A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

Serzedelo Correia – Páginas do Passado, pág. 15

A imprensa, na sua quase unanimidade, reclamava diariamente a eleição presidencial, que Floriano ia adiando. Desejando pôr termo a essa situação os ministros reuniram-se na secretaria da Viação, sendo todos acordes em forçar o ditador a essa medida. Incumbido de levantar a questão no despacho semanal, Simeão fê-lo com coragem. Floriano escutou-o e, ao cabo, voltando-se para Rodrigues Alves, indagou:

– O senhor conselheiro pensa da mesma forma?

– Perfeitamente.

Voltou-se para José Higino:

– E o senhor?

– Solidário com eles.

Era a vez de Serzedelo Correia. Floriano sabia-o na conjuração. Antes, porém. que este se manifestasse precipitou:

– A opinião aqui do meu camarada, eu já conheço.

Transfigurou-se:

– Mas os senhores estão enganados.

E batendo com a Constituição em cima da mesa:

– Enquanto esta vigorar, sou o presidente, e não faço a eleição!