O BEIJO... INCONSTITUCIONAL

Ernesto Sena – "Deodoro", pág, 160.

Não obstante a sua fisionomia austera, Deodoro era um espírito alegre e gostava de pilheriar.

Como não tivesse tido filhos nem filhas, costumava beijar na testa as sobrinhas, onde as encontrava.

Um dia, estando em despacho, entrou uma destas, e Deodoro beijou-a. Afonso de Carvalho, ministro da Justiça, e velho magistrado, ponderou, gracejando, que aquele ósculo não era constitucional.

– Por que? – perguntou o marechal, intrigado.

– Porque não foi na forma do art. 40 da Constituição da República.

– Errou, meu caro amigo, – retrucou o marechal; – isso pertence exclusivamente ao expediente do meu gabinete particular.

E retomando o trabalho:

– Referendará você os que eu der na coroa de monsenhor Brito...