Capítulo 16

Quinta-feira, 3 de julho de 2014

8h25

Wolf passou na delegacia antes da sua consulta às nove horas com a Dra. Preston-Hall. Sentou-se à mesa e xingou sonoramente quando chutou o cesto de lixo e esparramou o conteúdo no chão. Procurou discretamente por um cesto vazio que pudesse surrupiar, mas pelo visto a equipe de limpeza andava bem menos ocupada que o resto do departamento. Após uma simbólica tentativa de limpar a bagunça, chegou a se comover quando viu que Finlay, no seu dia de folga, tinha se dado ao trabalho de deixar sobre a mesa o formulário de monitoração que lhe cabia preencher semanalmente. Num bilhete colado à primeira página ele havia escrito: “Quanta baboseira. A gente se vê na reunião. Fin.”

Imaginando que a psiquiatra não veria com bons olhos aquele arroubo de franqueza, Wolf retirou o bilhete e por alguns segundos ficou olhando para a mesa vazia de Chambers, relembrando a crise emocional que Emily, tão contra o seu feitio, tivera na véspera. Detestava vê-la naquele estado. Conhecia a colega de longa data e apenas uma vez durante todo esse tempo ele a vira assim, tão abalada: de todas as más lembranças daquele fatídico dia, essa era a que mais o perturbava.

Emily Baxter não tivera permissão para comparecer a todas as sessões do julgamento de Naguib Khalid quatro anos antes, mas de tanto insistir havia conseguido acompanhar Wolf na última delas, a sessão do veredito. A essa altura ele estava suspenso do trabalho e todos da equipe submetidos a uma investigação da corregedoria. Ele não queria que ela estivesse lá. Seus problemas com Andrea haviam atingido o ápice naquela semana, a tal ponto que alguém chamara a polícia para a casa em que eles moravam na zona norte de Londres, inflando os boatos de violência doméstica. Indiferente aos opositores do colega, a detetive Baxter mexera seus pauzinhos e obtivera permissão para ficar esperando horas a fio diante das portas fechadas do tribunal.

Wolf ainda podia ver à sua frente o primeiro jurado, um senhor idêntico ao mago Gandalf, entregando o veredito ao oficial de justiça. Depois disso tudo não passava de um grande borrão: gritos de pânico, o cheiro forte de um piso encerado, sua mão ensanguentada sujando um vestido branco. A única coisa da qual ele se lembrava com clareza era da dor intensa que sentira quando o segurança esmagou seu pulso esquerdo violentamente com a sola do coturno. Isso e a figura de Emily no meio da multidão, o rosto molhado de lágrimas enquanto repetia aflita: “O que você fez? O que você fez?” Ele já havia desistido de enfrentar os seguranças quando ela tomou o braço da jurada suja de sangue, tirou-a da confusão e sumiu com ela do outro lado das portas duplas do tribunal. Achara que jamais voltaria a vê-la.

Wolf foi despertado do seu devaneio pelos bipes irritantes da máquina de fax que nunca havia funcionado como deveria. Imediatamente avistou Emily conversando com Simmons na sala dele. Ainda não a tinha encontrado depois de abandoná-la na companhia de Andrea: ambas já tinham partido quando ele, exausto, por fim se arrastou de volta para o apartamento. Sentiu-se ligeiramente culpado, mas estava com a cabeça quente demais para se envolver naquela antiga rixa entre as duas. Sem tempo para fazer qualquer coisa de útil por ali, pegou o formulário e foi para sua ­consulta.

A conversa com a Dra. Preston-Hall não havia sido nada boa, e ele respirou aliviado quando deixou para trás o sufocante consultório para ingressar na indefectível chuvinha do verão londrino. Apesar do calor, vestiu sua capa sobre a camiseta branca. Ainda tinha no canto da mesa o trofeuzinho que Finlay lhe dera certa vez ao vê-lo chegar ensopado para trabalhar depois de ter sido surpreendido na rua por uma tempestade: Miss Camiseta Molhada 2013. Desde esse dia ele nunca saía de casa sem uma capa nos dias chuvosos.

No caminho de volta para a New Scotland Yard, ficou pensando na reunião que teria mais tarde. A psiquiatra havia dito que estava muito preocupada com o nível de pressão ao qual ele vinha sendo submetido, alegando que ninguém saía psicologicamente ileso da experiência de ver duas pessoas morrerem sob seu nariz num espaço de tempo tão curto. Por sorte ela ainda não tinha sido informada da morte de Chambers.

Em tese as sessões deveriam ter por base apenas os relatórios assinados por Finlay e aquilo que ele, Wolf, entregava por vontade própria, mas não fora possível esconder dela a maldita fotografia que na véspera havia circulado em todos os noticiários e jornais do país. Segundo ela, a tal foto era o material mais autêntico que ele, ainda que contra sua vontade, havia apresentado para discussão: qualquer leigo poderia ver que o homem segurando a mão daquele cadáver no asfalto estava se desmanchando por dentro. Assim, ela ligaria para Simmons o mais cedo possível, aconselhando a ele que o colocasse numa “posição bem menos relevante na investigação em curso”, fosse lá o que isso significasse. Fim de papo. Eles voltariam a se ver na segunda-feira seguinte.

O sétimo andar estava relativamente vazio quando Wolf voltou ao trabalho. Dois adolescentes haviam morrido na madrugada, esfaqueados numa briga de gangues em Edmonton, e um terceiro fora internado em estado grave. Wolf viu nisso um lembrete de que a vida em Londres seguia normalmente e que as mortes associadas ao caso Boneco de Pano, bem como as outras seis anunciadas na lista, não passavam de um interessante tópico de conversa para as milhares de pessoas não envolvidas diretamente naquele horror.

Um recado o aguardava sobre a mesa. Desde a manhã anterior que Andrew Ford, o segurança que figurava em quarto lugar na lista, vinha insistindo para falar com ele pessoalmente – inclusive ficando agressivo com os policiais destacados para protegê-lo. A detetive Baxter se oferecera para atendê-lo, mas o marrento não arredara o pé.

Chamado para a reunião, Wolf ocupou a cadeira vazia ao lado da colega e viu que ela voltara ao seu jeito espinhoso de ser, a mesma maquiagem escura, a mesma expressão de enfado.

– Bom dia.

– Bom dia – resmungou ela sem ao menos fitá-lo.

Vendo que dali não sairia nada, ele se virou para Finlay.

1. CABEÇA: Naguib Khalid, o Cremador.

2. TORSO: ?

3. BRAÇO ESQUERDO: anel de platina, escritório de advocacia?

4. BRAÇO DIREITO: esmalte de unha?

5. PERNA ESQUERDA: ?

6. PERNA DIREITA: Detetive Benjamin Chambers.

A. Raymond Turnble (prefeito)

B. Vijay Rana/Khalid (irmão de Naguib Khalid, contador)

C. Jarred Garland (jornalista)

D. Andrew Ford (segurança, alcoólatra, chato de galocha)

E. Ashley Lochlan (garçonete ou menina de 9 anos)

F. Wolf

Todos olhavam calados para as duas listas, esperando que uma luz se acendesse de repente para apontar um vínculo qualquer entre aquelas pessoas. Vinham andando em círculos nos últimos vinte minutos, o que levara Simmons a rabiscar no bloco de cavalete, quase ilegivelmente, o progresso realizado até então – o que não era lá grande coisa.

– A chave do mistério só pode estar nas vítimas do Cremador – arriscou Finlay. – Khalid, o irmão dele, Wolf...

– Posso afirmar que o irmão não teve nada a ver com o julgamento – informou Simmons, acrescentando mais uma anotação no cavalete. – Nem apareceu por lá.

– Talvez a coisa faça mais sentido quando o Edmunds voltar com um nome pra gente – disse Finlay.

– Esquece – retrucou Emily. – Ele já investigou 22 pessoas que receberam um anel semelhante ao nosso. Nenhuma delas teve qualquer tipo de participação no julgamento.

– Mas o Ben teve, não teve? – perguntou Finlay.

Fez-se um silêncio após a menção do nome de Chambers e Finlay se envergonhou por ter citado o colega morto como ele fosse apenas mais uma peça daquele quebra-cabeça.

– A participação de Chambers não foi maior nem menor do que a de qualquer outra pessoa nesta sala – observou Emily friamente. – E mesmo que tivesse sido, que vínculo ele poderia ter com essas outras pessoas que morreram como ele?

– Até onde já fomos na investigação delas? – perguntou Simmons.

– Estamos fazendo o melhor possível – respondeu a detetive –, mas pra falar a verdade... reforços seriam muito bem-vindos.

– Sem chance – retrucou Simmons, irritado. – Já coloquei dois terços do departamento neste caso, não posso abrir mão de mais ninguém.

A detetive não insistiu. Tinha plena consciência de que o chefe estava sob grande pressão.

– Fawkes, você não disse nada até agora – falou Simmons. – Alguma ideia?

– Se a chave está no julgamento de Khalid, por que eu estaria na mesma lista? Não faz sentido. Se a intenção do assassino é se vingar do Cremador, que motivo ele pode ter pra também querer matar a pessoa que colocou o Cremador atrás das grades?

Silêncio.

– Talvez por ter sido um julgamento famoso – chutou Finlay. – Quem sabe o Ben não tinha nas mãos um caso semelhante que pudesse chamar a atenção do cara?

– É uma hipótese – concordou Simmons. – Você mesmo pode dar uma olhada nisso.

Foi então que Edmunds irrompeu na sala, esbaforido e suado.

– O anel pertencia a Michael Gable-Collins – anunciou ele. – Sócio sênior da Collins & Hunter.

– Collins & Hunter? – repetiu Finlay. – Onde foi que ouvi falar deles?

Wolf deu de ombros, e Edmunds prosseguiu:

– Quarenta e sete anos, divorciado, sem filhos. O mais interessante de tudo é que ele compareceu a uma reunião entre os sócios na sexta-feira, na hora do almoço.

– Portanto temos uma janela de aproximadamente doze horas entre essa reunião e a descoberta do Boneco – observou Simmons, acrescentando o nome aristocrata à sua lista.

– E o envolvimento dele no julgamento de Khalid? – perguntou Finlay, ignorando os olhos revirados de Emily.

– Se ele teve algum, não foi um envolvimento direto. Ainda preciso investigar – disse Edmunds.

– Então continuamos mais ou menos na mesma, certo? – retrucou Finlay.

– Ah. Quer dizer então que o julgamento é o denominador comum – concluiu Edmunds.

– Mas você acabou de dizer que o cara não teve nenhum envolvimento direto.

– Algum envolvimento ele teve. Todos tiveram. Só que ainda não descobrimos. Khalid é a chave.

– Mas... – começou Finlay.

– Bem, vamos em frente – interrompeu Simmons, baixando os olhos para o relógio. – Jarred Garland exigiu que a sargento Baxter se encarregasse da proteção dele. Eu e ela já conversamos longamente sobre o assunto e quero que todos vocês ajudem no que ela precisar.

– Espera aí, espera aí... – disse Wolf.

– Emily vai passar o resto do dia de hoje na rua, amanhã também. E é você, Wolf, quem vai dar sequência ao trabalho dela por aqui – sentenciou Simmons.

– Mas eu preciso ficar junto do Garland! – insistiu Wolf.

– Negativo. Por falar nisso, você pode se dar por satisfeito por ainda estar aqui depois do telefonema que eu recebi mais cedo da Dra. Você-Sabe-Quem.

– Acho que vou ter de concordar com o Wolf nessa questão – interveio Edmunds, surpreendendo a todos com seu tom imperativo. Emily só faltou jogar uma cadeira nele. – O assassino propôs um desafio ao Wolf. Se alterarmos a dinâmica do jogo, não há como prevermos a reação dele. Pode ser que tome isso como um insulto.

– Ótimo. Tomara que tome. Minha decisão já está tomada.

Edmunds balançou a cabeça, dizendo:

– Na minha opinião, senhor, é um equívoco.

– Meu querido Edmunds... – retrucou Simmons. – Pode ser que eu não tenha um diploma metido a besta que nem o seu, um ph.D. em Polícia & Ladrão, mas acredite se quiser: este não é o primeiro psicopata da minha longa carreira.

– Este é diferente! – insistiu Edmunds.

– Basta! – rugiu Simmons. – Você ainda está cumprindo seu período de expe­riência por aqui, garoto, não se esqueça disso. O assassino vai tentar matar Jarred Garland no sábado, seja lá quem estiver do lado do cara. Garland, por sua vez, não vai permitir o envolvimento da polícia a menos que seja a detetive Baxter ao lado dele. – Virando-se para ela, disse: – Emily, coloque o Fawkes a par das suas investigações. – E para todos: – Reunião encerrada. Obrigado pela enxaqueca. Agora... ao trabalho.

Edmunds se aproximou da chefe, mas não teve a oportunidade de dizer nada.

– Ficou maluco, garoto? – disparou ela imediatamente. – Perdeu a noção do perigo?

– Eu...

– Este caso é muito importante pra mim, e já tenho perrengues demais sem você ficar por aí questionando minha competência com o chefe. – Emily notou que Wolf a rondava, esperando uma oportunidade para falar com ela em particular. – Você já sabe o que vai fazer pelo resto do dia? – perguntou ela a Edmunds.

– Sei.

– Então explique você mesmo pra ele.

A detetive Baxter levantou e saiu da sala sem ao menos olhar para Wolf. Edmunds abriu um sorriso amarelo na direção dele.

– E então? – perguntou Wolf. – Em que pé mesmo está sua caça aos esmaltes?

Wolf telefonara para o legista querendo saber se havia descoberto algo novo com relação aos membros não identificados. Foi informado de que os testes ainda estavam sendo feitos e até então não tinham nada de concreto para oferecer. Em algum momento Wolf precisaria dar um pulo em Peckham para se encontrar com Andrew Ford, mas estava esperando para falar com a detetive Baxter antes que ela saísse.

Por algum motivo Edmunds surgira de repente a seu lado e ali ficara, embora a mesa que dividia com Emily estivesse livre, pois fazia mais de meia hora que ela estava em reunião com Simmons na sala dele. Wolf via que o garoto tentava puxar conversa, mas estava distraído demais, observando de longe os outros dois.

– Fiquei pensando numa coisa – dizia Edmunds. – Nosso assassino é um cara inteligente, metódico, engenhoso. Não pisou na bola em nenhum momento até agora. Isso é muito impressionante. Então fiquei me perguntando: será que ele já não fez isso antes? Pensa bem. Esse cara aperfeiçoou a arte de...

– A arte? – interrompeu Wolf.

– Do ponto de vista dele, sim. Além disso, não podemos negar: por mais hediondos que sejam esses assassinatos, em termos puramente objetivos eles são... impressionantes.

– Impressionantes? – riu Wolf. – Edmunds... é você o assassino? – perguntou ele, com a cara mais séria do mundo.

– Eu gostaria de dar uma pesquisada no nosso arquivo morto – disse Edmunds, fazendo com que Wolf arregalasse os olhos. – Sei lá. Procurar exemplos de modus operandi pouco habituais... vítimas aparentemente inacessíveis... amputações, mutilações... Ele deve ter deixado algum ­rastro.

Contrariando a expectativa do estagiário, que era convencê-lo da sua ideia, talvez até impressioná-lo, Wolf foi curto e grosso na sua resposta:

– Somos apenas quatro pessoas trabalhando em tempo integral neste caso. Quatro. E só. Você realmente acha que vamos dispensar você pra ficar procurando uma agulha no palheiro enquanto o cara continua matando gente por aí?

– Bem, eu... eu só queria ajudar – gaguejou Edmunds.

– Faça o seu trabalho, só isso – disse Wolf, e levantou para interceptar Emily, que acabara de sair da sala de Simmons. – Oi – chamou.

– Esquece – disse ela, passando direto por ele com uma pasta de arquivo entre os braços, indo para sua mesa. – Se você quer falar sobre o que aconteceu ontem...

– Não, não é isso.

Wolf seguiu na cola dela. Passando diante da sala de reuniões, tomou-a pelo braço e puxou-a bruscamente para dentro, despertando o olhar curioso de quem estava por perto.

– O que é isso? – protestou ela.

Wolf fechou a porta da sala e foi logo dizendo:

– Desculpa por ter batido em retirada ontem à noite. A gente ainda tinha muito que conversar. Mas Andrea me deixou tão puto que... Desculpa, eu não devia ter deixado você sozinha com ela.

A detetive Baxter não disse nada. Continuou olhando para ele com impaciência.

– Lembra o que eu já lhe disse? Que você é uma mulher linda, inteligente e...

– Maravilhosa – completou ela, esboçando um sorriso.

– Isso, maravilhosa. Ela não achou muita graça, achou?

– Não, não achou – disse Emily, agora rindo de verdade.

– Então deixa eu ajudar você nessa história com o Garland. Não vou aguentar ficar aqui com seu amigo Edmunds. Não faz cinco minutos ele tentou pintar minha unha.

Emily riu de novo, depois disse:

– Não vai dar, mas obrigada.

– Poxa, Emily... Você é a chefa. Faço tudo que você mandar.

– Não. Você precisa deixar de ser controlador. Sabe que o Simmons está a um passo de afastar você do caso. Então comporte-se – arrematou ela.

Tentou sair da sala, mas Wolf não deixou.

– Você não está entendendo – disse, exasperado. – Eu preciso ajudar.

– Dá licença, por favor? – pediu ela com firmeza.

Num gesto repentino e violento, Wolf tentou puxar para si a pasta que ela abraçava, com força o suficiente para entortar o plástico verde. Emily já o vira nesse estado antes, à época do caso do Cremador, quando ele, tomado pela obsessão, não conseguia mais distinguir amigos de inimigos.

– Solta... isso... Will – suplicou ela. Jamais o chamava pelo primeiro no­me.

Fez uma última tentativa de recuperar a pasta, mas não conseguiu. Bastaria gritar por ajuda para que uma dezena de policiais surgisse na sala e Wolf fosse definitivamente afastado do caso. Talvez tivesse agido mal em permitir que aquilo se arrastasse por tanto tempo, ignorando os sinais. Sua intenção havia sido apenas ajudá-lo, mas para tudo havia limites.

– Desculpa – sussurrou ela, erguendo a mão para esmurrar o vidro opaco da partição à sua frente.

Foi neste exato momento que Edmunds abriu a porta da sala e acidentalmente golpeou Wolf pelas costas.

– Desculpa – disse ele –, mas um policial chamado Castagna está na linha, querendo falar com você sobre Andrew Ford.

Wolf enfim largou a pasta.

– Eu ligo mais tarde.

– Parece que ele está ameaçando pular da janela.

– Ele quem? O Castagna ou o Ford?

– O Ford.

– Pra fugir ou pra se matar?

– Quarto andar. Então... uma coisa ou outra.

Wolf riu, e Emily respirou mais aliviada ao vê-lo retornar ao seu estado normal, à irreverência de sempre.

– Tudo bem. Então diga que já estou a caminho – informou. Despediu-se da colega com um sorriso e seguiu na esteira de Edmunds.

Tão logo se viu sozinha na sala, Emily exalou um demorado suspiro e se agachou com as costas apoiadas na partição. Sentia-se meio zonza, emocionalmente exaurida pela decisão difícil que tinha acabado de tomar, mais confusa agora do que antes. Temendo que alguém a visse naquele estado lamentável, respirou fundo, levantou e saiu.