capítulo 18

A FESTA TINHA UM NOME: Dia do Futebol. Quem ali chegasse e não soubesse do que se tratava pensaria estar entrando no cenário de um daqueles filmes americanos da década de 1950 ou numa ilustração de Norman Rockwell. Tudo era perfeito demais para ser real. Havia toldos, barraquinhas, jogos e brinquedos. Gargalhadas se misturavam à música e aos apitos de um juiz. Food trucks vendiam hambúrgueres, cachorros-quentes, tacos, sorvetes. Podia-se comprar quase tudo nas cores verde e branco, as cores oficiais da escola: camisetas, bonés, moletons, camisas polo, adesivos, garrafas térmicas, xícaras de café, chaveiros, cadeiras dobráveis. Até mesmo o castelo inflável e os escorregadores eram verdes e brancos.

Os alunos de cada ano ofereciam atividades diferentes. As meninas da sétima série aplicavam tatuagens temporárias. Os meninos da oitava dispunham de um radar para medir a velocidade da bola num chute a gol. As meninas da sexta comandavam uma barraquinha para quem quisesse pintar o rosto.

Foi nela que Maya e Lily encontraram Alexa.

– Ei! Lily! – exclamou ela assim que avistou a priminha pequena. Largou o pincel imediatamente e correu na direção dela.

Lily finalmente soltou a mão de Maya e estremeceu num acesso de risinhos, um arroubo de felicidade do qual talvez somente as crianças fossem capazes. E os risinhos logo se transformaram em gargalhadas soltas quando Alexa enfim a alcançou e a tomou no colo. Maya, por sua vez, resignava-se ao papel de mera espectadora.

Daniel chegou pouco depois.

– Lily! Tia Maya!

Eddie vinha atrás do filho com um sorriso estampado no rosto. A cena parecia surreal aos olhos de Maya, quase obscena diante do inferno que ela vinha vivendo ultimamente. Mas tudo bem. O mundo tinha lá as suas cercas, as suas divisórias. Mais do que qualquer outra coisa, ela queria manter aquelas três crianças do lado certo dessas cercas e divisórias.

Daniel cumprimentou-a com um rápido beijinho no rosto, depois tomou Lily dos braços de Alexa e a jogou para o alto. Maya ficou com um nó na garganta ao ver e ouvir a gargalhada da filha, a expressão mais pura da inocência e da felicidade. Ficou se perguntando quando a vira assim, tão luminosa, pela última vez.

– A gente pode levá-la pros brinquedos, tia Maya? – perguntou Alexa.

– Pode ficar tranquila, a gente toma cuidado – acrescentou Daniel.

– Claro – disse Maya. – Vocês precisam de dinheiro?

– Não – respondeu Daniel, e saiu com Lily e Alexa.

Eddie se aproximou, e Maya o cumprimentou com um sorriso apressado. Notou que o cunhado estava com um aspecto bem melhor: barba feita, olhos límpidos, nenhum bafo de bebida. Daniel, Alexa e Lily já iam longe, a menina entre os primos, de mãos dadas com os dois.

– Que dia lindo... – disse Eddie.

Maya assentiu. O dia realmente estava lindo. Céu azul, o sol brilhando como se por encomenda de um diretor de cinema. O que Maya via à sua frente, desdobrando-se feito um cobertor quentinho, era o grande sonho americano. Mas não podia evitar a sensação de que seu lugar não era ali, de que sua presença era uma nuvem negra grande o bastante para bloquear toda a luz.

– Eddie...

Eddie virou-se para ela, sombreando os olhos com a mão.

– A Claire não estava traindo você.

As lágrimas brotaram tão rapidamente que ele precisou virar o rosto. Receando que o cunhado fosse irromper numa crise de choro, Maya chegou a erguer o braço para consolá-lo com um carinho no ombro, mas desistiu no meio do caminho.

– Tem certeza? – disse ele.

– Tenho.

– E aquele telefone?

– Você lembra daqueles... probleminhas que eu tive quando divulgaram a gravação da minha ação em combate?

– Claro que lembro.

– Pois é. Acontece que a coisa não parava ali.

– Como assim?

– O cara que publicou a gravação...

– Corey Rudzinski.

– Isso. Ele não publicou o áudio. Acho que foi a Claire que o convenceu a não publicar.

Eddie ficou confuso.

– Esse áudio... – disse. – Teria complicado as coisas pro seu lado?

– Teria.

Eddie meneou a cabeça, mas não pediu explicações. Em vez disso falou:

– Claire ficou tão chateada quando o escândalo estourou... Todos nós ficamos. Ficamos preocupados com você.

– Claire foi um passo além.

– Como?

– Procurou o Corey através do site. E acabou se envolvendo com a organização dele.

Não seria o caso de especular com ele os motivos que haviam levado Claire a fazer o que tinha feito. Talvez ela tivesse feito um acordo com Corey, um toma lá dá cá para que ele deixasse sua irmã em paz. Talvez Corey, que sabia ser persuasivo e sedutor, a tivesse convencido de que denunciar os Burketts era o mais certo a fazer. Em última análise, tanto fazia.

– Claire começou a investigar os podres da família Burkett – disse Maya. – Pra que o Corey divulgasse no site depois.

– Você acha que foi por isso que mataram ela?

Maya olhou para a filha. Alexa e suas amigas a haviam cercado para cobri-la de carinhos e mimos, revezando-se umas com as outras para pintar o rostinho dela de verde e branco. Mesmo de longe, Maya podia ver que a menina estava em êxtase.

– Acho – respondeu ela afinal.

– Mas... por que ela não me contou nada? – disse Eddie, perplexo.

Maya ainda olhava para as crianças, cumprindo seu papel de sentinela. Sentia sobre si o olhar incisivo do cunhado, mas não disse nada. Claire não havia contado nada porque queria protegê-lo. Muito provavelmente tinha salvado a vida dele. Claire tinha verdadeira paixão pelo marido. Desde o início. Jean-Pierre havia sido uma fantasia boboca que teria azedado à luz da realidade feito leite coalhado. Claire, a realista pragmática, vira isso no momento certo; Maya, a impetuosa, não. Claire amava Eddie e os filhos. Amava aquela vida de festas na escola, de caras pintadas, de dias ­ensolarados.

– Por acaso você lembra de alguma coisa estranha, Eddie? Qualquer coisa que possa ter alguma relação com tudo isso que acabei de contar?

– Como eu disse antes... ela começou a chegar tarde em casa depois do trabalho. Sempre meio distraída. Eu perguntava se havia algum problema, mas ela dizia que não. – Com a voz embargada, ele emendou: – Dizia que era pra eu não me preocupar.

As meninas terminaram de pintar o rosto de Lily, depois saíram com ela na direção do carrossel.

– Alguma vez ela chegou a mencionar um homem chamado Tom ­Douglass?

Eddie vasculhou a memória.

– Não. Quem é Tom Douglass?

– Um detetive particular.

– Por que ela procuraria um detetive particular?

– Porque os Burketts vinham fazendo pagamentos pra ele. Claire chegou a comentar alguma coisa com você sobre Andrew Burkett?

– O irmão do Joe? O que se afogou?

– Isso.

– Não. O que esse Andrew tem a ver com a história?

– Ainda não sei. Mas preciso de um favor seu.

– Pode falar.

– Quero que você revire as coisas dela outra vez, mas com olhos diferentes. Os registros de viagem, os arquivos pessoais, os lugares em que ela poderia esconder alguma coisa. Tudo. Ela estava tentando derrubar os Burketts. Descobriu que eles vinham subornando esse Tom Douglass, e acho que isso era só a ponta de um enorme iceberg.

– Deixa comigo.

Daniel acomodou Lily num dos cavalinhos do carrossel e ali ficou, ele à direita e Alexa à esquerda da menina. Lily reluzia de tão feliz.

– Olha só pra eles... – disse Eddie. – Fico até...

Maya concordou com um gesto da cabeça, receando falar. Eddie havia dito que a morte a perseguia, mas o buraco talvez fosse mais embaixo. Por toda parte à sua volta, crianças e famílias brincavam e riam e festejavam a glória de um dia aparentemente comum. Tranquilos e despreocupados. Mas só porque não sabiam. Não temiam nada. Não percebiam a fragilidade da coisa. Pensavam que a guerra estava longe, não só em outro continente, mas em outro planeta. Achavam que a guerra não podia tocá-los.

Mas estavam equivocados.

A guerra já havia tocado Claire, por exemplo, e a culpa era só dela, Maya. Se ela não tivesse cometido aqueles erros no helicóptero, certamente Claire ainda estaria viva, presente ali naquela festa, maravilhada com a beleza e com a alegria dos seus dois filhos. Mas não estava, e a responsável por isso era só uma: Maya Stern. Ela via Daniel e Alexa rindo soltos com Lily no carrossel, mas sabia que por trás daqueles risos havia uma tristeza que os acompanharia pelo resto da vida.

Escanchada em seu cavalinho, Lily começou a procurar pela mãe e acenou com entusiasmo assim que a localizou. Maya engoliu em seco e acenou de volta. Daniel e Alexa sinalizaram para que ela se juntasse a eles.

– Vai lá – disse Eddie.

Maya permaneceu muda onde estava.

– Vai brincar com a sua filha – insistiu ele.

Maya fez que não com a cabeça.

– Você hoje não está em missão – disse Eddie, lendo os pensamentos dela. – Vai lá. Curte um pouco a sua filha.

Mas Eddie, assim como todos os demais, não via a realidade das coisas. Ela não pertencia àquele lugar. Era uma outsider, estava fora do seu elemento. Muito embora, ironicamente, aquele fosse o modo de vida pelo qual ela tanto havia lutado na qualidade de militar. Sim, aquela vida, aquela paz, aquela felicidade. Mas não lhe era permitido transpor a fronteira e se juntar àquelas pessoas. Talvez fosse essa a decisão que todos precisavam tomar: participar do idílio ou trabalhar para protegê-lo. Uma coisa ou outra. Nunca as duas juntas. A maioria dos combatentes entendia isso. Alguns ainda forçavam a barra e tentavam escapulir para o outro lado. Riam, juntavam-se aos filhos no carrossel, compravam balões, mas ainda assim não conseguiam apagar do olhar aquela centelha perene de apreensão, tampouco tirar da cabeça aquela noção que os obrigava a passear os olhos constantemente à procura de algum perigo iminente.

Quase uma doença. Passaria um dia?

Talvez. Mas para Maya ainda era cedo. Então ela preferiu ficar onde estava, observando a filha de longe, vigiando, protegendo.

– Vai você – disse ela para Eddie.

Ele refletiu um instante, depois disse:

– Não. Vou ficar aqui com você.

Por um bom tempo eles não fizeram mais do que acompanhar a felicidade que rodopiava no carrossel. A certa altura, no entanto, Eddie ­balbuciou:

– Maya...

Ela permaneceu calada.

– Quando você descobrir quem matou a Claire, vai ter de me dizer.

Maya podia imaginar muito bem qual era a intenção do cunhado: vingar a morte da mulher. Ela não podia deixar que isso acontecesse.

– Tudo bem – disse.

– Promete?

– Prometo. – Que diferença faria uma mentira a mais?

Dali a pouco o celular dela tocou. O número era o da linha fixa de Tom Douglass. Ela se afastou um pouco e atendeu.

– Alô?

– Recebi seu recado – disse a Sra. Douglass. – Venha assim que puder.

– Deixe a Lily conosco – sugeriu Eddie. – Alexa e Daniel vão adorar.

Isso realmente facilitaria as coisas. Se Maya tentasse arrancá-la da festa naquele momento, Lily faria uma birra digna de... bem, digna de uma criança de 2 anos.

– É sobre o tal Tom Douglass – explicou ela, embora Eddie não tivesse perguntado nada. – Ele mora em Livingston. Não devo demorar mais que duas horas.

Eddie fez uma cara estranha.

– Que foi?

– Livingston. Fica na saída 15W da Via Expressa, não fica?

– Fica, por quê?

– Uma semana antes da morte da Claire – disse ele –, encontrei alguns débitos desse pedágio no cartão Easy Pass dela.

– Isso não era comum?

– Até então eu nunca tinha checado o cartão dela, mas... imagino que sim. Quer dizer, a gente nunca ia pra essas bandas.

– E o que você acha disso?

– Tem um shopping desses mais chiques em Livingston. Imaginei que ela tivesse ido lá.

Ou de repente preferiu não investigar, o que era compreensível. Paciência.

Maya correu de volta para o carro. Sua irmã havia sido assassinada porque chegara perto demais de um segredo. Quanto a isso não havia dúvida. Esse segredo tinha alguma coisa a ver com Tom Douglass e, por extensão, com Andrew Burkett, o irmão de Joe. Como era possível que Andrew, morto havia quinze anos quando ela e Joe se conheceram, tivesse levado ao assassinato de Claire? Mistério.

Assim que entrou na Via Expressa, ela ligou o rádio e foi passando as estações sem encontrar nada de que gostasse. Não era o caso de fazer mais especulações naquele momento, nem de se preocupar. Lily estava segura com a família de Claire.

Ela acionou o Bluetooth e abriu sua playlist no celular. Em primeiro lugar vinha Lykke Li com “No rest for the wicked”. A cantora lamentava que havia decepcionado um “homem bom”, que havia deixado morrer seu “verdadeiro amor”. Maya foi cantando junto, perdida naquele fugidio momento de paz. Terminada a canção, colocou-a para tocar uma segunda vez e novamente cantou junto até o verso final: “Eu tinha um coração, que parti tantas vezes...”

Fora Joe quem lhe mostrara essa música. O relacionamento deles havia sido um vertiginoso turbilhão: quarenta e oito horas depois de se conhecerem no tal baile filantrópico, Joe a havia convidado para uma rápida viagem até as ilhas Turcos e Caicos no jatinho dos Burketts. Maya, derretida, aceitara sem pensar duas vezes e passara o fim de semana com ele no resort Amanyara. Imaginava que o romance teria o mesmo destino trágico de todos os outros na sua vida: paixão à primeira vista, obsessão, exageros de toda sorte. E vida curta. Fogo de palha. Tipo “foi bom enquanto durou”. Em três semanas todos os seus namoradinhos acabavam se transformando numa versão doméstica de Jean-Pierre.

Ao cabo da sua primeira semana com Joe, tendo recebido dele uma playlist online, ela passara horas a fio ouvindo cada uma das músicas com a máxima atenção, procurando nas letras algum recadinho cifrado, deitada na cama e olhando para o teto como uma adolescente apaixonada. As canções haviam feito muito mais do que emocioná-la: haviam penetrado as suas defesas, deixando-a fraca das pernas, por mais machista que isso soe aos nossos ouvidos.

No entanto, ela sabia que uma andorinha só não faz verão. Deixara-se levar irremediavelmente pelo furacão Joe (música, viagens, champanhe, sexo), mas sabia desde o início que aquilo não duraria muito, a exemplo de todos os seus namoros anteriores, o que não chegava a constituir um problema. Ela tinha sua carreira militar. Casamento, filhos, jogos de futebol... nada disso fazia parte dos seus planos. Se tudo corresse como previsto, Joe terminaria como mais uma lembrança agradável.

Os relacionamentos geralmente acabavam mal. Mas as lembranças não.

Daquela vez, no entanto, a coisa tinha sido bem diferente. Porque daquela vez ela havia engravidado. Ficara confusa, claro, sem saber o que fazer. Mas para sua grande surpresa Joe não havia fugido da raia. Muito pelo contrário. Pedira-a em casamento com todos os rapapés do cardápio: aliança no dedo, violinos, promessas de amor e felicidade. Dissera que se orgulhava de ter uma mulher militar e faria tudo que estivesse a seu alcance para que ela obtivesse sucesso em todas as suas ambições profissionais. Eles seriam diferentes dos outros casais, viveriam de acordo com suas próprias regras. Sua paixão se revelara uma grande força motriz naquele estágio do relacionamento. Arrebatara-a, e num piscar de olhos a capitã Maya Stern se transformara na Sra. Maya Burkett.

Lykke Li deu lugar à balada “White Blood”, da dupla inglesa Oh Wonder. Por que diabo ela estava ouvindo a playlist de Joe justamente naquele momento, uma playlist repleta de canções tristes? Simples: porque gostava das músicas. Num vácuo onde não havia mortes nem assassinatos, aquelas canções ainda a emocionavam tanto quanto antes, mesmo aquela dos ingleses, com seus versos iniciais tão lancinantes: “I’m ready to go, I’m ready to go / Can’t do it alone…” (“Estou pronta pra me jogar, pronta pra me jogar / Sozinha não vou conseguir...”).

Tudo muito lindo, mas uma grande bobagem, foi o que pensou Maya ao avistar o barco de Tom Douglass junto da garagem. Ela faria aquilo sozinha e tinha de conseguir.

A porta da casa se abriu antes mesmo que ela tocasse a campainha. Lá estava a Sra. Douglass. Cara amarrada, músculos retesados. Ela abriu a porta de tela, olhou para os dois lados da rua e disse:

– Entra.

Maya entrou, e a Sra. Douglass fechou a porta às suas costas.

– Alguém está espionando a gente? – perguntou Maya.

– Não sei.

– Seu marido está em casa?

– Não.

Maya se calou. A mulher a havia chamado porque queria alguma coisa. Ela que dissesse o que era.

– Recebi seu recado.

Maya nem sequer piscou.

– Você tinha dito que sabia o que meu marido vinha fazendo para os Burketts.

Dessa vez foi a Sra. Douglass quem se calou. Maya foi sucinta.

– Não foi isso que eu disse.

– Não?

– Disse que sabia por que os Burketts vinham pagando seu marido.

– Não vejo diferença.

– Não creio que o Sr. Douglass trabalhasse para eles – disse Maya. – A menos que aceitar propinas seja trabalho.

– Do que você está falando?

– Sra. Douglass, por favor. Não se faça de boba.

A mulher arregalou os olhos, dizendo:

– Não é isso, juro. Por favor, me diga o que descobriu.

Maya achou que a mulher estava mesmo desesperada. Se estivesse mentindo, era uma excelente atriz.

– O que você acha que seu marido vinha fazendo para os Burketts?

– Tom é um detetive particular – disse a outra. – Eu achava que ele vinha fazendo uma investigação confidencial pra uma família muito poderosa, só isso.

– Mas ele nunca deu detalhes sobre o que fazia?

– Já disse. O trabalho dele é confidencial.

– Poxa, Sra. Douglass... Você está dizendo que seu marido chegava em casa toda noite e nunca contava nada sobre o que tinha feito no trabalho?

Uma lágrima escapou dos olhos da mulher.

– O que o Tom estava fazendo? – perguntou ela com um fiapo de voz. – Por favor, me diz.

Novamente Maya cogitou qual seria o melhor caminho a tomar e acabou optando pelo mais direto.

– Seu marido era da Guarda Costeira. Quando estava na ativa, investigou a morte de um rapaz chamado Andrew Burkett.

– Sim, eu sei. Foi aí que o Tom ficou conhecendo a família. Ficaram muito satisfeitos com o trabalho dele, então... quando o Tom se tornou detetive, contrataram ele pra fazer outras coisas.

– Acho que não foi bem assim – disse Maya. – Acho que queriam que seu marido atestasse que a morte do Andrew foi um acidente.

– Por quê?

– É isso que eu gostaria de perguntar a ele.

A Sra. Douglass jogou-se no sofá como se tivesse perdido a sustentação das pernas.

– Pagaram ele por tantos anos... Tanto dinheiro...

– Dinheiro não é problema para os Burketts.

– Mas tanto assim? E por tanto tempo? – Ela cobriu a boca com a mão trêmula, depois disse: – Se o que você está sugerindo for verdade... e não estou dizendo que seja... então deve ter acontecido algo de muito grave.

Maya ajoelhou-se ao lado dela.

– Onde está seu marido, Sra. Douglass?

– Não sei.

Maya esperou.

– Por isso chamei você aqui. Faz três semanas que ele sumiu.