PECADO OU VIRTUDE

Leôncio Correia – "Correio da Manhã", 17 de julho de 1927.

Era o general Osório ministro da Guerra, quando, tendo-se aberto uma vaga de brigadeiro, levou ao Imperador, em um dos despachos, o decreto promovendo um coronel de brilhantíssima fé de ofício. O soberano deixou ficar o decreto e, no despacho seguinte, recorreu a um subterfúgio qualquer, para evitar a promoção.

– Majestade – objetou o ministro, – o oficial cujo nome apresento como digno do novo posto, é, como homem e como soldado, absolutamente merecedor de respeito. Se, entretanto, Vossa Majestade tem conhecimento de algum fato em contrário, será serviço a mim e ao Exército revelá-lo.

– É muito moço... – declarou o Imperador, como desculpa.

– Pois, melhor, – tornou o ministro.

– Poderá, mais a miúdo, inspecionar as nossas fronteiras.

Pedro II olhou em torno, e, chegando a boca ao ouvido do ministro:

– E dizem que é muito mulherengo...

A essas palavras, Osório desatou a rir:

– Mas, isso é até uma virtude, Majestade! Se isso impedisse promoção...

E com os seus modos francos:

– Eu ainda hoje seria soldado raso!..