– Era para ele fazer um discurso na nossa formatura – disse Sandra.
– Quem? – perguntei.
– O velho, o dr. Hoenikker.
– O que ele disse?
– Ele não apareceu.
– Então vocês não tiveram um discurso de formatura?
– Ah, tivemos, sim. O dr. Breed, esse que você vai encontrar amanhã, apareceu, todo esbaforido, e falou umas palavras.
– O que ele disse?
– Disse que esperava que muitos de nós fôssemos trabalhar em áreas científicas – respondeu. Ela não via nada de engraçado naquilo. Estava recordando um ensinamento que a havia impressionado. Repetia fielmente cada palavra dita por ele, buscando na memória: – Ele disse que o problema com o mundo era…
Precisou parar e pensar.
– O problema com o mundo era – continuou, hesitante – que as pessoas ainda eram supersticiosas em vez de acreditarem na ciência. Disse que, se todo mundo estudasse mais ciências, não haveria tantos problemas.
– Ele disse que um dia a ciência descobriria o segredo da vida – o barman completou. Coçou a cabeça e franziu as sobrancelhas. – Não deu outro dia no jornal que eles finalmente descobriram o que era?
– Não li essa matéria – murmurei.
– Eu vi isso – disse Sandra. – Foi uns dois dias atrás.
– Isso mesmo – disse o barman.
– Qual é o segredo da vida? – perguntei.
– Esqueci – disse Sandra.
– Proteína – declarou o barman. – Descobriram alguma coisa sobre proteína.
– Sim – disse Sandra. – Isso mesmo.