DILÚVIO DE LAMA

Araripe Júnior – "Revista da Academia Brasileira de Letras", n° 39, pág. 252.

Nos fins de 1895, a neurastenia de Raul Pompéia havia se acentuado de modo impressionante.

Na tarde de 23 de dezembro, encontrando-se com Araripe Júnior no largo de São Francisco, deixou extravasar todo o seu nojo pela vida e pelos homens.

– Lama! – dizia. – Sinto lama podre até nas conjunções da frase, quando penso.

E logo:

– Capacite-se de uma coisa. No Brasil só há um ato digno para um homem honrado: pegar de um revólver e salpicar com os miolos esta terra sinistra, e pulha, ao mesmo tempo!

No dia seguinte, matava-se, com um tiro no coração.