AS RAPADURAS

Anedota colhida no Ceará.

Andava Caio Prado, então presidente da província, pelo interior do Ceará, quando viu, à porta do mercado, em Granja, um tropeiro, que vendia a um comerciante uma carga de rapaduras.

– Dou-lhe por doze mil réis! – dizia o vendedor. – E é dado; porque eu estou comprando, na Serra Grande, a quatorze e até a quinze.

Ante aquela transação, o presidente voltou-se para Justiniano de Serpa, seu secretário:

– Que negócio é esse? Ele compra a quatorze na Serra, e vende a doze, aqui... Qual é o lucro?

– É grande, Excelência! – fez Serpa.

E rindo:

– É que ele, lá, compra fiado; e aqui, vende a dinheiro!