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Capítulo Vinte E Dois

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Lucy estava na calçada. Lágrimas brotaram em seus olhos e desceram sobre suas bochechas. Ela ouviu Sadie gritar, mas a ignorou. “me deixe em paz”, pensou, limpando os olhos com a parte de trás da mão. — Voltarei quando estiver melhor e pronta.

Ela respirou fundo enquanto caminhava em ao direção ao Hyde Park. Senhorita Sadie sabe-tudo, não sabia de nada. Ela tentou marcar um encontro no site, duas vezes! Uma pessoa respondeu recusando o convite. Ele foi muito educado, mas no final do dia, ainda era um obrigado, mas não obrigado.

O outro tinha sido mais positivo, concordando em encontrar-se com ela para um jantar. Ela usou seu melhor vestido. Pelo menos era uma no qual ela podia entrar e não a ficava parecendo um pudim transbordando na travessa. Ela passou maquiagem e até mesmo usou um perfume caro. Chegou no restaurante uns minutos antes da hora acordada, não queria fazê-lo espera-la, e no final ela quem ficou esperando um século até perceber que levara um cano. Como ele pôde fazer isso? Como alguém podia ser tão cruel a ponto de deixá-la lá esperando, sentindo-se tão humilhada?

Ela notou um homem pairando do outro lado da rua por alguns minutos, mas depois desapareceu. Naquele momento, ela imaginou que ele pudesse estar esperando por alguém que provavelmente havia aparecido quando ela não estava olhando, mas agora, lembrando, ela se perguntou se ele não era o homem quem ela iria encontrar e que mudara de ideia após vê-la.

Ela estremeceu quando atravessou o portão que levava ao parque. Graças a Deus ela não contou para suas amigas que ela havia tentado se aproximar de alguém. Elas iriam querer saber de todos os detalhes. Como ela poderia contar que levara um cano? Ela sentiu suas bochechas esquentando só de pensar no assunto. E agora John tinha feito o mesmo. Nenhum deles ao menos lhe dera uma chance. Não era de admirar que ela se via como uma pessoa que ninguém queria.

Agora você é dona da sua própria vida, mas ainda continua uma songa monga, disse Sadie. As palavras ainda ressoavam em seus ouvidos. Sadie estava certa, ela era uma songa monga. Mas ela nem sempre foi tão quieta e recatada. Houve um tempo em que ela era a diversão de qualquer festa. E Deus, ela já tivera frequentado muitas festas. Ela sorriu para si mesma enquanto recordava sua juventude. Oh, quanta diversão tivera. Os jovens adoráveis que já namorou... Mas tudo isso foi há muito tempo. Muito antes de conhecer Sadie e as outras, elas nunca conheceram a verdadeira Lucy. Naquela época, ela se parecia com a Sadie, bem, talvez um pouco só como a Sadie. Certamente, ninguém poderia ser realmente como a Sadie. O sorriso no rosto desapareceu.

Foi numa dessas festas que conhecera Ben. No começo, ele parecia ser um homem bom. Sim, ele havia sido grosso com ela algumas vezes, mas ela simplesmente deixou passar, acreditando que era a tensão de seu trabalho. Então, quando ele a pediu em casamento, ela disse “sim” antes mesmo que as palavras estivessem completamente fora da boca dele.

Mas, após o casamento, ele mudou rapidamente de Sr. Homem Legal e o verdadeiro Ben começou a aparecer. Ele era exigente, um controlador, e ele não permitiria que ela encontrasse ninguém depois que saía do trabalho. Toda a sua personalidade mudou e ela se tornou uma pessoa reclusa. E depois começaram os espancamentos. Ela perdeu toda a confiança. Se não fosse pelo seu filho, ela não poderia ter continuado. Terry precisava dela, e ele era tudo o que importava.

Ela balançou a cabeça e arrastou-se de volta ao presente. Chega! Agora ela precisava se controlar, ser mais forte. Por um momento, ela tremeu só de pensar. Não foi fácil para um leopardo mudar suas manchas só porque ele queria ser um leão.

Ela fungou e piscou rapidamente, segurando as lágrimas. Ela respirou fundo. Sim, era fácil, porque aqui estava uma pequena mulher que ia provar isso. Ela bateu o punho contra a outra mão. Ela iria colocar suas ideias em ordem, arranjaria um novo homem novo e seguiria em frente com a sua vida. Quando ela voltasse para o escritório, ela olharia as fotos e os perfis dos homens da agência e veria o que apareceria. Depois ela iria sugerir um encontro. Bom trabalho, Lucy, pensou. Quão empolgante era isso?

Mas para se resguardar, ela ainda não diria nada a ninguém. De jeito nenhum! Ok, ela iria superar as dificuldades e ser corajosa, mas não muito corajosa. Assim que tivesse algo positivo, então falaria para as outras. Enquanto isso, este seria seu segredo.

No fundo, ela ainda sentia amargamente decepcionada que John tinha mudado de ideia sobre ela. Afinal, neste caso, foi ele quem deu o primeiro passo, então ela achou que dessa vez pudesse acontecer alguma coisa. Pelo amor de Deus, deve ter algo nela que ele tenha gostado quando se conheceram. Mas, seja lá o que fosse, certamente desapareceu muito rápido.

Ela caminhou até o lago e comprou um sorvete de uma van. Fazia muito tempo desde que visitara o parque. Ela sentou-se em um banco e observou as pessoas embarcando nos pequenos botes na água. Algumas pareciam experientes, enquanto outros lutavam para puxar os remos. Ela riu quando um dos remos não acertou a água e o homem no barco caiu para trás no assento.

O tempo passou rápido e foi somente o som de um relógio que badalando em algum lugar distante que a fez olhar para seu relógio. Ela se pôs de pé e caminhou rapidamente em direção a Park Lane. Ela não tinha a intenção de ficar fora por tanto tempo. Mas ela gostou de vagar pelas ruas sozinha, pelo menos ela tomou uma decisão sobre sua vida.

— Onde você estava? — Sadie tinha escutado os passos de Lucy na escada e ficou esperando na porta do escritório.

— Hyde Park. — Lucy tirou o casaco. — Por quê? Algum problema com isso?

— Não, de forma alguma. Mas eu estava preocupada com você. — Sadie olhou para Jenny. — Enfim, a mensagem que chegou antes de você sair é de alguém chamado Paul Holloway. Ele quer te conhecer, Lucy. — Os olhos de Sadie brilhavam enquanto falava. — Eu te chamei, mas você já tinha saído.

— Sim, venha e dê uma olhada. — Jenny girou o monitor. — Como você não estava aqui, olhamos o perfil dele e ele parece ser bacana.

Lucy virou os olhos com suspeita. Será que elas fizeram isso? Será que elas imploraram que alguém a chamasse para sair para que ela se sentisse melhor? Ela não duvidava nada que Sadie fizesse algo assim. Que vergonhoso. Mas então ela lembrou que havia uma mensagem na caixa de entrada quando ela saiu e Sadie a tinha chamou pela escada. Então, talvez o negócio tenha sido verdade. De qualquer forma, o e-mail mostraria a hora que ele chegou, então ela saberia se fora combinado ou não. — Ok, vou dar uma olhada.

Ela jogou o casaco sobre uma cadeira e sentou-se em frente a tela. O e-mail era genuíno. Chegara antes dela sair do escritório. Então, não tinha nenhuma brincadeira. — Sim, ele parece ser bacana, — disse finalmente. — Se ele estiver falando a verdade. — Ela apontou para a tela.

— Vá em frente, Lucy, — disse Sadie. — Você só saberá se encontrar com ele. — Ela fez uma pausa. — Sei que falamos que não nos apressaríamos em outro relacionamento, mas quando alguém toma a iniciativa como Michael, David e agora Paul, por que não dar uma chance?

— Sim, eu vou, — disse Lucy. — Jenny, você pode acertar os arranjos? Diga apenas que eu concordei em conhece-lo. Veremos o que acontece depois.

Jenny escreveu a mensagem e apertou enviar. — É isso aí. Tudo feito. Parece que você terá um encontro logo em breve.

Lucy não respondeu. Ela estava determinada a não ficar muito animada com o encontro até que ele fosse arranjado. Ele poderia ser como John e cancelá-lo, ou mesmo o outro homem, que nem ao menos se deu o trabalho de aparecer. No entanto, ela tinha que admitir que sua pela foto ele era bonito e seu perfil era atraente. Mas só o tempo poderia dizer. O único problema agora era que Sadie e Jenny saberiam sobre o encontro. Tudo que ela queria era manter segredo.

A resposta chegou na caixa de entrada apenas uma hora depois. Lucy leu em voz alta. — Ele diz que está feliz por ter concordado em conhecê-lo e sugere jantar hoje à noite. Ele menciona um pequeno restaurante ao lado do Haymarket.

— Isso é maravilhoso, Lucy, — disse Jenny. — É cheio em volta do Haymarket, então é um lugar seguro. Ele não tentará nada com tantas pessoas por perto. Eu acho que você terá uma noite muito agradável.

— Vamos esperar para ver. — Lucy voltou para a tela. — Tem outra mensagem aqui. É de Ann Masters. — Ela pausou enquanto ela abria a mensagem. — Ela quer conhecer Andrew.

— Ann Masters está pedindo para conhecer Andrew! — Sadie gritou. — Meu Deus! De jeito nenhum. Se Connie descobrir, ela vai matar um. Talvez fosse melhor deletar o perfil dele. — Ela já conseguia prever toda a discussão que estava por vir.

— Não podemos simplesmente deletar o perfil dele! Andrew terá que ser informado. Cabe a ele dizer o que fazer. — Jenny olhou para a tela sobre o ombro de Lucy. — Além do mais, se ele e Connie estiverem realmente juntos, então não haverá nenhum problema. Sem dúvida, ele nos pedirá para remover seu perfil do site.

— Parece justo, acho. — No entanto, Sadie ainda não tinha certeza de que Connie iria ver isso dessa maneira.

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Connie e Andrew estavam desfrutando de um almoço leve na varanda de seu quarto. Ambos estavam usando roupões de banho fornecidos pelo hotel. Connie tinha usado um vestido longo a noite anterior e não tinha outra coisa para usar. Ela disse para Andrew que não poderia ir a lugar nenhum durante o dia com aquele vestido sem parecer uma idiota.

Andrew não se importava em passar o dia no hotel. Ele estava gostando de ter sua esposa de volta e poder passar um tempo sozinho com ela. O horário do almoço já tinha passado quando eles tomaram banho e vestiram os roupões, a essa altura os dois estavam morrendo de fome. O garçom que levou a comida deles foi discreto. Ele não levantou a sobrancelha quando Andrew abriu a porta vestido apenas com um roupão de banho, enquanto Connie estava sentada na varanda vestida o mesmo.

— É tão bom ter você de volta na minha vida. — Andrew esticou o braço por sobre a mesa e apertou a mão de Connie.

Ela sorriu. Ela estava feliz por finalmente ter superado sua obsessão com a promíscua. Foi o olhar de horror no rosto de Andrew quando Sadie desceu as escadas vestida como uma rainha perolada que a fez perceber o quanto ela o amava. Ela não podia permitir que ele fosse tão humilhado.

— O que você acha de mudar para cá por alguns dias? — Connie perguntou. — Nós poderíamos trazer algumas coisas de nossas casas e ficar aqui até decidirmos o que fazer.

Andrew estava pensando em como abordar o assunto sobre o que fariam depois. Ele queria que eles vivessem juntos de novo, mas não queria apressar Connie em nada. Apesar da noite maravilhosa que eles tiveram juntos, ainda era cedo e ela podia ser tão imprevisível. — Eu acho que é uma ótima ideia, — disse ele. — Nós podemos ir e vir como quisermos.

Connie estava tão feliz. A promíscua desapareceu como fumaça ao vento. Andrew estava de volta em sua vida e eles iriam passar um tempo aqui no quarto especial em Condrow. O que mais ela poderia querer? Mas depois, de repente, pensou na agência. Ela queria continuar envolvida com ela? Na verdade, não. Mas a coisa toda tinha sido ideia sua, então ela não podia simplesmente sair. As outras estavam confiando no negócio, era a renda delas. Elas precisavam dela. E não era só isso, metade das suas sócias estavam ficando na sua casa. Esse fato sozinho era motivo dela querer se mudar para cá.

Sim, ela queria Andrew de volta em sua vida, o que significava que queria dormir com ele, mas certamente não com suas amigas dormindo no quarto ao lado.