17.

O grupo de garotas

No gabinete externo do escritório, encontramos a secretária do dr. Breed em cima de sua mesa, amarrando na luminária do teto um enfeite de Natal plissado como um acordeão, com um sininho na ponta.

– Naomi, por favor! – gritou o dr. Breed. – Não temos um acidente fatal há seis meses! Não estrague isso caindo da mesa!

A srta. Naomi Faust era uma velhinha alegre e dedicada. Imagino que tenha servido o sr. Breed durante quase toda a vida dele, e a dela também. Ela riu.

– Eu sou indestrutível. E, mesmo se caísse, os anjos do Natal me apanhariam.

– Eles são famosos por não estarem presentes quando precisamos deles.

Dois tentáculos de papel, também plissados como um acordeão, estavam pendurados no badalo do sino. A srta. Faust puxou um deles. Estava meio grudado, mas se desenrolou e se transformou em uma longa tira com uma mensagem escrita.

– Aqui – disse a srta. Faust, entregando a ponta da tira ao dr. Breed. – Desenrole o resto e grude a ponta no quadro de avisos.

O dr. Breed obedeceu, afastando o olho para ler a mensagem da tira de papel:

– Paz na Terra! – leu em voz alta, cordialmente.

A srta. Faust desceu da mesa com o outro tentáculo e o desenrolou:

“Entre os homens de boa vontade!”, dizia o outro tentáculo.

– Puxa – brincou o dr. Breed. – Desidrataram o Natal! Aqui parece um lugar festivo, muito festivo.

– E também me lembrei das barras de chocolate para o Grupo de Garotas – disse ela. – Não está orgulhoso de mim?

O dr. Breed bateu na testa, consternado pelo esquecimento.

– Graças a Deus! Eu esqueci completamente.

– Não devemos nunca nos esquecer disso – disse a srta. Faust. – Virou uma tradição agora, o dr. Breed e suas barras de chocolate natalinas para o Grupo de Garotas. – Ela me explicou que o Grupo de Garotas era o Departamento de Datilografia, que ficava no subsolo do laboratório. – As garotas pertencem a qualquer um que tenha acesso a um ditafone.

Durante o ano inteiro, ela disse, as garotas do Grupo de Garotas ouviam através de gravações de ditafones as vozes impessoais dos cientistas – gravações levadas até elas pelas garotas que entregavam a correspondência. Uma vez por ano, as garotas deixavam seu claustro de concreto para entoar cânticos de Natal – e pegar suas barras de chocolate com o dr. Breed.

– Elas também servem à ciência – o dr. Breed testemunhou. – Mesmo que não entendam uma só palavra do que os cientistas ditam. Deus abençoe cada uma delas!