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Uma gaiola de ratos autossuficiente

Li no livro de Castle que, quando Lionel Boyd Johnson e o Cabo Earl McCabe chegaram nus e quase afogados à praia de San Lorenzo, foram recebidos por pessoas em pior estado do que eles. O povo de San Lorenzo não tinha nada, a não ser doenças, e não fazia a menor ideia de como diagnosticá-las ou tratá-las. Johnson e McCabe, por outro lado, tinham os dons maravilhosos da instrução, ambição, curiosidade, audácia, irreverência, saúde e humor, além de uma considerável informação sobre o mundo exterior.

Como diz um dos “Calipsos”:

Ah, sim, gente muito pobre

encontrei nessa freguesia.

Ai, não havia música,

E birita ninguém bebia.

Ah, e todo lugar em que botavam o pé

Pertencia à Castle Sugar Incorporated

e à Santa Fé.

Segundo Philip Castle, essa declaração da situação imobiliária de San Lorenzo em 1922 é totalmente verdadeira. Acontece que a Castle Sugar foi fundada pelo bisavô de Philip Castle. Em 1922, a empresa possuía cada pedacinho de terra cultivável da ilha.

O jovem Castle escreveu:

As operações da Castle Sugar em San Lorenzo nunca deram lucro. Mas como não pagava absolutamente nada aos trabalhadores, a companhia conseguiu se estabilizar ano após ano, lucrando apenas o suficiente para pagar os salários dos capatazes que torturavam os trabalhadores.

A forma de governo era a anarquia, salvo em algumas situações em que a Castle Sugar desejava adquirir alguma coisa ou ver um serviço feito. Nesses casos, a forma de governo era o feudalismo. A nobreza era composta por capatazes das plantações da Castle Sugar, homens brancos armados até os dentes, que vinham de fora do país. Os cavaleiros eram brutamontes nativos que, por um presentinho ou pequenos privilégios, obedeciam às ordens de matar, machucar ou torturar. As necessidades espirituais das pessoas presas nessa demoníaca gaiola de ratos eram supridas por um punhado de padres balofos.

A Catedral de San Lorenzo, implodida em 1923, era geralmente lembrada como uma das maravilhas do Novo Mundo feitas por mãos humanas.