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Capítulo Cinco

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Foi determinado que o ataque que fora evitado foi projetado para tirar vantagem de uma mudança de ventos que teria levado o pó de antráz pela costa até a área de Wall Street. Analistas estimaram que 95% dos germes teriam sido dissipados pelo porto, mas a cadeia de vírus altamente potente teria contaminado até a Estátua da Liberdade. Qualquer antráz que houvesse sobrevivido a travessia do rio seria altamente tóxico e poderia facilmente iniciar uma pequena crise.

A procuradoria do Estado se encontrou imediatamente na defensiva enquanto os advogados dos terroristas da ACLU alegaram que seus direitos de gay foram violados na descoberta do plano. As mulheres, Lana Harper e Mindy Harris, acessaram uma linha telefônica segura para o Fundo de AIDS de Gotham antes do ataque. A ACLU acusou que sua privacidade havia sido violada, e que o Rastejador da Noite havia rastreado de alguma forma a ligação para descobrir suas identidades. Mais ainda, o vigilante foi capaz de invadir o computador pessoal das mulheres para roubar informações que levaram ao ataque contra elas na Estátua da Liberdade.   

Ambas Harper e Harris mantiveram que elas foram enganadas por um grupo chamado O Octógono, que as encontrou na Estátua com uma maleta cheia de catálogos de viagem que as permitiria vender pacotes de turismo para os visitantes. De alguma forma os terroristas trocaram suas maletas, e as mulheres foram atacadas pelo Rastejador da Noite na tocha da Estátua onde foram presas pelo crime.                      O policial Hoyt Wexford, que estava de serviço na cena do crime, recebeu uma gravação com a confissão do Rastejador da Noite logo depois do fim do incidente. A ACLU, após exame médico, obteve informações que uma droga experimental chamada DAT-KO foi usada nas mulheres para as incapacitar e extrair suas confissões. Foi determinado que o gás diminuiu sua resposta mental com seu efeito de choque nos sistemas dopamínicos. Ele agiu como um soro da verdade sofisticado que as deixou sem defesas contra o interrogatório do Rastejador.

Harper e Harris foram mantidas presas sem fiança na Attica Correctional Facility aguardando julgamento por terrorismo sob as Leis Anti-Terror de Nova Iorque. A polícia, embora tivesse um alerta-vermelho para o Rastejador da Noite, estavam exultantes quanto às informações providas na gravação dada a Wexford pelo vigilante. Eles fizeram cópias dela assim como transcritos eletrônicos e, embora a ACLU tenha levado a gravação à corte, as informações foram distribuídas através das bases de dados do Departamento. Um time da SWAT desceu até o armazém usado como esconderijo para o Octógono logo após a mulher dar a localização, mas foi evacuado horas antes da sua chegada.

Sabrina Brooks estava tão abalada pelo incidente que ela quase faltou do trabalho no dia seguinte. Ela sofreu múltiplas contusões durante uma série de eventos que aconteceram no domingo, e quase não conseguiu voltar para a mansão da família inteira. Ela ficou tão mal que desligou o celular e o telefone fixo e deitou no sofá no escuro até que as fortes batidas na porta a forçaram a responder no domingo à noite.

“Olá, Hoyt,” ela conseguiu dizer abrindo a porta. Ela estava tão exausta e dolorida que nem arrumou o cabelo antes de atender.

“Bree,” ele estava surpreso por sua aprência bagunçada. Ele estava exausto também, experimentando um de seus mais longos dias em sua carreira embora estivesse vestido com suas roupas à paisana. “Estou te ligando há horas. Achei que algo estivesse errado, você nunca deixou seu telefone desligado antes. Desculpe vir desse jeito, mas estava preocupado com você.”

“Não, estou bem, apenas um pouco dolorida,” ela assegurou. “Entre.”      Ele estava muito preocupado enquanto ela mancava com força até o interruptor na parede do grande candelabro que iluminava a sala com decoração espanhola. Ele se sentou numa poltrona em frente à ela enquanto ela se abaixava dolorosamente no sofá.          “Caramba, você esteve em um acidente? O que houve?”

“É, tipo isso,” ela tentou explicar. “Tinha um passarinho preso no telhado, parecia que ele tinha machucado a asa. Sou muito burra. Eu peguei uma escada e subi lá pra pegar ele. Quando eu fui, ele começou a bater as asas e voou. Fiquei meio boba e rolei de cima do telhado. Acho que todos aqueles rolamentos no tatame vieram a calhar, mas eu meio que torci minha perna.”

“Tem que tomar mais cuidado, boneca. Acho que não assistiu TV hoje, né?”    “Não, estou me sentindo um tanto mal,” ela conseguiu sorrir.         

“Aquele tal de Rastejador da Noite reapareceu na Estátua da Liberdade,” ele estudou seu rosto intenciosamente. “Você não iria acreditar como terminou. Aconteceu logo que eu fui mandado tomar conta da multidão caso algo acontecesse.”

“Oh, meu Deus,” os olhos de Sabrina se arregalaram. “Você está bem? Houve algum problema?”

“Bem, sim,” ele coçou o queixo. “Na verdade, duas mulheres apareceram na Estátua com uma maleta cheia de pó de antráz concentrado. Elas subiram até a tocha e iriam jogar o pó de lá. Elas estavam esperando que o vento levasse o pó até Wall Street. O Departamento acha que foi mais uma ameaça calculada que qualquer outra coisa, já que de jeito nenhum o pó seria carregado tão longe. De qualquer forma, o Rastejador da Noite descobriu de algum jeito e as parou antes que despejassem o pó. Ele também gravou uma declaração que entregou pessoalmente para mim antes de voltar para a tocha.”

“Então tudo acabou bem? Você teve algum problema por não o prender?”

“Na verdade eu saquei minha arma e o mandei parar, mas ele continuou a correr pelas escadas. Minha única opção foi atirar nas suas costas. Eu o segui acima enquanto um helicóptero com uma escada desceu para pegar as terroristas. Ele pulou na escada e, quando eles o viram, tentaram o cortar. Eu algemei as terroristas e chamei reforços e, enquanto eu fiz isso, o Rastejador da Noite pulou dentro do rio. Quando os barcos de patrulha chegaram, ele desapareceu. A Guarda Costeira ainda está procurando um corpo, mas eu aposto que ele fugiu.”    “Minha nossa, acho que você vai receber alguma recompensa por prender aquelas terroristas,” ela disse alegremente. “Agora você é meu herói, com certeza.”

“O grande problema agora é o Rastejador, acredite ou não. Ele usou uma espécie de gás nervoso nas terroristas para pegar sua confissão. Além disso, ele usou um rastreador ilegal para acessar seu computador e descobrir sobre o ataque. Agora, estamos procurando por ele como se fosse um dos terroristas.”

“Isso é alguma coisa,” ela balançoou a cabeça. “Bem, você provavelmente nunca mais vai ouvir falar dele de novo. Ele seria louco em aparecer outra vez após uma coisa como essa.”    “Sabe, o que foi doido mesmo foi quando ele desceu as escadas. Os seguranças estavam mantendo os turistas afastados depois que eu mostrei meu distintivo quando o bicho pegou. Eu tive essa estranha sensação de déjà vu, quase como se eu conhecesse esse cara. Sabe, quando como você está numa multidão e um dos seus amigos ou familiares estão lá e, embora você não os veja, você sabe que estão lá? Então, foi tipo isso.”

“Uau, aposto que foi estranho,” ela concordou com a cabeça.          “Bre?”

“Sim?”

“Você não saberia quem esse tal de Rastejador é? Se é um dos caras?”

“O quê? Não! Por quê você pensaria isso?”

“Bom, esse negócio de armas químicas. Não há chance de você entregar algo assim para ninguém, mesmo que esteja usando para o bem.”

“Eu meio que odeio ser estraga-prazeres, amigo,” ela disse “mas um parente de uma das garotas da igreja me ligou outro dia e estávamos discutindo um contrato para desenvolver um adubo. Temo que ainda não estamos no nível de armas químicas.”

“Desculpa,” ele coçou o nariz, encostando an cadeira. “Estou com minhocas na cabeça, não sei o que estou pensando. Eles me levaram para o centro e me interrogaram como se eu fosse um membro da gangue. Eu tive que repetir minha história para meu sargento, meu tenente e finalmente para o Capitão Willard. Preenchi tantos formulário que acho que meu pulso abriu. Eles mandaram o FBI e a Segurança Nacional à central de polícia tentando fazer nossos caras parecerem os Keystone Kops. Passei por tantas mudanças hoje que foi surreal. Sem falar em encontrar esse lugar.”

“Tudo bem. Me deixe fazer algo para você comer.”          “Não, eu tenho que ir,” ele levantou. “Estou acabado. Vou ter trabalho em manter meus olhos abertos. Ainda bem que quase não tem trânsito.”            “Que tal um café?”

“Deixa pra próxima. Que tal quarta? Posso vir e te encontrar depois do trabalho, eu pago o jantar.”

“Parece ótimo,” seus olhos brilharam enquanto ela mancava até a porta ao lado dele.

“Se cuida, hein,” ele sorriu, vendo seu rosto angelical sob a luz da lua.

“Você também.”

Ele a tocou no ombro e beijou sua bochecha. Ela fechou os olhos e sentiu o coração parar por um segundo quando ele acenou e desceu pelo jardim até seu Lexus.

Seria muito mais fácil ir dormir agora, com nuvens de algodão doce sobre sua cabeça e Hoyt Wexford como seu anjo da guarda.

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Quando ela chegou no escritório no dia seguinte, ela descobriu que Ryan Hoffman tirou folga e Jon Aeppli esteve tentando a ligar em casa. Ela ligou a secretária eletrônica para pegar as mensagens e decidiu as ouvir em seu escritório. Sua perna esquerda estava preta e azul e ela mal podia mexer seu braço esquerdo, mas ela se encheu de Gelol antes de encarar o trabalho.

Ela vestiu um terno com calças para variar, normalmente favorecendo seus ternos de saia da Neiman Marcus que mostravam suas pernas e eram muito mais frescos durante o dia. Hoje sua perna esquerda parecia uma névoa roxa, e levariam povavelmente alguns dias até ela experimentar um terno-saia com meias-calças opacas. Estava extremamente difícil andar sem mancar, e ela decidiu usar sapatilhas, que era outra coisa anormal para ela.          “Bom dia, Jon.”                      “Sente-se. Feche a porta,” seus óculos dourados estavam na ponta do nariz enquanto ele olhava para sua papelada.

“Hey, achei que eu fosse a chefe por aqui,” ela manejou uma piada.       “Você vai comandar esse lugar sozinha muito em breve,” ele a encarou.

“O quê?” ela tentou se fazer de boba.

“Achei que tínhamos concordado em nada mais de Rastejador da Noite.”

“Jon, não tive escolha. Tive umas informações de fontes seguras que terroristas estavam planejando um ataque à Wall Street. Se eu tivesse os entregado, teria viralizado e os terroristas guardariam o antráz para outro dia. Eu aproveitei a chance e consegui pegar as terroristas. O Governo sabe sobre o Octógono agora. A Segurança Nacional vai encontrar esses caras sem o Rastejador. Agora eu parei pra valer.”

“Eu também. Sabrina, eu estava no hospital quando você nasceu. Seu pai me deixou te segurar quando lhe trouxeram pra casa e eu nunca vou esquecer o olhar dele. Ele teve o mesmo olhar quando se graduou no ensino médio e quando entrou na UNI. Você e sua mãe eram a coisa mais importante na vida dele, mais que essa empresa. Não vou ficar aqui e manter esse lugar depois que você se for. Não teria sentido.”

“Eu estou te implorando, você não pode sair. Eu me mataria,” seus olhos marejaram.    “E já não está se matando?” ele jogou os óculos na mesa. “A polícia estimou que o Rastejador despencou cento e seis metros no East River depois de ser cortado do helicóptero das terroristas. Como está sua perna?”

“Bem, eu cheguei no trabalho.”

“Acho que você disse àquele policial à paisana com quem tem se encontrado. Ouvi que foi a ele que você deu a confissão gravada.”

“Não, você é o único que sabe. Ele provavelmente pararia de me ver se soubesse.”      “Ele provavelmente a forçaria a procurar tratamento psiquiátrico. Falando nisso, você ouviu algo sobre as mulheres que você atacou?”

“Quem, as assassinas?” ela retrucou.

“Sabrina, você não pode usar DAT-KO lá fora, não antes de ser testado. É extremamente perigoso. Você pode causar dano cerebral permanente em alguém.”          “Jon, estamos falando de pessoas que estavam prestes a lançar uma bomba de poeira perto de Wall Street. Você acha que era um custo a ser considerado?”

“Há muita coisa em jogo aqui,” ele exalou. “Não posso fazer parte disso.”      “Então você vai embora e me largar com o projeto do Tom Durham? E aquele e-mail que eu te enviei sobre o projeto do James Hunt?”

“O que é que tem?” ele a desafiou. “É pra você encontrar Tom Durham na academia ao meio-dia.”                        “Sim. E daí?”                        “Você sabe o quanto seu pai odiava essa resposta com esse tom? Estou começando a ver porquê.”

“Okay, se eu for e conseguir o contrato. Você fica pra ajudar?”        “Vou dizer isso. Eu enterrei sua mãe e seu pai. Não vou enterrar você e eu a veria na cadeia antes de assistir você se matando. Você tem que entender isso.”

“Então você não vai me entregar dessa vez?”         “Vai lá,” ele acenou como se estivesse dispensando um aluno rebelde. “Vai embora daqui. Diga a Tom Durham que eu mandei um oi.”

“Com certeza eu vou,” ela mordeu o lábio quando ficou em pé na perna ruim.      “E mais uma coisa.”

“O quê?”

“Espero que ele acabe com você.”

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Sabrina foi até a academia ao meio-dia e encontrou-se com Tom Durham. Ele era um homem forte com 1,80m, 95kg, com um grosso cabelo preto e um bigode com alguns fios brancos nas laterais. Ele foi pego de surpresa quando ela sugeriu que eles treinassem juntos e mais ainda quando ela mencionou colocar luvas.                “Eles me expulsaram da academia em Chinatown, então eu pensei em experimentar esse lugar, especialmente porque eles tem uma equipe de judo,” ela disse amigavelmente. “Eu estava esperando que pudéssemos nos mexer um pouco. Eu não gostaria que você arrancasse minha cabeça.”     

“Okay,” ele grunhiu relutante. “Agora, você tem um daqueles protetores de peitorais, ou um daqueles sutiãs reforçados? Você é meio grande em cima, sabe.”     

“É...,” ela ergueu uma sobrancelha. “Você trouxe seu protetor nasal, sabe, seu suporte? Você deve ser meio grande lá embaixo, posso dizer.”     

Eles entraram e se cadastraram, então se trocaram e se encontraram na área aberta perto dos tatames. Alguns atendentes olharam e acharam que era um homem mais velho que trouxe sua filha para a ensinar a se defender. Eles os deixaram à sós, embora mais de um visitante ficou surpreso com a intensidade da sessão. Após aproximadamente meia-hora, ambos perceberam a hora e concordaram que deveriam ir para os chuveiros.

Sabrina encontrou Durham na frente, and Tom estava com um largo sorriso no rosto. Ele deu um tapinha em suas costas e apertou sua mão.

“Bem, você realmente é filha do Vern Brooks, isso é certeza.”        “Você tem uma bela sequência de jab de esquerda e gancho de direita,” ela disse adimirada. “Estou feliz que pegou leve comigo.”                “Vou te falar uma coisa, docinho. Quando eu comecei a te acertar, eu estava indo com tudo pra te manter longe. Você é uma baita boxeadora. Não comece com nenhuma ideia doida de ganhar dinheiro com isso. Você não vai querer destruir seu rosto. Você parece atriz de cinema.”    “Nossa, obrigada,” ela corou.                    “Okay, olha,” ele disse pensativo. “Estamos vendo alguns contratos de trabalho ao longo da Ponte do Brookliy. Eles estão pempre abrindo buracos e querem uma equipe que traga algo para o jogo para provar que ficará consertada por um bom tempo. Eles estão vindo com $150 milhões e, se eu for com você e propor $140, eu posso catorze milhões para vocêna. Não se esqueça, porém, o negócio que vamos usar tem que durar.”

“Certo,” ela tentou manter a compostura. “Ahn, se você pude mandar tudo por e-mail para mim, vou me reunir com Jon e os outros caras e mandaremos uma proposta assim que possível.”

“Parece bom. Mantenha isso em mente, cuidado com esse rostinho.”

“Com certeza.”

Ela encontrou Rita Hunt naquele sábado à noite com Nat Osprey. Elas foram juntas visitar Lindsay White na Missão Abrigo para Mulheres da Bowery na Heartsease Home. Lindsay estava na quinta gravidez e se escondendo de seu namorado, que estava mandando ela abortar para o livrar de dezoito anos de criação de filho. Ela jurou que nunca o pediria um centavo, mas ele assegurou que iriam atrás dele independente do seu desejo assim que determinassem que ele era o pai. Ela foi se esconder quando ele a disse ou ela abortava por conta ou ele o faria por ela.    Lindsay era uma menina bontita com traços holandeses, cabelos louros ondulados com pele roseada e expressão angelical. Ela estava com os olhos chorosos de Bette Davis e,o coração de Sabrina correu até ela. As mulheres foeramcadastradas na recepção e uma enfermeira levou Lindsay até a entrada para as encontrar.

“Não quero matar meu bebê,” Lindsay chorava enquanto contava sua história à Sabrina. Rita já sabia do que estava contecendo, e segurou sua mão para dar conforto. “Eu entendo o que ele está me dizendo, que qualquer coisa pode acontecer em dezoito anos, mas uma vida humana não é mais importante? Essa criança nunca vai ver o sol brilhar, nunca vai ouvir um pássaro cantar, ou nunca vai ter um aniversário ou Natal só porquê alguém não pode bancar?”      “Não, não se preocupe com isso,” Sabrina insistiu. “Tenho um negócio que está indo muito mal agora. Você vai e tem esse bebê, e vamos nos certificar que ele será adotado por um bom lar cristão que está rezando para ser abençoado com um recém-nascido.”        “Então, esse é o problema,” Rita a falou. “Custa aproximadamente dez mil dólares para passar por um processo de adoção, com toda a papelada inclusa. A maioria das famílias cristãs simplesmente não tem nenhum dinheiro antes de tomar as custas de criar uma criança.”      “Bem, nós veremos,” Sabrina respondeu. “Se alguém fosse doar o dinheiro a uma igreja que usaria o dinheiro para causas humanitárias, então acho que alguém teria uns bons descontos no imposto de renda, não acha?”

“Bem, é uma ideia,” os olhos de Rita se iluminaram.          “A única coisa que vejo é a igreja doando para uma causa, mas se a Receita decidisse pegar uma parte eles teriam que provar que resgatar uma criança de um orfanato não é um ato humanitário. E se eles fossem atrás do Pastor Mitchell, eles teriam que passar pelos advogados da BCQ. Seria uma briga pra ver de camarote, na minha opinião.”            “Bem, eu vou falar com o Pastor pra ver o que ele diz,” Rita decidiu. “Tenho certeza que a Lindsay não teria problemas com isso.”                  “Ah, obrigada, obrigada!” Lindsay chorou de alívio, abraçando Sabrina.

A sensação foi muito melhor que bater em duas lésbicas cheias de esteróides na Estátua da Liberdade.

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Rita e Sabrina encontraram o Pastor na segunda à noite e ele pareceu disposto a prover as bases legais necessárias. Sabrina prometeu que ela se reuniria com seus advogados para assegurar que cuidariam de tudo. Depois ela ligou para seu contador e pediu para explorar os alívios de impostos para empresas que doam para causas humanitárias em Nova Iorque. Depois disso, ela retornou à BCQ para se encontrar com Jon Aeppli.

“Okay, então você está pensando que a adição de um adesivo resistente ao calor sensível à pressão de calor escaldante vai fazer isso funcionar se pudermos combinar com o composto selante do asfalto,” Jon olhou para os relatórios que Sabrina o levou “Então você está pensando em usar o estireno sec-butilítio como catalisador prepolimerizado?”          “Bem,” ela disse tentando se explicar, “ e removermos o ciclohexano para dar a ele o bloco copolímero tipo ABA, mais a dosagem de A e a mistura de B, acho que pode ser o que Tom está precisando.”

“Vou levar ele pra casa e dar uma olhada, mexer um pouco e passar para o Rick e o Ryan,” Jon exalou. “Catorze milhões. O que ele tem na cabeça? Pavimentar do Memorial Park até a Borough Hall?”

“Acho que ele está pensando em uma possível tentativa e erro, possíveis problemas e margem de lucros,” ela disse. “Não vejo porque não podemos fazer cento e dezesseis mil galões dessa coisa por muito mais que oito milhões de dólares. Seria o suficiente para combrir a Ponte e ainda sobraria para alguns quilômetros das entradas.”            “Acho que errou de área.”                  “Concordo. Eu deveria ter sido super-heroína.”              “Não foi isso que quis dizer,” Jon franziu a testa olhando o celular dela desligar. “Você deveria ter ido para o ramo da construção, obviamente dá mais dinheiro ...alô, aqui é Jon.”    Sabrina o assistiu andar até sua mesa, pegar seu controle remoto e ligar a raramente usada TV de plasma que dominava a parede de seu escritório.

“Barbara ligou, ela diz que precisamos ver isso.”          Jon colocou na CNN a pedido de sua esposa e viu um replay de uma gravação que havia sido transmitida via satélite através de Cuba de uma localização desconhecida. A imagem de um homem forte e louro usando camiseta regata sentado atrás de uma mesa com um fundo sombrio e sua face eletronicamente distorcida.

“As pessoas de Nova Iorque devem perceber que estão em uma guerra que não podem vencer,” o homem declarou. “Sua batalha está sendo lutada por covardes incompetentes que não têm a habilidade ou a vontade para derrotar um oponente superior que nunca desistirá antes de alcançar a vitória. Aqui não é Boston, onde uma cidade e um estado inteiros consolidaram seus recursos com os quais seus cidadãos derrotariam dois adolescentes amadores. Pensem na terrível tragédia a mais de uma década no onze de setembro. Nos parar na Estátua da Liberdade foi meramente um atraso menor. Desta vez, estamos exigindo dez milhões de dólares como pagamento para nos impedir de transformar seu mar em sangue. Se nossas exigências não forem supridas em quarenta e oito horas, nós cumpriremos nossa promessa.”  

“Ai, meu Deus,” os olhos de Sabrina se arregalaram. “Esse deve ser o Ceifador.”

O jornalista da CNN anunciou que a Al-Qaeda negou ter conexões com o Octógono e nunca solicitaria ou extorquiria dinheiro para uma ação em nome de Alá. Ele também recebeu a informação de que o governo cubano confirmou que eles agiram somente como transmissores para o Octógono e negaram quaisquer associações com o grupo terrorista.

“Se eles desenvolvessem uma arma de antráz que literalmente jogariam aos quatro ventos para demonstrar sua capacidade, só podemos imaginar  o que estão planejando agora,” Jon estava sombrio quando desligou a TV.                    “Eles devem estar no ramo químico, ou conhecem alguém que esteja,” Sabrina ponderou.

“Eles podem estar conseguindo armas de fora do país,” Jon apontou. “pode ser da Síria, Coréia do Norte, Irã ou até mesmo da Rússia.”                “Por que eles os deixariam perder aquela oportunidade de lançar o produto? Suponhamos que a Segurança Nacional foi capaz de rastrear alguns dos agentes componentes? Se houvesse uma enzima característica identificável de um produtor estrangeiro...“

“Os relatórios dos noticiários não indicaram se a Segurança Nacional foi capaz ou não de conseguir qualquer informação sobre o que quer que seja que houvesse sobrado naquela mala,” Jon deduziu. “As chances são de que eles o mandaram para um laboratório da polícia. Nós sabemos que eles não fazem uma análise com a mesma qualidade que uma companhia privada.”    “Acho que conheço alguém que poderia me arrumar uma amostra.”          “Não está com medo de arriscar seu relacionamento? Você ainda corre o risco dele ser obrigado a te denunciar.”                      “Ele não pode prender o que não pode pegar. Eu estava pensando no Rastejador.”      “Você não acabou de me prometer...!”                “Eu não disse que iriavolar da Estátua da Liberdade, vou apenas usar um disfarce para ir visitar o Hoyt!”

“Não adianta discutir,” ele acenou enquanto se dirigia à porta. “Vou olhar seu trabalho no acordo do Durham e trazê-lo pronto amanhã de manhã.”

As palavras de Jon atingiram Sabrina como um soco no estômago. Ela percebeu que estaria tomando um grande risco em perder o homem pelo qual ela estava se apaixonando. Contudo as vidas dos civis inocentes estariam em risco se ela não o fizesse.

Ela não viu outra alternativa a não ser ir até o Pastor Mitchell e ver se Deus a ajudaria de alguma forma.