Capítulo 19
Sexta-feira, 4 de julho de 2014
14h45
Em razão da gravidade e da natureza desconhecida dos seus ferimentos, Garland havia sido levado diretamente para o pronto-socorro do hospital Chelsea and Westminster, onde já era esperado por um especialista em queimaduras. Emily vinha segurando a mão dele durante todo esse tempo, soltando-a apenas ao ser afastada por uma enfermeira durona.
Andrea e Rory chegaram minutos depois numa segunda ambulância. Pelo que Emily podia ver sob os curativos, a mão esquerda do cinegrafista parecia tão inflamada e cheia de bolhas quanto antes, mas a direita estava em carne viva, um buraco aberto na palma, que mais parecia a mordida de um bicho que uma queimadura. Não demorou para que ele fosse levado da recepção e sumisse nos corredores do setor de emergência.
Emily e Andrea decidiram tomar um café no Starbucks mais próximo, sentadas a uma mesa externa. Fazia duas horas que Garland entrara na sala de cirurgia e ainda não havia nenhuma notícia de Rory. A policial consumira boa parte desse tempo tentando descobrir para onde tinham levado Sam, disposta a corroborar a história absurda na qual, muito provavelmente, ninguém estaria acreditando.
– Simplesmente não consigo entender o que aconteceu – disse Andrea, revirando entre os dedos o palito com que mexera seu café.
Emily fingiu não ouvir. Já havia deixado bem claro que pedir a ajuda dela tinha sido a maior burrice da sua vida, dizendo que ela não era uma pessoa confiável, perguntando se ela não percebia que tudo virava merda ao cair nas suas mãos de jornalista, acrescentando que começava a imaginar se não tinha algo de fundamentalmente errado com a pessoa dela. Por um segundo ficou tentada em reacender a discussão, mas decidiu que isso não ajudaria em nada. Além disso, podia ver que a outra se sentia tão culpada quanto ela própria.
– Pensei que o estivesse ajudando – balbuciou Andrea, mais para si que para a sargento. – Você mesma disse: se a gente conseguisse salvar pelo menos um, talvez houvesse mais esperança pro Will.
Emily hesitou um instante, debatendo se devia ou não contar sobre o comportamento dele na manhã anterior. Acabou preferindo ficar de bico fechado.
– Acho que vamos perdê-lo – concluiu Andrea.
– Quem? O Garland?
– Não. O Will.
Emily balançou a cabeça, dizendo:
– Isso não vai acontecer.
– Vocês dois deviam... quer dizer, se você quiser... tenho a impressão de que você... sei lá, acho que ele vai gostar.
De algum modo Emily conseguiu decifrar a linguagem truncada da jornalista, mas achou por bem ignorar a pergunta que vinha nas entrelinhas.
– Esquece – foi só o que ela disse, categórica.
“Foi mal. Hoje sou eu que vou cozinhar pra gente. Te amo.” Instalado na sua metade da mesa, Edmunds vinha tentando digitar uma mensagem para Tia sem que Simmons visse. Ela já havia ignorado os três primeiros pedidos de desculpa.
– Edmunds! – berrou Simmons às costas dele. – Se você está com tempo pra brincar no telefone, então também pode falar com a perícia e descobrir que porra foi essa que aconteceu hoje.
– Eu?
– Sim, você! – rugiu Simmons, fazendo uma careta de desespero ao ouvir o telefone tocando mais uma vez na sua sala. – Fawkes e Finlay estão do outro lado do país. Baxter ainda está no hospital. Então sobrou você, meu camarada. Você e mais ninguém.
– Pois não, senhor – disse o estagiário, guardando sua papelada. Arrumou a mesa para não levar uma bronca da chefe e saiu apressado em direção ao elevador.
– E ela, como está? – perguntou Joe, o legista careca, ainda mais parecido com um monge budista enquanto lavava as mãos na pia do laboratório. – Vi o noticiário.
– Acho que o país inteiro viu – disse Edmunds. – Ainda não falei com ela, mas o Simmons, sim. Ela ainda está no hospital com o Garland.
– Muito gentil da parte dela, mas infelizmente... não há nada que possa fazer.
– Estão operando o jornalista. Isso significa que ele ainda tem alguma chance.
– Não tem. Falei por telefone com o especialista em queimaduras para informar o que ele tem nas mãos.
– Que é...?
Joe sinalizou para que Edmunds o acompanhasse até a sua estação de trabalho, onde os estilhaços de vidro recolhidos no sofá do hotel esperavam sob as lentes de um microscópio. Algumas poucas gotas de líquido residual jaziam pateticamente no fundo de um tubo de ensaio. Um bastão metálico, ligado por fios a um aparelho, fora molhado no tal líquido. Os restos do cinto protetor estavam numa bandeja com pedaços da pele de Garland ainda grudados à borracha.
– Imagino que você já saiba – disse Joe. – Eles estavam tentando simular a morte do cara.
– Pois é, Simmons contou – confirmou Edmunds.
– Um plano excelente, corajoso – disse o legista com sinceridade. – Então... como é que a gente faz pra matar alguém com uma arma falsa? Troca por outra verdadeira? Troca as balas de festim por balas reais? Troca o miniexplosivo por algo mais letal?
– Imagino que sim...
– Que nada! Todas essas coisas teriam sido verificadas mil vezes. Nosso amigo assassino foi mais esperto: preferiu adulterar o cinto protetor que Garland usaria em volta do tronco. Inicialmente um cinto desses não passa de um inocente pedaço de borracha forrado com pano. Que mal há nisso, certo?
Edmunds se aproximou para ver melhor os restos do cinto, tapando o nariz por causa do cheiro da carne queimada. Fios metálicos chamuscados projetavam-se da borracha em diversos lugares.
– São de magnésio – explicou Joe, aparentemente alheio ao fedor. – Estavam enroscados em todo o cinto, queimando o infeliz a uma temperatura de alguns milhares de graus Celsius.
– Então, quando explodiram o preservativo com sangue falso...
– Inflamaram a espiral de fios de magnésio. Encontrei vestígios de um catalisador em alguns pontos na frente do cinto, pra garantir a combustão.
– Mas e o vidro? Onde é que o vidro se encaixa nessa história toda?
– Um requinte de crueldade, eu diria. Pra garantir a morte do jornalista, nosso homem incluiu no cinto diversos frascos de ácido, que explodiram com o calor do fogo. Ah, sem falar nos espasmos fatais e no edema provocados pela inalação dos vapores tóxicos.
– Meu Deus... – Edmunds anotava tudo em seu caderno. – Que tipo de ácido?
– Pra falar a verdade, “ácido” é pouco. A coisa é muito pior. É o que eles chamam de “superácido”. Provavelmente um tríflico, mil vezes mais poderoso que o ácido sulfúrico.
Edmunds instintivamente se afastou do tubo de ensaio em princípio inofensivo.
– Então é isso que está corroendo as entranhas do cara? – indagou.
– Sim. Por isso eu disse que o caso dele não tem lá muita solução.
– Imagino que não seja fácil obter esse tipo de substância...
– Sim e não – revelou Joe. – Os superácidos são usados amplamente na indústria como catalisadores. Além disso, há todo um mercado paralelo em torno deles, por causa das suas qualidades letais.
Edmunds suspirou com desânimo.
– Não se preocupe – disse Joe, empolgado. – Se o que você quer são pistas, tenho coisa muito melhor pra lhe oferecer. Algo que encontrei no Boneco.
Emily Baxter se afastou para atender uma ligação do hospital. Na ausência dela, sem muito entusiasmo, Andrea tirou da bolsa seu celular de trabalho e o ligou. Onze chamadas não atendidas: nove de Elijah e duas de Geoffrey, recebidas antes que ela tivesse a oportunidade ou a disposição para avisar que estava bem. Havia ainda uma mensagem de voz. Ela se preparou para o pior. “Andrea? Cadê você? Está no hospital? Faz horas que estou tentando falar com você!” Era Elijah, claramente irritado. “Falei agora há pouco com uma funcionária do hotel. Ela disse que você estava filmando alguma coisa durante a confusão. Preciso dessas imagens já. Mandei um técnico pra lá com a chave sobressalente da van. Ele vai fazer o upload de lá mesmo. Me liga assim que receber este recado.”
Emily voltou e não pôde deixar de notar o estado dela.
– Que foi?
– Jesus... – disse Andrea, deixando o rosto cair entre as mãos.
– Que foi agora?
– Eles já estão com as imagens – respondeu ela enfim e ergueu o rosto para dizer: – Desculpa.
Ao que parecia, tudo realmente virava merda quando caía nas suas mãos.
Elas haviam sido chamadas de volta ao hospital e precisaram abrir caminho através da barreira de repórteres e câmeras que àquela altura já cercava a entrada principal. Andrea notou que Elijah havia despachado Isobel e o câmera dela para cobrir aquele último e horripilante incidente, no qual ela estava envolvida até o pescoço.
– Quem com ferro fere... – ironizou Emily, depois que um policial as escoltou até os elevadores.
Uma enfermeira as conduziu até uma saleta privativa, e Emily, percebendo o jeito da outra, viu imediatamente o que ela tinha a dizer. Apesar de todo o esforço dos médicos, Garland não havia resistido: as queimaduras eram graves demais e ele havia falecido durante a cirurgia. Embora já esperasse por isso e tivesse conhecido o jornalista apenas três dias antes, a detetive não conseguiu segurar as lágrimas. Carregaria pelo resto da vida o peso enorme daquela culpa, quase podia senti-la fisicamente dentro do peito. Garland fora colocado sob sua responsabilidade. Talvez se ele não houvesse agido pelas costas dela... Ou se ela tivesse...
A enfermeira informou ainda que a irmã de Garland estava sozinha num quarto daquele mesmo corredor caso alguém quisesse falar com ela. Mas Emily não encontrou a coragem de que precisava: deixou com Andrea um abraço para Rory e foi embora o mais rápido que pôde.
Joe retirou da gaveta frigorífica e trouxe para o centro da sala o corpo híbrido que a insensibilidade da imprensa havia batizado de Boneco de Pano. Edmunds preferiria mil vezes não ter de ver aquilo de novo. Como um último insulto à pobre mulher a cujo torso haviam sido costurados pedaços de cinco outros corpos, uma nova incisão fora feita nela, correndo ao longo do centro do tronco e bifurcando rumo aos ombros na altura dos seios. Embora estivesse definido que as vítimas já estavam mortas no momento das amputações, ele não podia deixar de pensar que aquela anônima tão pálida havia sido mais punida que os seus companheiros de sofrimento.
– Você encontrou alguma coisa no post mortem? – perguntou Edmunds, injustamente bravo com Joe ao identificar certo desleixo nos pontos.
– Hein? Não, nada.
– Então...
– Olha direito, depois me diz se notou alguma coisa de errado com este corpo.
Edmunds fitou-o com um olhar de desespero.
– Fora o óbvio, claro – acrescentou o legista.
Resignado, Edmunds correu os olhos pela aberração, prevendo que jamais conseguiria apagá-la da memória. Detestava estar no mesmo ambiente que aquilo. Via ali algo de macabro, por mais que a ideia de macabro contrariasse seu jeito cartesiano de ser e pensar. Sem uma resposta para oferecer, ele simplesmente encarou Joe, que disse:
– Nada? Presta atenção nas pernas. São diferentes no tamanho e na cor da pele, mas foram costuradas quase simetricamente. Mas nos braços a história é bem diferente. De um lado, um braço feminino completo...
– Não que a gente precisasse de um braço inteiro pra identificar o esmalte... – interveio Edmunds.
– ... mas do outro, apenas uma mão e um anel.
– De onde se conclui que... o braço completo deve ter algum significado especial – disse Edmunds, ligando os pontos.
– E tem.
Joe retirou diversas fotografias de uma pasta de arquivo e entregou a Edmunds, que as examinou sem saber direito o que estava vendo.
– É uma tatuagem?
– Uma tatuagem que ela removeu. Com sucesso, diga-se de passagem. O conteúdo metálico da tinta ainda pode ser visto na radiografia, mas no infravermelho fica bem mais nítido.
– O que é, ou era, essa tatuagem? – perguntou o novato, virando uma das fotos de cabeça para baixo.
– Isso aí é com você – riu Joe.
Fazia mais de uma hora que Simmons estava conversando com a comandante Vanita no espaço claustrofóbico da sua saleta, defletindo com estoicismo as ameaças que ela afirmava estar apenas “repassando” dos superiores. Por mais de uma vez tinha ouvido a mulher dizer que estava do lado dele para depois engolir alguma farpa sobre sua equipe de detetives, seu departamento como um todo e sua capacidade de liderança. Mal conseguia respirar com aquela absurda falta de janelas, a impaciência subindo na mesma proporção do calor.
– Quero que você suspenda a detetive Baxter, Terrence.
– Por quê, exatamente?
– Quer que eu desenhe? Ela praticamente matou Jarred Garland com aquele seu plano... ridículo.
Simmons estava a um passo de explodir. Não aguentava mais aquela torrente de reprimendas tão arrogantes quanto infundadas. Sentindo o suor escorrer nas têmporas, não pensou duas vezes antes de usar um documento extremamente importante para se abanar.
– Ela jura que não sabia de nada. E eu acredito nela.
– Nesse caso, e na melhor das hipóteses, ela é uma detetive bastante incompetente.
– A detetive Baxter é uma das pessoas mais competentes de todo o departamento. Fora o Fawkes, não tem ninguém mais dedicado que ela a esse caso ou que esteja mais inteirada dele.
– Fawkes... outra catástrofe iminente. Ou você acha que não estou sabendo da recomendação que a psiquiatra fez pra que ele se afaste do caso?
– Acontece que tem um maluco por aí que se deu ao trabalho de colocar um cadáver apontando pro apartamento do Fawkes e deixou bem claro que está contando com o envolvimento dele – retrucou Simmons, um pouco mais ríspido do que havia pretendido.
– Terrence, é para o seu próprio bem. Você precisa demonstrar de algum modo que não aprova o comportamento inconsequente da detetive Emily Baxter.
– Ela não sabia! Vai, diz aí: o que você teria feito no lugar dela?
Ele começava a perder a compostura. Só queria uma coisa: sair daquela sauna infernal.
– Pra começo de conversa, eu...
– Quer saber de uma coisa? – interrompeu Simmons. – Não estou nem aí pro que você faria. Simplesmente porque você não faz a menor ideia do que a minha equipe tem de enfrentar lá fora. E como poderia fazer? Nem é uma policial de verdade!
Vanita estranhou a explosão, pois não era do feitio de Simmons.
– E você, Terrence, é o quê? – retrucou ela com ironia. – Sentadinho aqui neste cubículo o dia todo... Você também não é um policial, é um gerente. Porque quis. Então é melhor começar a pensar e a agir como tal.
Por um instante ele ficou desconcertado com a crueza da observação. Sempre vira a si mesmo e à sua equipe como uma coisa só. Recompondo-se, falou:
– Não vou suspender, afastar ou repreender a detetive Baxter por ter feito seu trabalho e colocado sua própria vida em risco hoje.
Vanita ficou de pé, revelando suas roupas espalhafatosas.
– Vamos ver o que o comissário tem a dizer a esse respeito. Agendei uma coletiva com a imprensa às cinco horas. Precisamos dar um depoimento oficial sobre o que aconteceu hoje de manhã.
– Fale você mesma com os abutres – esbravejou Simmons, levantando-se também.
– Como é que é?
– Não vou fazer mais nenhuma coletiva, não vou compactuar com esta sua política nojenta de tirar o cu da reta, nem vou ficar trancafiado nesta sala, falando ao telefone, enquanto meus colegas estão lá na rua, com a bunda virada pro perigo.
– Se eu fosse você, pensaria duas vezes antes de...
– Não vou pedir as contas se é isto que você está sugerindo. Não estou com tempo pra conversa fiada, só isso. A gente se vê por aí.
Abandonando a comandante na sala, Simmons marchou para a mesa que um dia fora de Chambers, instalou-se nela decididamente e ligou o computador.
Edmunds levou um susto quando saiu do elevador e passou pelo chefão, que pesquisava na internet os artigos mais polêmicos de Jarred Garland. Vendo que Emily já estava de volta, correu ao encontro dela e lhe ofereceu um abraço, que a detetive, surpreendentemente, aceitou.
– Eu estava preocupado com você... – disse ele, ocupando sua metade da mesa.
– Precisei esperar no hospital até que... Enfim, fiquei esperando pelo Garland.
– Ele não tinha a menor chance – disse Edmunds e repetiu o que Joe explicara sobre o tal superácido. Falou também sobre a tatuagem. – Acho que a gente devia começar com...
– Você vai começar – corrigiu ela. – Estou me afastando do caso.
– O quê?
– Simmons contou que a comandante Vanita exigiu minha suspensão. O mais provável é que eu seja transferida pra outro caso na segunda-feira. O próprio Simmons pode ficar no meu lugar e Finlay já topou ser sua nova babá.
Edmunds nunca vira sua chefe assim, tão desalentada. Estava prestes a sugerir que eles saíssem juntos para levar as fotos em infravermelho a algum estúdio de tatuagem quando o entregador apatetado se aproximou com um envelope na mão.
– Detetive Emily Baxter?
– Sim, sou eu – afirmou, apoderando-se do envelope. Antes de rasgá-lo, percebeu que o garoto permanecera onde estava, olhando para ela. – Mais alguma coisa?
– Fui eu que entreguei aquele monte de flores, mas... não estou vendo nenhuma por aqui. Cadê elas?
– Foram todas embrulhadas e enviadas pra perícia depois de terem matado um homem – respondeu ela com tranquilidade. – Mas valeu por tê-las trazido pessoalmente.
Edmunds riu e o palerma foi embora sem falar mais nada.
Quando ela enfim abriu o envelope, uma espiral fininha de magnésio caiu na mesa. Edmunds encarou a chefe e ela olhou de volta, ambos preocupados. Ele buscou um par de luvas descartáveis e entregou a ela. O envelope continha uma fotografia em que Baxter aparecia caminhando ao lado da maca de Garland, tirada da perspectiva da multidão de curiosos que após a confusão se acumulara à porta do hotel. O verso trazia um bilhete: “Se vocês não respeitarem as regras do jogo, não serei eu a respeitá-las.”
– Ele está se aproximando – disse Emily. – Exatamente como você tinha previsto.
– É maior do que ele – revelou Edmunds, examinando a foto.
– O bilhete está bem-escrito, com vírgula e tudo.
– O que já era de esperar. Ele certamente tem uma boa formação.
– “Se vocês não respeitarem as regras do jogo” – repetiu ela em voz alta –, “não serei eu a respeitá-las.”
– Tem alguma coisa errada aí.
– Você acha que não é dele?
– Não, não. Não é isso. Acho que é dele, sim. Eu não queria tocar nesse assunto hoje, depois de tudo por que você passou, mas...
– Estou bem, pode falar.
– É que... Qual motivo ele teria pra matar Jarred Garland um dia antes da data que ele mesmo marcou?
– Pra castigar a gente. Pra castigar o Wolf, que não estava lá.
– Isso é o que ele quer que a gente pense. Mas ele descumpriu o prometido, abrindo mão do que seria a sua grande obra-prima. Aos olhos dele, isso representa uma derrota.
– Como assim?
– Alguma coisa deixou o cara assustado, fazendo com que ele antecipasse a morte de Garland. Ele deve ter se apavorado. Ou a gente chegou perto demais ou ele realmente achou que não conseguiria ter acesso ao Garland amanhã.
– Garland ia ser levado pelo pessoal do Serviço de Proteção Civil.
– Vijay Rana também se Elizabeth Tate não tivesse chegado antes. Além do mais, só você sabia pra onde iam levá-lo. Então... o que havia de diferente?
– Eu? Era eu que estava no comando. Wolf não se envolveu. Nem ele nem ninguém da equipe.
– Exatamente.
– Mas aonde você quer chegar?
– Ou a gente aceita a possibilidade de que o assassino estava vigiando a gente de perto e sabia que a manhã de hoje seria sua última chance antes que Garland sumisse do mapa...
– Acho pouco provável.
– ... ou alguém com conhecimento profundo do caso está vazando informações pra ele.
Emily riu e balançou a cabeça, dizendo:
– Puxa, você realmente sabe como fazer amigos, não é?
– Espero que esteja enganado – disse Edmunds.
– E está. Quem aqui haveria de querer ver o Wolf morto?
– Não faço a menor ideia.
Ela refletiu um instante, depois perguntou:
– E aí, o que é que a gente faz?
– Bem, em primeiro lugar a gente não conta nada disso pra ninguém.
– Óbvio.
– Depois armamos uma arapuca.