João Luso – "Elogios", pág. 38.
Entre as anedotas singelas que Raimundo Correia costumava contar, uma havia, que patenteava flagrantemente a sua modéstia. Ocorrera, no dizer do narrador, por ocasião da sua permanência em Portugal como secretário de legação.
Achava-se o poeta do Mal Secreto, uma noite, em um grupo de homens de letras, em Lisboa, quando, apresentado a um deles, este se lançou a fazer-lhe elogios derramados, declarando conhecer toda a sua obra.
– Imagine o senhor, – dizia-lhe o escritor, no seu entusiasmo, – que eu o admiro tanto, que sei até um dos seus sonetos de cor.
– E recitou-me concluía Raimundo, – um soneto... de Bilac!