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Capítulo Três

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Connie estava esperando por Andrew quando ele estacionou na frente de sua casa. Ela sabia que ele era sempre pontual, então ela fez questão de estar pronta quando ele chegasse.

— Aproveite a noite, vocês dois, — disse Sadie quando viu Connie saindo. — Não vou esperar acordada — ela piscou.

Connie estava prestes a responder, mas Andrew a pegou pelo cotovelo e a puxou em direção ao carro.

— Onde vamos? — Connie perguntou, colocando o sinto de segurança.

— É surpresa — respondeu Andrew. Ele checou o trânsito antes de sair.

Connie encolheu os ombros. — Está bem. Mas é melhor eu te avisar, meu dia foi longo e cansativo e eu estava ansiosa por um banho de banheira seguida de uma noite tranquila assistindo televisão. Correr para casa, tomar um banho rápido antes de me vestir às pressas para sair, principalmente com você, não fazia parte do meu plano. Então, cuidado, provavelmente estarei rabugenta.

— Tudo bem, consigo lidar com rabugenta.

— Nem me fale — Connie riu. — Você sempre foi rabugento.

— Não, não fui — Andrew murmurou.

Connie parou de rir e olhou para o outro lado. — Não, você não era — sua voz era quase como um suspiro. Ela se lembrou de como ele sempre era calmo e paciente durante o casamento. Até mesmo quando ela fazia coisas que faria uma pessoa perder a cabeça, ele se mantinha inteiramente calmo.

Pouco tempo depois Andrew estacionou o carro em frente um hotel luxuoso. — Chegamos.

— The Condrew! — Connie disse surpresa. — Resolveu gastar, hein? Achei que fôssemos para um lugar simplesmente para resolver a questão do seu formulário para a agência.

The Condrew era um hotel bastante caro em Cumberland Gate. Quando você atravessava as portas, era como se estivesse entrando em um túnel do tempo. Ele foi construído nos anos de 1890 e apesar de ter sido redecorado ao longo dos anos, não perdeu nem um pouco do seu charme. Você quase conseguia visualizar Sherlock Holmes passeando pela elegante sala de estar. Connie adorava esse hotel. Andrew e ela vieram aqui diversas vezes durante seu casamento, passaram finais de semanas no hotel para celebrar seus aniversários e aniversários de casamento, e, algumas vezes, apenas por diversão. Era o lugar especial deles.

— Pelos velhos tempos — Andrew sorriu. Ele entregou a chave do carro para o porteiro. — Por favor, peça alguém para estacionar meu carro.

Dentro do restaurante, o Maître d’os guiou até uma mesa ao lado de uma janela e puxou a cadeira para Connie. Ela suspirou quando se sentou. Andrew até mesmo reservou a mesa deles. — Você sabe que isso não vai dar em nada, né? Nós nunca vamos voltar. Nunca!

Nunca é muito tempo. Não podemos simplesmente esperar para ver? — Andrew balançou os ombros. — O que vai querer beber?

— Gim e tônica, por favor, bem grande. Preciso de algo para relaxar.

— Relaxar parece bom — Andrew sorriu gentilmente. — Vou querer o mesmo.

****

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Apesar das suas dúvidas sobre sair com Andrew, Connie estava se divertindo. Tudo no Condrew estava exatamente como ela se lembrava. A comida estava deliciosa, os garçons, sob o olhar de águia do Maître d’, estavam atenciosos e o mesmo pianista estava tocando a mesma música suave no piano de cauda. Ela olhou para Andrew do outro lado da mesa. Sim, nem mesmo ele havia mudado.

Apesar de alguns fios de cabelos brancos estarem começando a aparecer, ele ainda era um homem bastante atraente. Se bobear, os cabelos brancos o fazia parecer ainda mais distinto. Ele não mudou em nada. Ele ainda tinha aqueles olhos maravilhosos, olhos que eram carinhosos e sexy e que te fazia sentir tão confortável que você gostaria de se derreter nos braços dele. Depois havia também as covinhas que apareciam nas suas bochechas todas as vezes que ele sorria. E ele tinha o mesmo sorriso carinhoso e amigável. Foi o seu sorriso que primeiro chamou a atenção dela anos atrás.

Connie se lembrou agora, um pouco mais de um ano e meio atrás, eles estariam no andar de cima no quarto favorito deles arrancando a roupa um do outro. Eles sempre reservavam o quarto especial quando vinham para cá. O quarto tinha uma varanda encantadora com vista para as margens do Hyde Park, onde eles desfrutariam do café da manhã enquanto assistiam as pessoas correndo para seus locais de trabalho. Ela respirou fundo. Se ao menos Andrew não tivesse saído com aquela promíscua, eles ainda estariam juntos. Eles ainda teriam sua casa adorável, ainda fariam amor na piscina à luz do luar, eles ainda... Ela se repreendeu por ficar mexendo no passado. Ele a traiu e agora estavam divorciados. Eles deveriam pôr um fim nisso. Por que ele a trouxe aqui? O que ele estava tentando fazer? Ele estava achando que poderiam simplesmente ir para um quarto e...?

— Eu reservei um quarto — Andrew interrompeu seus pensamentos. Ela olhou para cima. Era como se ele quase soubesse o que ela estava pensando. Ele fez isso muitas vezes quando estavam juntos. Ela estaria pensando sobre uma coisa e ele, do nada, começaria a falar sobre a mesma coisa. Ela estava convencida de que ele podia ler a mente dela. — Nosso quarto, — ele continuou. — Queria que tudo fosse igual.

— Nada nunca será igual, Andrew. Você estragou tudo quando teve um caso com aquela promíscua.

— Eu não tive um caso com a promíscua — ele balançou a cabeça. — Agora eu fico a chamando assim. Não importa, eu não tive um caso. Bem, não da forma como você está pensando. Foi apenas uma noite, Connie, uma maldita noite! Eu juro que se tivesse uma coisa que eu pudesse remover da minha vida, seria aquela noite.

— Você nunca me contou por que fez isso.

— Eu tentei, mas você não quis saber! — Ele bateu com as mãos sobre a mesa. As xícaras de café estremeceram em seus pires e ele olhou em volta para ver se alguém notou. Ninguém parecia ter percebido. — Assim que você começou a ouvir, gritou por divórcio. Eu tentei me desculpar. Tentei de contar o quanto eu estava bêbado na despedida de solteiro do John e mal sabia o que estava fazendo. Não me lembro de nada. Pode ser que eu nem tenha tocado naquela mulher. Provavelmente não toquei. Eu não estava de fato em condição alguma de fazer algo que eu não quisesse. Tudo que me lembro é dela deitada comigo na cama no dia seguinte de manhã. Ela se vestiu e foi embora sem dizer uma única palavra. Talvez ela estivesse procurando algum lugar para passar a noite sem compromisso algum e achou que eu fosse uma aposta segura porque eu estava tão bêbado. Eu tentei de contar tudo isso, mas você não queria ouvir nada — ele pausou. — Foi apenas uma noite, Connie.

Os pensamentos de Connie voltaram para a conversa que ela teve com Sadie mais cedo. Era óbvio que ela acreditava no lado da história de Andrew. Mas Sadie sempre disse que ela fazia uma tempestade num copo d’água. Sadie era uma pessoa difícil, era bagunceira e seu linguajar não era sempre educado como deveria ser, mas ela era uma mulher sensata. Pelo menos ela deveria ser, algumas vezes. Talvez Sadie estivesse certa. Será que Connie realmente fez uma tempestade desnecessária porque se sentiu bastante humilhada quando Andrew confessou?

— Fala alguma coisa — Andrew esticou o braço e pegou a mão dela.

— Eu não sei o que dizer — Connie murmurou. Ela estava confusa. Por um momento, ela desejou que não tivesse vindo aqui essa noite, ainda assim, ao mesmo tempo, ela estava feliz tivesse vindo. Ela puxou sua mão e pegou sua bolsa, pegando o formulário que Andrew preencheu na noite anterior.

— Você disse que poderíamos discutir sobre seu perfil durante o jantar — até mesmo para ela aquilo soou ridículo. Andrew estava abrindo o coração e ela estava comentando sobre aquele formulário idiota. Mas ela não sabia o que mais dizer.

— Preencha o formulário ou não preencha. Não me importa. Não vou usar a agência.

— Então por que foi no lançamento? Por que se registrou? Por que isso? – Ela balançou o formulário na cara dele.

— Porque era a única forma de vê-la de novo. Você nunca atende minhas ligações ou responde aos meus e-mails — ele respirou fundo. — Eu sabia que você estava envolvida com a Divorciados.biz, sabia que estaria lá.

— Agora estou ainda mais confusa. Você disse estar surpreso que um bando de mulher poderia administrar uma empresa como essa! — Connie balançou a cabeça. — Você permitiu que Sadie lhe enrolasse, ainda assim, o tempo todo...

— Eu sei, mas eu queria falar com você — ele interrompeu. — Precisava falar com você, sozinha. Mas quando percebi que não seria possível no lançamento, eu de repente resolvi preencher o formulário com um monte de mentiras. Era a única maneira para que você me ligasse. Sabia que você não permitiria que essas informações fossem adicionadas ao site da forma que estava.

Connie guardou o formulário de volta na bolsa. Ela não sabia o que dizer. Apesar de estar olhando para a mesa, ela podia sentir os olhos de Andrew queimando sobre ela. Ele estava esperando que ela dissesse mais alguma coisa. — Talvez eu pudesse dar uma olhada no quarto. Seria interessante ver se fizeram alguma mudança — ela mordeu os lábios. As palavras saíram antes que ela pudesse impedi-las. Ela estava simplesmente pensando sobre o quarto, ela não quis dizer nada em voz alta.

— Sim, por que não? — Andrew acenou para o garçom trazer a conta antes que ela pudesse mudar de ideia. — Podemos pedir um champanhe?

— Champanhe não será necessário — disse Connie.

No andar de cima, Andrew abriu a porta do quarto e fez um gesto para Connie entrar primeiro. Seus pés afundaram no rico e grosso tapete persa. — Está exatamente do mesmo jeito — ela murmurou enquanto olhava em volta. — Nada mudou — as cortinas de brocado pesadas, a colcha correspondente, a grande mesa ornamentada e o suave sofá de pelúcia no canto, estava tudo da forma como ela lembrava. Ela caminhou até as janelas francesas e saiu na varanda. As luzes de Londres brilhavam ao fundo.

— Esse era um quarto encantador.

— É o nosso quarto — Andrew a seguiu.

— Você trouxe a promíscua aqui? Para esse quarto?

— Não!

— Como pode ter certeza, você disse que estava bêbado e que não conseguia lembrar de nada?

— Se você se lembra bem, Connie, a despedida de solteiro aconteceu em Brighton.

Ela balançou a cabeça, ela se sentia uma idiota. É claro que aconteceu em Brighton. Se a festa tivesse sido em Londres, Andrew não teria ficado em um hotel. Ele teria pegado um táxi para casa e eles não estariam enfrentando essa bagunça agora.

Houve uma batida na porta do quarto. — Serviço de quarto, — uma voz chamou.

Connie olhou para Andrew, os lábios prontos para fazer uma pergunta.

— Deve ser o champanhe que pedi.

Ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Andrew já estava a caminho da porta. — Imaginei que já que estamos aqui, poderíamos beber, pelos velhos tempos — ele se virou e deu de ombros. — Que mal pode ter nisso? — Abrindo a porta, Andrew deixou o garçom entrar e colocar a bandeja na mesinha de centro antes de agradecer e dar uma gorjeta para a mão esticada dele.

Andrew abriu a garrafa e encheu duas taças. — Para nós, — ele disse fazendo um brinde com a taça dela. — E para o que está por vir.

Connie não respondeu. Ela deu um gole no champanhe e permitiu que seus olhos vagassem pelo quarto. Como seria fácil entrar de novo na vida de Andrew. Eles se divertiram tanto juntos. Férias fabulosas em praias ensolaradas, jantares, escapadas de final de semana e noites passadas nesse maravilhoso hotel, nesse mesmo quarto. A lista não acabava. A posição de Andrew na empresa lhe fornecia um salário exorbitante, permitindo que eles fizessem o que bem queriam.  Mas mesmo que ele não tivesse dinheiro, ela ainda teria o amado. Ela olhou em volta do quarto de novo, era quase como se o tempo tivesse parado e eles ainda estavam aqui nas suas noites regulares. Ainda assim...

— Eu aluguei esse quarto — Andrew atrapalhou seus pensamentos. — É meu... É nosso, — ele se corrigiu, — para usar sempre quando quisermos.

— Andrew! — Ela se virou para encará-lo. — Deve estar te custando uma fortuna.

— Eu gastaria o que fosse necessário para tê-la de volta — ele bebeu o champanhe. — O que você acha?

Connie voltou para a varanda e sentou em uma cadeira. Sim, seria bom ter Andrew de volta. Ela não podia negar que ainda o amava, bem, não podia negar para si mesma, pelo menos. Ela pode até enganar Sadie e as outras, mas não a si mesma. Quando ela era mais nova ela teve alguns namorados, mas nenhum deles significou nada para ela até conhecer Andrew em um jantar. Ele era diferente. Ele era prestativo, gentil e atencioso, até mesmo os pais dela ficaram impressionados com seu jeito tímido e educado, e ficaram maravilhados quando eles decidiram se casar. Ela se lembra do seu pai dizer que não poderia ter desejado um marido melhor para sua filhinha. Quando ela contou para eles sobre o caso do Andrew com a promíscua, sua mãe chorou, mal podendo acreditar.

Ela respirou fundo e olhou de soslaio para Andrew. Ele ainda a amava, então, por que não tentar de novo? Voltar a ficar juntos deve funcionar. Poderia funcionar, se... Mas depois só de pensar em Andrew com a promíscua, ela apertou os olhos, tentando bloquear aquela miserável dos seus pensamentos. Ela seria capaz de esquecer a indiscrição dele?

— Pelo menos pense sobre isso, Connie. Por favor, diz que vai pensar.

Ela olhou de volta para o quarto, para a cama. — Eu estou pensando sobre isso, — murmurou. — Eu estou pensando.