo entendeu uma coisa. Ele antes achava aquele cortejo de seis guardas uma ostentação ridícula; caso alguém deixasse de notar as proezas do imperador, ou de contar quantas mulheres e bastardos ele tinha, ali seguiam seis guardas, cada um com cerca de dois metros e meio de altura em extravagantes elmos emplumados, para atraírem toda a atenção para o espetáculo.

Mas talvez fosse mais do que isso. Naquele instante, se Nevo fosse o único a escoltar aquela garota, não tinha certeza de que faria seu serviço. Por maior que fosse sua lealdade ao imperador, havia impulsos mais fortes, como a necessidade de proteger os indefesos.

Mas que idiota, Nevo, repreendeu a si mesmo. Dizia-se que os magos de Joram podiam ler pensamentos; ele esperava que não fosse verdade, porque, em questão de segundos, permitira que algumas visões ridículas lhe passassem pela cabeça — cenas em que ele salvava a garota e a levava para um lugar seguro. Ah, pelos deuses da luz... Havia até uma casa com um telhado de meia-água na cena, um quintal atrás e um céu imenso sem nenhum pináculo até onde a vista alcançava, nenhuma Torre da Conquista, nada de Astrae, nada de império. Apenas um lugar pequeno e seguro, e ele como herói de uma anônima e desconhecida jovem.

Tudo por causa do vislumbre de um pé?

Patético. Talvez seus colegas de alojamento tivessem razão em dizer que ele precisava de alguns “cuidados” na casa de lazer dos soldados. Iria até lá, decidiu ele enquanto marchava, as solas de suas botas percorrendo muito lentamente a passarela de vidro. A escolta estava dividida em duas tríades, com a garota no meio. Nevo ia logo atrás dela, ajustando o passo a seu caminhar delicado. Ela parecia tão pequena... Mas se bem que todas pareciam, quando cercadas pelos gigantes da guarda. Ele ouvia a respiração dela, irregular — um arfar alto, beirando a histeria — e sentir as ondas de calor que emanavam de suas asas cobertas.

O perfume era tão delicado que podia até ser seu cheiro natural.

De que cor seria seu cabelo? E seus olhos?

Pare com isso. Você nunca vai saber.

Era um percurso curto pela passarela de vidro, Astrae se descortinando lá embaixo até o outro extremo da ponte. A garota foi entregue, um intendente a recebeu no Portão Alef, ela entrou e desapareceu lá dentro sem nem olhar para trás.

Por mais absurdo que parecesse, aquilo doeu. Como se ela devesse tê-lo notado, e percebido, de algum jeito, que ele lamentava por ela?

Nevo sabia que, em seu uniforme da Guarda Imperial, era tão anônimo para a garota quanto ela deveria ter sido para ele, e esse pensamento o deixou inquieto e irritado. Ele se perdera para um uniforme — aquele uniforme prateado reluzente com plumagem bufante e mangas longas demais, que atrapalhariam caso ele precisasse sacar a espada. Coisa que, aliás, nunca acontecia, a não ser na arena de treinamento, e mesmo nesses casos parecia mais uma aula de dança do que uma luta. Os Espadas de Prata não eram o que ele imaginara ao ser selecionado das fileiras do exército. Embora tivesse orgulho em ser excepcionalmente hábil com a espada, fora na verdade escolhido por sua altura, não pela habilidade. O recrutador nem o vira lutar. Estava interessado apenas em sua aparência, e o resultado disso era que Nevo, mesmo em sua roupa vistosa, era indistinguível de qualquer outro Espada de Prata em Astrae. Talvez sua mãe o identificasse, mas aquela concubina apavorada nunca o reconheceria se o visse de novo, fossem duas ou duzentas vezes.

E por que ele deveria se importar com isso?

Ele não se importava.

O Portão Alef se fechou. O perfume da concubina, suave demais, se desfez no ar. A garota tinha ido cumprir sua obrigação, e Nevo cumpriria a dele e pararia de pensar nela.

Quis o destino que seu posto de trabalho fosse ali no Portão Alef. Com outro de sua tríade, ele deixou a guarda e ambos assumiram seus lugares. O restante do cortejo foi cada um para seu respectivo posto, a maioria nas profundezas da grande torre de vidro, mais além do que Nevo jamais penetrara ali. Tinham-lhe descrito os aposentos particulares do imperador como uma espécie de castelo dentro do castelo, no centro da Torre da Conquista. O Portão Alef era a primeira entrada; passando por ele, corredores labirínticos se ramificavam, de forma que não havia um caminho direto para os sucessivos portões — Beit, Gimel, Dalet e assim por diante, seguindo o alfabeto. Nevo só tinha chegado ao Beit. Os outros guardas diziam que, a partir desse, achar o caminho lá dentro era um teste de memória. O lugar era todo de vidro fosco, um mar de vidro grosso, forte e com um brilho em tom de mel. Durante os treinamentos, eles eram incentivados a testar o vidro com suas espadas, e, mesmo forte como era, Nevo não conseguira quebrar as paredes nem com chutes, nem com o punho da espada. Os corredores seguiam sinuosos, voltas e mais voltas daquele vidro inquebrável, e eram repletos de portas falsas e becos sem saída, tudo para confundir ou capturar invasores e assassinos.

Boa sorte para eles, pensou Nevo. Dez portões fortemente vigiados interpunham-se entre ele e o imperador; ninguém passaria por ali. Naquela noite, ele estava feliz por ficar o mais longe possível do centro do labirinto. Os guardas do Portão Samekh às vezes ouviam... choro.

Choro.

As mulheres da casa de lazer podiam não chorar, mas Nevo sabia que não iria para lá. Durante aquela longa e tediosa noite, parado ali em seu posto, ele sentiu que o verdadeiro trabalho e desafio — além de ficar de pé por longos períodos de tempo — eram não pensar no que estava acontecendo lá dentro. Era ridículo como aquela fração de segundo em que ele avistara o pé da garota a tornara real, ao contrário de todas as outras que passaram por ele nos últimos dois meses. Bem, elas eram reais, claro, mas ele tinha conseguido ignorar isso. Mas será que conseguiria daquela vez?

Então entregou-se a outra tolice para se distrair. Era igualmente fútil, mas a probabilidade de enlouquecê-lo era menor: desejava nunca ter sido tirado do exército para se juntar aos Espadas de Prata.

Não era um desejo racional. O soldo dos guardas, que ia para sua família, era melhor, e as chances de sobrevivência, bem maiores do que no exército, mas, ao contrário de muitos Espadas de Prata, Nevo tinha sido um soldado primeiro, portanto sabia a diferença entre as duas funções. E a diferença era gritante.

Para além de Astrae, muito, muito distante dali, os soldados tinham mantido as feras afastadas por séculos, lutando, morrendo e por fim vencendo. Havia honra na luta, e até glória, e Nevo abriria mão da glória simplesmente pela honra — de se sentir bem durante seus dias e noites, de fazer alguma coisa...

É claro, agora era mais complicado. A Guerra Quimérica tinha acabado e uma nova se iniciava, mas era difícil sentir a pura retidão que havia em se lutar contra as feras.

Os Stelian eram serafins. Fora isso, Nevo não sabia praticamente nada a respeito deles; ninguém sabia. As Ilhas Longínquas ficavam, sem exagero, do outro lado do mundo. Quando era sol no império, nas Ilhas havia lua, e vice-versa, de forma que nunca compartilhavam dias, noites, nada. Se eles haviam ofendido o império de alguma forma, o povo do império não se sentia afetado por isso, pois não tinha nenhuma animosidade com relação a seus misteriosos e distantes primos. O termômetro de Nevo era sua própria família. Ele bem podia imaginar a conversa que teriam quando a declaração de guerra de Joram se tornasse pública.

— Contra quem? — perguntaria seu pai, chocado. — Contra um povo cujo rei ele não sabe nem como se chama?

— Se é que existe um rei — diria sua mãe. — Ouvi dizer que eles têm uma rainha.

— Ah, e o que mais você ouviu? Que os elementais do ar agem como espiões dela?

— Isso mesmo. E que ela pode matar só com o olhar, e que prepara tempestades em uma grande panela para lançar por sobre os mares.

Sua mãe estaria sorrindo. Tinha um sorriso brincalhão e um humor anárquico, e seu pai tinha uma risada estrondosa, mas também uma ruga de preocupação.

— Que briga mais inútil, essa que ele foi arranjar. — Nevo o imaginava falando, irritado. — É como atirar pedras em uma caverna e esperar para ver o que vai sair lá de dentro.

E Nevo de fato estava esperando para ver. Fazia duas semanas que os mensageiros com a declaração de guerra de Joram haviam sido enviados e nada de voltarem, nem de darem notícias. O que pensar? Talvez tivessem se perdido à procura das Ilhas Longínquas e nunca entregado a mensagem. Seria o império salvo da guerra por falta de direções?

Quem dera.

Ele conteve um bocejo. Finalmente estava amanhecendo, ou quase. Logo seria rendido no serviço...

O Portão Alef se abriu de repente.

Nevo levantou voo de um salto. Instaurou-se o caos. Barulho e asas e centelhas e corre-corre e gritaria e... qual era o protocolo? Ele protegia o portão do que viesse de fora. O que deveria fazer quando o caos vinha de dentro? Ninguém nunca lhe dissera, e quem eram aqueles ali na confusão? Intendentes e criados, e alguns Espadas de Prata também.

— O que houve? — gritou, mas ninguém o ouviu, com todo aquele barulho.

Os berros, a fúria.

Joram.

A garota, pensou Nevo. E enquanto intendentes e criados se acotovelavam na tentativa de escapar da ira do imperador, ele forçou sua entrada. Nenhum guarda no Portão Beit; onde estava Resheph? Será que estava entre aquele grupo que tinha debandado? Debandado? Inacreditável.

Nevo passou correndo pela porta, pisando pela primeira vez a parte mais interna do refúgio sagrado. Não conhecia o caminho, mas a fúria de Joram era como um rio, e ele navegava contra a corrente. Quando fazia uma curva errada, voltava e procurava o caminho certo. Perdeu minutos naquele labirinto de vidro. A voz do imperador agora sumia e voltava. Os urros deram lugar a palavras, embora Nevo não conseguisse entendê-las.

Portões Gimel, Dalat, Hei e Vav: não havia guarda em nenhum. Os Espadas de Prata ou tinham entrado, ou tinham saído correndo, deixando seus postos. A primeira reação de Nevo foi ficar horrorizado com aquela falta de disciplina, mas então se deu conta de que ele próprio também tinha deixado seu posto, e começou a ficar com medo. Foi o único momento em que hesitou; ainda podia voltar — talvez, em meio à loucura, sua transgressão passasse despercebida.

Mais tarde, seria um consolo saber que não teria feito a menor diferença. Naquele instante, nada do que ele dissesse ou fizesse importaria. Tudo já estava feito e decidido bem antes de ele irromper em uma corrida desesperada no quarto do imperador.

Fontes murmurantes, orquídeas, os chilreios e grasnidos de aves engaioladas. O teto parecia ficar quilômetros acima — todo feito de um vidro cintilante coberto por constelações de luzes que criavam a ilusão de um céu noturno. No meio daquilo tudo ficava a cama, em uma base elevada, como um monumento à virilidade. Estava vazia.

Joram estava de pé no centro do quarto, com as mãos na cintura. Ele era vigoroso, tendo engordado com a idade mas também se fortalecido, e marcado por antigas cicatrizes de batalha. Seu maxilar estava duro, o rosto vermelho de raiva e desprezo. Ele usava um robe que mostrava um pedaço triangular do peito e aquilo de alguma forma parecia um pouco vulgar.

Havia alguns outros guardas ali, de pé, todos grandes e — pensou Nevo — parecendo idiotas. Eliav era um deles. O próprio capitão dos Espadas de Prata estava antes no Portão Samekh e devia ter sido o primeiro a chegar à cena — sem contar Namais e Misorias, é claro, os guarda-costas pessoais de Joram, que se revezavam para dormir na antecâmara. Estavam a apenas alguns passos de seu senhor, o rosto mais parecendo esculturas de madeira. Byon, o primeiro-intendente, apoiava-se pesadamente na bengala, sua paralisia muito mais evidente do que de costume.

— Não foi você que colocou isso ali? — perguntou Joram ao velho serafim.

— Não, meu amo. Eu o teria acordado na mesma hora, é claro. Algo assim...

— Uma cesta de frutas? — Joram parecia incrédulo, e então sua fúria voltou e retumbou pelo quarto como um flash de luz e calor. — Uma cesta de frutas!

Nevo deu um passo para trás. Procurou a garota. Não estava pensando com a menor clareza; não lhe ocorrera até aquele momento que a veria sem véu, muito menos que ela, assim como o peito de Joram, pudesse estar... exposta. Assim que a viu — pela visão periférica, um borrão de pele no outro lado da cama elevada —, percebeu que era esse o caso, e seu instinto foi o de não olhar, não se virar em direção a ela, apenas passar pela porta e sair dali.

— Então me explique como isso veio parar aqui. — A fúria de Joram se transformou em gelo. — Passando por tantas portas vigiadas até chegar ao pé da minha cama.

Foi a imobilidade da garota que fez Nevo virar a cabeça.

Ela era mesmo jovem; Nevo tinha acertado. E estava exposta. Nua. Seu rosto era arredondado como o de uma menina, mas seus seios não tinham nada de infantil. Seu cabelo era vermelho e rebelde, e os olhos, castanhos. Ela estava caída, apoiada na parede, sem nem tentar se cobrir, olhando fixamente para ele — para ele —, sem expressão.

Sem se mexer.

Quase no mesmo instante em que Nevo pousou os olhos nela, a garota começou a tombar lentamente para o lado. Ele viu isso acontecer, e lembrou-se do lento caminhar dela pela passarela. Foi igual, sua mente tentava lhe dizer, igual. Mas então: o solavanco e os braços e pernas movendo-se desajeitados quando ela caiu no chão, o retinir de suas tornozeleiras, o silêncio. O fogo de suas asas se apagando. Morrendo. Na parede que antes a sustentava, uma faixa de sangue e uma mancha vermelha no vidro.

Uma mancha deixada pela cabeça dela.

A garota havia sido atirada contra a parede.

Nevo sentiu calor, frio e um mal-estar. Pensou nas Sombras Vivas — seu instinto era culpar as feras, e ele sabia que as lendárias assassinas estavam à solta de novo, ainda vivas, sabia-se lá como —, mas elas não faziam aquele tipo de coisa. As Sombras cortavam gargantas.

Além do mais, é claro que ele sabia quem tinha feito aquilo. Enquanto seus olhos corriam ferozmente pelo quarto luxuoso, ele começou a ouvir pedaços da conversa em meio a seu horror. Nevo sabia quem, mas não por quê.

— Todos os guardas que estavam de serviço — ouviu Joram dizer.

Eliav, aterrorizado, retrucou:

— Meu amo! Todos...?

— Sim, capitão. Todos. Os. Guardas. Você achou que poderiam continuar vivos depois de um deslize como esse?

— Meu amo, não houve deslize. Suas portas nunca foram abertas, eu juro. Foi alguma magia...

— Namais? — chamou Joram. — Misorias?

— Senhor?

— Cuidem disso antes que a cidade acorde.

— É claro — responderam os guardas.

O imperador chutou alguma coisa — uma cesta —, que emborcou, fazendo algumas esferas cor-de-rosa saírem rolando. Uma delas atingiu a base elevada da cama e explodiu com um barulho semelhante ao que o crânio da garota devia ter feito ao acertar a parede. Nevo olhou para ela de novo. Não pôde evitar. A visão dela ali, morta, quando ninguém mais parecia notar, fazia com que toda a cena parecesse uma alucinação vívida demais. Não era, é claro. Aquilo tudo estava acontecendo, e ele soube, com uma clareza que lentamente o alcançava, que seria enforcado.

Mas não soube por quê.

Só sabia que tinha algo a ver com uma cesta de frutas.