11.

Proteína

– Era para ele fazer um discurso na nossa formatura – disse Sandra.

– Quem? – perguntei.

– O velho, o dr. Hoenikker.

– O que ele disse?

– Ele não apareceu.

– Então vocês não tiveram um discurso de formatura?

– Ah, tivemos, sim. O dr. Breed, esse que você vai encontrar amanhã, apareceu, todo esbaforido, e falou umas palavras.

– O que ele disse?

– Disse que esperava que muitos de nós fôssemos trabalhar em áreas científicas – respondeu. Ela não via nada de engraçado naquilo. Estava recordando um ensinamento que a havia impressionado. Repetia fielmente cada palavra dita por ele, buscando na memória: – Ele disse que o problema com o mundo era…

Precisou parar e pensar.

– O problema com o mundo era – continuou, hesitante – que as pessoas ainda eram supersticiosas em vez de acreditarem na ciência. Disse que, se todo mundo estudasse mais ciências, não haveria tantos problemas.

– Ele disse que um dia a ciência descobriria o segredo da vida – o barman completou. Coçou a cabeça e franziu as sobrancelhas. – Não deu outro dia no jornal que eles finalmente descobriram o que era?

– Não li essa matéria – murmurei.

– Eu vi isso – disse Sandra. – Foi uns dois dias atrás.

– Isso mesmo – disse o barman.

– Qual é o segredo da vida? – perguntei.

– Esqueci – disse Sandra.

– Proteína – declarou o barman. – Descobriram alguma coisa sobre proteína.

– Sim – disse Sandra. – Isso mesmo.