Moreira de Azevedo – "Mosaico Brasileiro", pág. 32.
Considerado cúmplice da Conjuração Mineira e atirado aos subterrâneos da ilha das Cobras, o poeta Alvarenga Peixoto sentiu, ao ouvir ler a sua sentença de morte, tamanho choque nervoso, que, em uma noite, os seus cabelos, de negros que eram, se tornaram totalmente brancos.
– Ah, senhor! Como envelhecestes da noite para o dia! – exclamou, ao vê-lo, pela manhã, o carcereiro.
O poeta sorriu:
– A Natureza é justa, amigo.
E com estoicismo:
– Eu devia morrer velho; mas, como os homens me condenaram ainda moço, apressou-se a morte em envelhecer-me...