Conheço uma menina.
Sei de cor tudo sobre ela. Eu a conheço de todas as maneiras possíveis, menos de uma: de verdade.
O nome dela é Estelle. Fico até sem ar por causa dela.
Ela desfila sua beleza – sim, como o firmamento sem nuvens numa noite estrelada –, sempre com os fones de ouvido do iPod, ligado o tempo todo – é a trilha sonora de sua vida.
Ela parou de roer as unhas, exceto a do mindinho da mão esquerda.
Às vezes ela morde de leve a costura interna dos punhos do agasalho da escola.
Ela é filha única. Assim como eu.
Ela toca violoncelo.
Ela gosta de mocaccino. E de milk-shake de banana feito com xarope de banana, e não banana de verdade.
E daquele chocolate Cherry Ripe. Ela envia Cherry Ripe a uma amiga que mora em Nova York. Lá eles não o vendem.
Ela tem mais de um amigo. Diferentemente de mim.
Ela mora aqui na rua. Ao lado da minha casa.
Ela ri bastante.
Ela e eu temos três bandas em comum dentre as que consideramos as cinco melhores.
Os escritores prediletos dela são Georgette Heyer e J.D. Salinger.
Não posso contar a você como sei tudo isso sobre alguém com quem nunca conversei.