Por que a fé é igual à imaginação

Eu sei como é a fé. O mundo no meu quarto é feito dela. Com fé bordei as nuvens. Com fé recortei a lua e as estrelas. Com fé colei tudo junto e fiz todas essas coisas cantarolando. Porque a fé é igual à imaginação. Ela vê uma coisa onde não há nada, dá um salto e de repente você está voando.

Os círculos de papel de um furador viram pires de chá quando você aperta a ponta da caneta sobre eles. A cola que ficou dura em formato de bolha vira espuma de sabão para um par de pés doloridos. Uma casca de avelã vira um vaso, tubos de pasta de dente para fazer transatlânticos, gravetos para fazer uma avestruz, e um ilhós vira um pequeno par de tesouras. Fósforos viram troncos, farelos que sobraram na fôrma de bolo são pequeninas panquecas escocesas, enfeito laranjas com cravos, e uso a casca para fazer um tobogã, suas tampas são plantas em um jardim, a redinha do saco vira uma quadra de tênis e o código de barras, uma faixa de pedestres.

Tudo esconde alguma outra coisa e, se olharmos bem por um bom tempo, poderemos ver que outras coisas são estas. A Terra Gloriosa de verdade indicava o jeito como o mundo voltaria a ser um dia, depois do Armagedom. Isso se chama Prefiguração. O Pai diz que a Prefiguração mostra em pequena escala o que vai acontecer na grande escala, é como subir nas coisas para ver o todo. Mas só conseguimos ver as possibilidades com os Olhos da Fé. Alguns dos israelitas pararam de ver com os Olhos da Fé e morreram no deserto. Perder a fé é o pior pecado de todos.

Certa vez, uma garota entrou no meu quarto e disse: “Que lixo todo é esse?”. Porque, para ela, era o que parecia. Mas a fé vê outras coisas espreitando nas rachaduras, pedindo para serem notadas. A cada dia as rachaduras desse mundo ficam maiores. E todo dia aparecem algumas novas.