Ernesto Sena – "Notas de um Repórter", pág. 162.
Era o conselheiro Ferreira Viana ministro do Império, quando, em visita à Casa de Correção, teve a sua atenção solicitada por um rapaz de maneiras distintas, fisionomia simpática, mas triste, que lhe pedia licença para duas palavras.
– Então, qual o seu crime? indagou Ferreira Viana, com o seu ar bonachão.
– Senhor, eu abusei da honestidade de uma menor.
– A quantos anos de prisão foi condenado?
– A quatro; já aqui estou há dois, e faltam-me ainda dois. Se, porém, V. Excia. quiser proteger-me, obtendo o meu indulto, eu me comprometo a casar com a ofendida.
– Olhe, quer um bom conselho, um conselho de amigo? – observou-lhe Ferreira Viana, com interesse.
E batendo-lhe no ombro, paternal:
– Cumpra o resto da pena...