Capítulo 34

Segunda-feira, 14 de julho de 2014

5h14

Emily Baxter acordou com o martelar da chuva nas janelas do seu apartamento. Tinha apenas aberto os olhos quando um trovão rugiu ao longe. Estava deitada no sofá, embalada pela luz suave que vinha da cozinha, a cabeça desconfortavelmente pousada no telefone sem fio sobre o qual tinha dormido.

Por algum motivo achara que Wolf iria telefonar. Como ele podia fazer uma coisa dessas? Não ligar? Ela estava furiosa, sentia-se traída, mas ainda assim pensava haver muitas coisas mal resolvidas entre eles. Talvez ela não significasse tanto assim para ele, tanto quanto havia imaginado. Nem sabia ao certo o que esperava ouvir. Um pedido de desculpas? Uma explicação? Talvez a confirmação de que seu amigo tivesse perdido a cabeça completamente, que era um homem doente, não um homem perverso.

Ela conferiu o celular que havia deixado na mesinha lateral: nenhuma ligação não atendida, nenhuma mensagem. Ao descer as pernas para se levantar do sofá, acidentalmente chutou para longe uma garrafa de vinho vazia e receou ter acordado os vizinhos de baixo com o barulho. Depois foi para a janela e dali ficou olhando para os telhados molhados da vizinhança, para as nuvens raivosas que se iluminavam em diferentes tons de chumbo com o lampejar dos raios.

Independentemente do que viesse a acontecer até o fim daquele dia, ela perderia algo de muito importante, talvez para sempre. Só não podia prever o tamanho do estrago.

Edmunds passara a noite analisando rastros monetários que zigueza­gueavam pela cidade feito farelos de pão. Estes, mais o fato de que o computador de Chambers fora encontrado no apartamento do homem, não deixavam dúvida de que Lethaniel Masse era realmente o assassino: autor dos crimes do Boneco, autor dos crimes faustianos. Pena que ele não poderia estar presente para ver a detenção daquele monstro tão fascinante e criativo. Por outro lado, nenhum monstro era mais chocante do que a comprovação do envolvimento de Wolf naquela história. Talvez o mundo nunca viesse a saber de toda a verdade.

Ele estava exausto, com dificuldade para se concentrar no trabalho. Por volta das quatro da madrugada havia recebido uma mensagem da mãe de Tia e ligara de volta imediatamente. Tia sofrera um ligeiro sangramento durante a noite e o obstetra da maternidade aconselhara que ela se internasse, apenas como medida de precaução, para garantir que o bebê estivesse bem. Elas estavam no hospital e os médicos já tinham informado que não havia nenhum motivo para preocupação, que manteriam Tia internada apenas para monitorá-la por mais algumas horas. Furioso, ele perguntara à sogra por que ela não havia telefonado antes e a mulher dissera que Tia não queria preocupá-lo com o que parecia ser uma bobagem, sobretudo num dia tão importante como aquele. Disse ainda que a filha ficaria brava quando soubesse que ela havia lhe mandado a mensagem.

Era inconcebível que Tia tivesse enfrentado aquele susto sozinha. Depois de desligar o telefone ele não conseguira pensar em outra coisa que não fosse nela, em quanto queria estar ao lado da noiva naquele momento.

Pouco depois das seis a comandante Vanita emergiu do elevador e veio caminhando na direção dele, o guarda-chuva molhado deixando um longo rastro de pingos no chão. Usava um terninho chamativo, prevendo a avalanche de câmeras que teria de enfrentar ao longo do expediente.

– Bom dia. Esses repórteres são mesmo uns guerreiros... Está um formigueiro lá embaixo!

– Começaram a chegar antes da meia-noite – disse Edmunds.

– Você passou a noite aqui outra vez? – perguntou a comandante, mais impressionada do que surpresa.

– Um hábito que não pretendo manter.

– Nem você, nem ninguém – retrucou ela sorrindo. – Mas você ainda vai longe, Edmunds. Parabéns pelo belo trabalho.

Ele entregou o relatório financeiro que havia preparado madrugada afora. Vanita correu os olhos rapidamente pela papelada, depois disse:

– Cem por cento confiável?

– Cem por cento. O apartamento da Goldark Road pertence a uma instituição filantrópica que assiste militares feridos em guerra, por isso foi tão difícil localizar. Ele paga um valor simbólico como aluguel. Está tudo aí na página 12.

– De novo, belo trabalho.

Edmunds pegou um envelope sobre a mesa e o entregou à comandante.

– Alguma coisa a ver com o caso? – perguntou ela, abrindo-o.

– De certa maneira, sim – disse Edmunds.

Estranhando o tom da resposta, ela franziu o cenho, preocupada, e saiu para sua sala.

A detetive Baxter chegou às 7h20 depois de ter sido expulsa da Central de Análise Pericial de Imagens (CAPI). A bem da verdade, ficara aliviada ao sair de lá. Não conseguia entender como aquela gente era capaz de passar tantas horas numa caverna escura, examinando imagens e mais imagens de uma infinidade de câmeras de segurança espalhadas pela cidade. Aquilo, na sua opinião, era uma plantação de enxaquecas.

Uma equipe de especialistas em reconhecimento facial, escolhidos a dedo pela capacidade de localizar indivíduos em multidões, vinha trabalhando por toda a madrugada, com o auxílio de softwares, na esperança de identificar Wolf e Lethaniel Masse nas ruas da capital. A detetive sabia perfeitamente que era mais fácil encontrar duas agulhas no palheiro, mas nem por isso deixou de ficar decepcionada com o insucesso da busca. Chegara ao ponto de dar um esporro em um dos membros da equipe quando ele voltou do seu intervalo com dois minutos de atraso. Foi o que bastou para que o supervisor tomasse as dores do seu funcionário e corresse com ela da sala sob um esporro de igual medida.

Chegando ao sétimo andar, foi diretamente para a mesa de Edmunds.

– Alguma sorte com as câmeras? – perguntou ele. Rapidamente terminou a mensagem que vinha digitando para Tia e deixou o telefone de lado.

– Fui enxotada de lá – respondeu ela, que estranhou quando viu o estagiário apenas encolher os ombros sem ao menos perguntar o motivo. – De qualquer modo, aquilo é uma grande perda de tempo. Eles não sabem onde procurar. Ficam olhando em torno do apartamento do Wolf e do apartamento do Masse, quando é óbvio que nenhum dos dois pretende voltar pra casa.

– Mas e o reconhecimento facial?

– Você só pode estar brincando, né? – riu ela. – Até agora os programas já reconheceram o rosto do Wolf três vezes: primeiro numa velha chinesa, depois numa poça d’água e, por fim, num pôster do Justin Bieber!

Apesar do estresse a que ambos estavam submetidos, e das consequências graves da busca infrutífera, os detetives não conseguiram conter o riso diante do absurdo da situação.

– Preciso falar com você sobre um negócio – disse ele em seguida.

Emily deixou sua bolsa no chão e sentou na quina da mesa para ouvi-lo. Nesse mesmo instante a comandante Vanita abriu a porta da sua sala e de lá mesmo chamou:

– Inspetor Edmunds? – Tinha na mão um papel dobrado. – Pode vir aqui um segundo?

– Ih, fodeu – brincou Emily.

Edmunds imediatamente se levantou, foi para a sala da comandante e se acomodou numa das cadeiras em frente à mesa dela, onde viu a carta que ele havia digitado às quatro e meia daquela mesma manhã.

– Devo dizer que fiquei muito surpresa – começou ela. – Puxa, tinha de ser logo hoje?

– Acho que fiz minha parte – disse ele, apontando para o calhamaço ao lado da carta, o relatório final dos seus trabalhos.

– Sua contribuição foi de fundamental importância.

– Obrigado, comandante.

– Mas você tem certeza do que está fazendo?

– Tenho.

A comandante suspirou e disse:

– Você tem um futuro brilhante pela frente, rapaz.

– Eu sei, mas não aqui.

– Nesse caso... vou encaminhar a papelada da sua transferência.

– Mais uma vez, obrigado.

Edmunds apertou a mão da chefe e saiu da sala. Emily acompanhava a cena de longe, junto da fotocopiadora, curiosa para saber o que eles estavam falando. Edmunds buscou seu paletó e dirigiu-se a ela.

– Vai sair? – perguntou ela.

– Indo pro hospital. Tia foi internada esta noite.

– Internada? Algum problema com o...? Ela...?

– Parece que ela e o bebê estão bem, mas preciso dar uma passada por lá – disse Edmunds. Via claramente a confusão estampada nos olhos da colega: ao mesmo tempo que lamentava a internação de Tia, ela mal podia acreditar que ele estava fazendo aquilo, deixando a equipe na mão justamente naquele momento de agonia. – Vocês não precisam mais de mim aqui – falou para acalmá-la.

Apontando o queixo para a sala da comandante, Emily disse:

– Por acaso ela... concordou com isso?

– Pra falar a verdade não estou nem aí. Entreguei meu pedido de transferência e pronto. Estou voltando pro Departamento de Fraudes.

– Você o quê?

– “Casamento. Detetive. Divórcio.” Lembra? Foi você que disse.

Emily riu consigo mesma ao recordar a virulência da sua reação quando ouviu o garoto dizer que estava noivo e esperava um filho.

– Mas eu não... – gaguejou ela. – Não é com todo mundo que isso acontece!

– Tenho um filho vindo por aí. É nele que preciso pensar.

– Então por que não me deixa em paz e volta logo pra porra dessa Fraude? – esbravejou ela e, para surpresa de Edmunds, puxou-o para um abraço apertado.

– Pensa bem – disse ele. – Eu não poderia ficar aqui nem se quisesse. Todo mundo me odeia neste departamento. Não dá pra comprar uma briga sozinho, nem quando o outro está mais sujo do que pau de galinheiro. De qualquer modo... se você precisar de alguma coisa, pode ligar. Qualquer coisa.

Emily assentiu e desfez o abraço.

– Amanhã estou de volta – disse ele rindo.

– Eu sei.

Despedindo-se com um sorriso carinhoso, Edmunds vestiu seu paletó e saiu.

Assim que entrou na Ludgate Hill e avistou uma lixeira, Wolf se desfez da faca de cozinha que havia roubado do hotel. Mal conseguia enxergar a catedral de St. Paul por causa da chuva, que por sorte já havia arrefecido um pouco quando ele dobrou na Old Bailey, a rua que dava nome ao famoso tribunal.

Ele não sabia ao certo por que escolhera o Fórum quando poderia ter escolhido tantos outros lugares igualmente significativos: o túmulo de Annabelle Adams, o local onde haviam encontrado Naguib Khalid junto do corpo em chamas, o hospital St. Ann’s. Por algum motivo o Old Bailey lhe parecera a escolha mais acertada, onde ele se vira cara a cara com um demônio e sobrevivera para contar a história.

Fazia uma semana que ele vinha deixando crescer a barba negra. Um par de óculos escuros complementava o disfarce, junto com os cabelos molhados pela chuva. À porta do tribunal ele encontrou uma fila grande de visitantes esperando para entrar, todos tão molhados quanto ele. Um americano mais escandaloso falava sem parar de um julgamento importante que se realizava naquele exato momento na Sala 2. Dali a pouco já havia mais gente na fila e volta e meia ele ouvia o próprio nome às suas costas, alguém comentando e fazendo previsões para o caso Boneco de Pano.

Quando as portas enfim se abriram, as pessoas foram entrando lentamente e passando pelas máquinas de raio X da portaria. Uma guia as reuniu no saguão para depois acompanhá-las pelos corredores silenciosos até a Sala 2. Wolf não tinha alternativa senão perguntar se podia assistir ao julgamento da Sala 1. Sabendo que se tratava de um pedido estranho, receou por um instante que a moça o reconhecesse, mas ela concordou sem fazer perguntas e o levou para a porta certa, pedindo que esperasse ali até que fosse franqueada a entrada para as galerias. Outras quatro pessoas já esperavam por perto. Com certeza se conheciam, pois olharam torto quando ele se aproximou.

Não demorou para que as portas se abrissem. Mesmo antes de entrar Wolf pôde sentir aquele mesmo cheiro de couro e madeira encerada que sentira da última vez que estivera ali, quando fora arrastado sala afora com o pulso quebrado e as roupas imundas de sangue. Ele entrou com o grupo, acomodou-se na primeira fileira da galeria e dali a pouco viu entrar os protagonistas do julgamento que estava para começar: jurados, advogados, testemunhas, oficiais da casa. Em seguida viu o réu ser escoltado até seu banco por dois policiais: não precisou ver mais do que as tatuagens do homem, que eram muitas, para decidir que ele era desgraçadamente culpado daquilo que o acusavam, fosse lá o que fosse. Por último entrou o juiz e todos se levantaram enquanto ele ocupava seu solitário assento no alto da tribuna.

A comandante Vanita repassara as fotos de Lethaniel Masse para a imprensa após confirmar a legitimidade das provas colhidas por Edmunds. O rosto retalhado de cicatrizes vinha circulando em todos os jornais e noticiários do país. De modo geral a equipe de relações públicas da polícia precisava implorar às emissoras de televisão que inserissem na sua programação alguns míseros segundos com a foto ou o retrato falado de algum criminoso, portanto a comandante não pensara duas vezes antes de tirar proveito daquele interesse sem precedentes por parte da mídia. A ânsia por notoriedade do ex-militar seria um catalisador da sua própria ruína, o que era quase um clichê.

Apesar das instruções dadas ao público, a central de atendimento da Polícia Metropolitana havia sido inundada com centenas de ligações de pessoas que tinham visto Masse em algum momento das suas respectivas vidas, algumas até em 2007. Coubera à detetive Baxter examinar as atualizações a cada dez minutos e fazer o elo com os peritos da CAPI. Ela já começava a perder a paciência e as esperanças. Lá pelas tantas, jogou no lixo mais uma lista inútil e berrou:

– Será que essa gente é surda? Não interessa saber que Masse estava num supermercado cinco anos atrás! Interessa saber onde ele está agora, porra!

Finlay achou por bem permanecer calado.

– Pronto, lá vem mais uma – bufou ela assim que ouviu o computador apitar indicando a chegada de mais um e-mail. Recostando-se na cadeira, correu os olhos pela nova lista até topar com um item relevante, alguém que dizia ter visto Masse às 11h15 daquela manhã: um bancário, decerto bem mais idôneo que os videntes e moradores de rua que compunham boa parte dos informantes.

O local: Ludgate Hill.

Antes mesmo que Finlay pudesse perguntar o que ela havia encontrado, ela saltou da cadeira e correu escada abaixo para a sala da CAPI.

Para Wolf era estranho ver um julgamento tão civilizado e calmo, sobretudo se comparado ao de Naguib Khalid quatro anos antes. Ao que parecia, o réu havia confessado um homicídio culposo, não um homicídio doloso, e era apenas isto que os jurados estavam ali para determinar: culpa ou dolo.

Passados noventa minutos de julgamento, duas pessoas atrás de Wolf na galeria se levantaram para ir embora, interrompendo os trabalhos quando deixaram a porta bater com estrépito ao sair. O advogado de defesa acabara de retomar sua argumentação quando o primeiro alarme de incêndio disparou ao longe no prédio. Num efeito dominó, outros alarmes foram disparando um a um até que os uivos, como uma onda, acabaram completamente com a tranquilidade da sala.

– Não, não, não! Fora daqui! – ordenou o mesmo supervisor que havia enxotado Emily naquela manhã.

– Ludgate Hill, 11h05 – disse ela, arfando.

O perito no comando da mesa de controle olhou para o chefe e ficou esperando pela ordem dele. Resignado, o supervisor acabou concordando e o perito rapidamente ligou os monitores para acessar as imagens gravadas pelas câmeras mais próximas ao local informado.

– Epa, espera aí – disse a sargento. – Que confusão é essa?

Os monitores mostravam diversas pessoas andando de um lado para outro na rua, muitos homens de terno, uma juíza de toga e peruca. O perito digitou algo noutro computador. Segundos depois, informou:

– Alarme de incêndio no Old Bailey.

Uma luz se acendeu nos olhos de Emily, que saiu correndo da sala sem dizer nada. O perito novamente precisou pedir instruções ao super­visor:

– E aí, continuo ou paro?

A detetive disparou escada acima, mas antes de sair para o sétimo andar, recompôs-se e caminhou tranquilamente até a mesa de Finlay. Em busca de alguma privacidade, agachou-se ao lado dele e sussurrou:

– Sei onde o Wolf está.

– Ótimo! – disse Finlay, mas sem entender por que eles estavam sussurrando.

– Está no Old Bailey. Ele e o Masse. Faz todo sentido.

– Você não acha que devia estar contando tudo isso pra alguém mais importante do que eu?

– Você sabe muito bem o que vai acontecer se eu disser a alguém que Wolf e Masse estão juntos no mesmo prédio. Vão mandar um regimento inteiro de policiais armados pra lá.

– E é isso mesmo que deve ser feito – retrucou Finlay, intuindo o rumo da conversa.

– Mas você acha que o Wolf vai simplesmente se entregar pra ser preso de novo?

Finlay não disse nada. Apenas suspirou.

– Pois é – confirmou ela.

– Mas então, o que você sugere?

– A gente precisa chegar lá primeiro. Conversar com ele. Se possível, dissuadi-lo.

Finlay exalou um segundo suspiro, mais demorado que o primeiro. Em seguida disse:

– Sinto muito, minha amiga. Não vai rolar.

– Por quê?

– Emily, eu... Você sabe perfeitamente que não quero que nada de mau aconteça ao Will, mas... ele fez as suas escolhas. Estou quase me aposentando, é nisso que tenho de pensar. Nisso e na Maggie. Não posso colocar meu próprio futuro em risco.

Emily se ressentiu do que ouviu.

– E se você está achando que vou deixar você ir sozinha lá pra esse...

– Eu vou.

– Não, não vai.

– Preciso só de alguns minutos com ele, depois chamo os reforços, ­prometo.

Finlay ruminou a ideia por alguns segundos.

– Vou botar a boca no trombone... – disse ele lentamente – ... daqui a quinze minutos.

Passado o susto, ela riu e disse:

– Preciso de trinta.

– Posso lhe dar vinte. Mas tenha muito cuidado – aconselhou Finlay, sentindo o estômago embrulhar quando baixou os olhos para o relógio.

Emily despediu-se com um beijo no rosto do escocês, buscou sua bolsa na mesa e passou calmamente pela sala da comandante antes de disparar em direção ao elevador.

Wolf permaneceu sentado enquanto as pessoas à sua volta, sem pânico, recolhiam seus pertences para evacuar o prédio. Teve a impressão de que o réu procurou tirar partido da confusão e fugir, mas não demorou para que os dois policiais voltassem para buscá-lo. Um advogado entrou correndo para pegar o laptop que havia esquecido na mesa e, assim que saiu, Wolf se viu sozinho na célebre sala de tribunal. Mesmo com o barulho dos alarmes ele conseguia ouvir o alvoroço no saguão, portas batendo por toda parte, funcionários direcionando as pessoas para as saídas de emergência. Rezava para que fosse apenas um incêndio, mas sabia que era algo muito pior.