44.

Simpatizantes do comunismo

Quando voltei ao meu assento ao lado do duprass de Claire e Horlick Minton, tinha novas informações sobre eles. As informações haviam sido fornecidas pelos Crosby.

Os Crosby não conheciam os Minton, mas conheciam sua reputação. Ficaram indignados pela nomeação de Minton como embaixador. Eles me contaram que Minton já havia sido demitido pelo Departamento de Estado por causa de sua inclinação ao comunismo e que um ardil comunista ou algo ainda pior o havia reintegrado.

– Muito agradável o barzinho lá atrás – disse a Minton, enquanto me sentava.

– Hmm? – Ele e a esposa ainda estavam lendo o manuscrito esparramado entre eles.

– Bacana, o bar lá atrás.

– Que bom. Fico feliz.

Aparentemente eles não tinham nenhum interesse em conversar comigo, apenas liam o manuscrito. E então Minton virou-se subitamente para mim, com um sorriso agridoce nos lábios, e perguntou:

– Quem era ele, afinal?

– Quem era quem?

– O homem com quem você falava no bar. Fomos lá pegar uns drinques e, quando ainda estávamos do lado de fora, ouvimos você e o homem conversando. Ele falava muito alto. Disse que eu era simpatizante do comunismo.

– Um fabricante de bicicletas chamado H. Lowe Crosby – eu disse. Senti meu rosto corar.

– Fui despedido por pessimismo. O comunismo não teve nada a ver com isso.

– A culpa foi minha – disse sua esposa. – A única prova real que acharam contra ele foi uma carta que escrevi ao New York Times quando estávamos no Paquistão.

– O que dizia a carta?

– Um monte de coisas – disse ela. – Eu estava muito aborrecida porque os americanos não conseguem imaginar como é ser outra coisa, ser outra coisa e ter orgulho disso.

– Entendo.

– Mas havia uma frase específica que continuavam martelando no interrogatório que testou minha lealdade à pátria – suspirou Minton. – “Os americanos” – ele disse, citando a carta da esposa ao Times – “estão sempre procurando pelo amor em formas que ele nunca assume, em lugares onde ele nunca está. Deve ter alguma coisa a ver com a fronteira desaparecida.”