A MOCIDADE DE BILAC

Amadeu Amaral – Discurso na Academia Brasileira de Letras, pág. 20.

Levava Bilac uma vida de boêmio nos primeiros tempos da mocidade, quando o pai, entregando-lhe um bilhete de entrada, lhe ordenou, um dia, que fosse ao teatro, onde se representava nessa noite um dramalhão: Os sete degraus do crime.

O poeta foi. No dia seguinte o velho indagou:

– Assistiu à peça?

– Assisti, sim, senhor.

– Prestou bem atenção ao final?

– Prestei.

– Como foi que morreu o protagonista?

– Na forca.

– Pois, olhe, – bradou-lhe o ancião, com voz estentórica, – é esse o fim que o espera, se o senhor não mudar de vida!