XV. A Baixinha está com medo

O capitão Félix Madueño, aquele que veio buscá-la em Cinco Esquinas e a levou ao necrotério na viatura policial, não a chamara de “Julieta Leguizamón”? Então estava muito bem informado. Sim, Julieta era seu nome, mas muito pouca gente sabia que o sobrenome era Leguizamón. Achou muito estranho quando ele a chamou assim, porque todo mundo usava o apelido: Baixinha. Ou, no máximo, Julieta. Era assim que costumava assinar seus artigos, com o apelido ou o nome de batismo. No veículo que a trouxe de volta para sua casa, no largo Tenente Arancibia, não vieram o oficial nem o civil, só os dois guardas. Nem o homem que estava no volante, nem seu companheiro lhe dirigiram a palavra durante o trajeto, e chamou sua atenção o fato de conhecerem perfeitamente o beco esburacado nos Bairros Altos onde ela morava.

Quando chegou em casa, a Baixinha foi à cozinha, bebeu um copo de água e caiu na cama vestida, só tirando os sapatos. Estava com muito frio. E então baixou a tristeza, uma tristeza profunda, dilacerante, lembrando o que tinha visto no necrotério: o que sobrara de Rolando Garro. Ela não costumava chorar, mas agora sentia que seus olhos estavam úmidos e umas lágrimas grossas lhe escorriam pela face. Que gente ruim, que sanguinários, tinham triturado o rosto do chefe com uma pedra e crivado seu corpo de punhaladas. Não podia ser obra de um simples larápio, de um pobre-diabo desses que puxam carteiras ou roubam relógios. Aquilo tinha sido uma vingança. Um assassinato bem planejado e, certamente, muito bem pago. Obra de matadores, de profissionais do crime.

Estremeceu da cabeça aos pés. E quem mais podia ter planejado essa vingança senão Enrique Cárdenas, o milionário que Rolando Garro mostrou nuzinho na revista, naquela orgia de puteiro que Ceferino Argüello fotografou? Puta que o pariu, maldito, filho duma grande puta. O pobre Ceferino ia se cagar de medo quando soubesse o que tinham feito com o diretor da revista. Não era para menos, porque se tinham destroçado assim o chefinho, o que não fariam com o autor das fotos. Era melhor avisá-lo para que sumisse por um tempo, com toda certeza estava sendo procurado. Mas não sabia o endereço nem o celular de Ceferino para preveni-lo. Além disso, a Baixinha não tinha a menor intenção de aparecer no dia seguinte na redação. Nem louca. Não ia pôr os pés lá por um bom tempo. Além do mais, quem podia saber se a revista ia conseguir sobreviver; claro que não, ia desaparecer tal como o pobre Garro. Será que ela também estaria em perigo? Tentou raciocinar com frieza. Sim, sem a menor dúvida. Todo mundo sabia que era o braço direito do chefe, que a Baixinha era a principal redatora da Revelações fazia algum tempo. E embora o próprio Rolando tivesse escrito a reportagem que acompanhava as fotos do milionário pelado, foi ela que conseguiu boa parte da informação e assinava junto com o chefe, de modo que também estava comprometida.

“Em que encrenca você me meteu, chefinho”, disse em voz alta. Sentiu medo. Sempre havia pensado que algum dia essas confusões em que se aventurava, revelando as intimidades sujas de gente conhecida e famosa, iam colocá-la em perigo, talvez até correndo risco de prisão ou de morte. Será que tinha chegado a sua hora? Ela passara a vida na corda bamba dia e noite: por acaso não morava em Cinco Esquinas, um dos bairros mais violentos de Lima, com assaltos, brigas e surras em toda parte? Ela e seu chefe tinham pilheriado muitas vezes sobre os riscos que corriam com as revelações escandalosas que eram a especialidade dele. “Algum dia vão nos dar um tiro, Baixinha, mas console-se, seremos dois mártires do jornalismo, homenageados com uma estátua.” E o chefe dava uma gargalhada que parecia feita de pedras arrastadas na garganta. Não acreditava no que dizia, claro. E agora era um cadáver pestilento.

Coitadinho. O mundo ficava vazio sem Rolando Garro. Seu chefe. Seu mestre. Seu inspirador. Sua única família. Você ficou só, Baixinha. Seu amor secreto, também. Mas disso ninguém sabia, só ela, e guardava lá no fundo do coração. Nunca deixou que ele nem desconfiasse que estava apaixonada. Uma noite ouviu-o dizer: “Duas pessoas que trabalham juntas não devem ir para a cama, o amor e o trabalho são incompatíveis, trepar rima com brigar. Portanto, já sabe, Baixinha. Se notar algum dia que estou avançando o sinal, em lugar de entrar no jogo quebre uma garrafa na minha cabeça”. “Prefiro enfiar isso aqui no seu coração, chefinho”, respondeu a Baixinha mostrando-lhe a pequena navalha que tinha na bolsa, além da agulha, no cabelo ou no cinto, para casos de emergência. Fechou os olhos e recordou mais uma vez o cadáver sanguinolento e o rosto destruído de Rolando Garro. A tristeza a gelava dos pés à cabeça. Lembrou que, alguns meses antes, o chefe tinha se engraçado com ela. Uma única vez. Na inauguração de uma boate que não durou muito, El Pingüino, num porão da avenida Tacna, a que Rolando tinha sido convidado. E a levou. Havia muita gente quando chegaram à boate, pequena, repleta de odores e de fumaça, chilcanos e pisco sours, que era o que serviam de beber. Passavam bandejas e bandejas cheias de copos e algumas pessoas já estavam altas. As luzes se apagaram. Começou o show. Umas moreninhas seminuas dançaram ao compasso de uma pequena orquestra de música tropical. De repente a Baixinha sentiu que seu chefe, em pé atrás dela, estava tocando em seus peitos. Se fosse qualquer outro, reagiria com a ferocidade habitual enfiando-lhe a agulha que tinha no cabelo ou deixando sua cara inchada com um tabefe. Mas com Rolando Garro, não. Ficou imóvel, sentindo uma coisa estranha, um gosto contendo desgosto, algo obscuro e agradável, aquelas mãos miudinhas apalpando seus peitos sem delicadeza a deixavam quietinha e dócil. Virou-se e viu na semiescuridão que o chefe estava com um olhar vítreo de álcool, já tomara vários chilcanos. Logo depois dessa troca de olhares, Rolando Garro soltou-a. “Desculpe, Baixinha”, ouviu-o pedir. “Não percebi que era você.” Nunca mais voltou a fazer qualquer alusão ao episódio. Como se nunca tivesse acontecido. E, agora, lá estava ele no necrotério, com a cara destruída por pedradas e o corpo todo furado a navalha. O policial lhe disse que havia sido encontrado em Cinco Esquinas. O que Rolando Garro veio fazer nesse bairro? Procurá-la? Impossível, ele nunca tinha vindo a sua casa. Alguma fêmea, talvez. Não ela, em todo caso, pois o chefe não tinha a menor ideia de onde morava. Apesar de trabalhar com ele e vê-lo diariamente durante anos, a Baixinha nada sabia sobre a vida particular do chefe. Tinha mulher, filhos? Provavelmente não, porque nunca falava deles. E passava seus dias e noites preparando os números da Revelações. Sempre estava tão sozinho quanto ela, não tinha outra vida além do seu trabalho.

Dormiu muito mal. Pegava no sono e logo depois o pesadelo renascia, com um fundo de catástrofes, incêndios, terremotos, ela rolava por um precipício, um ônibus investia em sua direção e, paralisada de terror, não conseguia sair da frente, quando o veículo ia atropelá-la acordou. Por fim, quando despontou pelas janelas a luz cinzenta da alvorada, adormeceu, arrasada pela noite ruim.

Tinha tomado um banho e estava se enxugando quando ouviu batidas na porta. Estremeceu, sobressaltada. “Quem é?”, perguntou, levantando muito a voz. “Ceferino Argüello”, disse o fotógrafo. “Ainda estava dormindo? Mil desculpas, Baixinha. É que tinha muita urgência de falar com você.”

— Espere, estou me vestindo — gritou. — Abro agorinha mesmo.

Vestiu-se e mandou o fotógrafo entrar. Ceferino estava com o rosto devastado de preocupação e os olhos irritados, vermelhos, como se os tivesse esfregado com força. Usava uma calça amarrotada, tênis sem meias e uma camisa polo preta iluminada por um relâmpago rubro. Sua voz estava diferente do normal e falava como se articulasse cada palavra com dificuldade.

— Desculpe vir incomodar tão cedo, Baixinha — disse, ainda de pé na porta de entrada. — Mataram o chefe, não sei se você sabe.

— Entre, Ceferino, sente-se. — Apontou para uma das cadeiras que emergia entre as pilhas de jornais da sala. — Sim, sim, já sei. Esta noite a polícia veio aqui me buscar. E me levaram ao necrotério, para reconhecer o cadáver. Uma coisa horrível, Ceferino. Nem queira saber.

Ele tinha desabado na cadeira e a olhava, muito pálido, com os olhos imóveis e a boca aberta com um fiozinho de saliva pendurado, esperando. A Baixinha sabia perfeitamente o que estava passando pela cabeça de Ceferino e voltou a sentir medo; um medo tão grande quanto aquele que o rosto do fotógrafo refletia.

— Foi encontrado por aqui, em Cinco Esquinas, parece — explicou. — Com o corpo cheio de navalhadas. E os filhos da puta ainda destroçaram a cara dele a pedrada.

Viu que Ceferino Argüello assentia. Estava de cabelo em pé, parecia um porco-espinho. O seu rosto todo cheio de marcas de varíola estava lívido.

— É o que dizem os jornais e as rádios. Que foi sem dó nem piedade.

— Foi sim, uma verdadeira carnificina. Coisa de gente sádica, cruel, Ceferino.

— O que vai acontecer agora com a gente, Baixinha? — a voz do fotógrafo falhava. Ela pensou que se ele começasse a chorar o insultaria e expulsaria da sua casa chamando-o de “bicha de merda”.

Mas Ceferino não chorou, ficou ali sem voz olhando para ela como que hipnotizado.

— Não sei o que pode acontecer — deu de ombros a Baixinha e decidiu fulminá-lo. — Pode ser que nos matem também, Ceferino. Principalmente você, que foi quem tirou as fotos.

O fotógrafo ficou em pé e falou com uma solenidade emocionada, levantando a voz em cada frase que dizia:

— Eu sabia que era muito perigoso, merda, e avisei a você, e avisei ao chefe — agora já estava gritando, fora de si. — E podem nos matar por causa dessa ânsia de tirar dinheiro do tal milionário, que maldição. A culpa também é sua, porque confiei em você e você me traiu.

Desabou na cadeira e cobriu o rosto com as mãos. Soluçou.

A Baixinha, ao vê-lo assim, tão indefeso e mergulhado no pânico, teve pena.

— Faça um esforço e tente pensar com clareza, Ceferino — disse, suavemente. — Nós dois temos que manter a cabeça fria se quisermos sair disso sãos e salvos. Não desperdice seu tempo procurando um culpado pelo que aconteceu. Sabe de quem é a culpa? Nem sua nem minha, nem mesmo do chefe. É do trabalho que nós fazemos. Agora chega.

Ceferino tirou as mãos do rosto e fez que sim. Seus olhos não estavam com lágrimas, mas muito irritados e brilhantes; uma careta estúpida deformava seu rosto.

— Quando vim lhe falar sobre aquelas fotos, era só para pedir um conselho, Julieta — disse ele em voz baixa. — Não se esqueça disso.

— Mentira, Ceferino — replicou ela, também sem levantar a voz, em tom de conselho. — Você me disse que guardou as fotos durante dois anos porque queria ver se podia tirar algum proveito delas. Quer dizer, para que fossem publicadas e você ganhasse um dinheirinho.

— Não, não, juro que não, Baixinha — protestou Ceferino. — Eu não queria que fossem publicadas. Sabia que podia acontecer alguma coisa muito ruim, como isso que houve, justamente. Eu adivinhei que podia acontecer, juro.

— Se você não queria que fossem publicadas, deveria ter queimado essas fotos, Ceferino — foi se irritando a Baixinha. — Portanto, chega de bobagens, por favor. Eu lhe disse que a pessoa que melhor proveito podia tirar delas era o chefe. E você me autorizou a contar tudo a ele. Não foi você mesmo quem levou as fotos para que o chefe visse o que se podia fazer com elas? Não se lembra mais disso?

— Está bem, está bem, não vamos discutir porque não tem mais jeito — suavizou o fotógrafo, de novo com sua cara habitual de cão espancado. — Agora precisamos decidir o que fazer. Você acha que a polícia vai nos chamar para depor?

— Receio que sim, Ceferino. E o juiz também. Houve um assassinato. Nós trabalhávamos com a vítima. É lógico que nos chamem.

— E o que eu digo a eles, Julieta? — De repente o fotógrafo parecia desesperado outra vez. Seus olhos estavam fundos, e sua voz, agora roufenha, tremia.

— Não vá fazer a estupidez de assumir que tirou essas fotos — disse a Baixinha. — Era só o que faltava.

— O que vou dizer a eles, então?

— Que não sabe nada de nada. Que não tirou as fotos e o chefe não lhe disse quem foi.

— E o que você vai dizer quando for chamada?

Julieta encolheu os ombros.

— Que também não sei de nada — afirmou. — Não estive nessa bacanal nem soube dela, até irmos preparar o material para a revista. Por acaso não é verdade?

Julieta recomendou a Ceferino que não fosse à redação da revista; ela também não iria. Se o engenheiro Cárdenas tinha contratado capangas, era lá que iriam procurar primeiro. E também seria prudente não dormir na própria casa por uns dias.

— Eu tenho mulher e três filhos, Baixinha. E estou sem um centavo no bolso. Porque ainda não recebemos o pagamento deste mês.

— Nem vamos receber, Ceferino — interrompeu ela. — Com a morte do chefe, a Revelações também vai passar dessa para a melhor. Com toda certeza. Portanto, pode ir começando a procurar outro trabalho. Aliás, eu também.

— Então você acha que nem sequer este mês vão nos pagar, Julieta? Para mim isso é uma tragédia, você sabe que eu vivo sempre na dureza.

— Para mim também, Ceferino. Eu também estou sem dinheiro. Mas não gosto da ideia de ser assassinada por um capanga do engenheiro Cárdenas, e por isso não ponho mais os pés na Revelações. Sugiro que você faça o mesmo. Estou falando pelo seu bem. Explique o problema à sua mulher, ela vai entender. Esconda-se na casa de alguém de confiança. Pelo menos até que o panorama fique um pouco mais claro. É o único conselho que posso lhe dar. Porque é o que eu vou fazer também.

Ceferino ficou mais um tempo na casa de Julieta. Algumas vezes se despedia, mas, como se uma força irresistível o impedisse de sair, voltava a sentar entre as pirâmides de jornais e revistas, reclamava de novo do azar e amaldiçoava as fotografias de Chosica, cujos negativos realmente tinha conservado, mas não foi para tentar ganhar dinheiro com eles — jurava por Deus! — e sim na esperança de que o homem que o contratou para tirá-las reaparecesse e lhe pagasse o que tinham combinado. Agiu como um idiota — sim, um estúpido — e ia lamentar isso a vida inteira.

Por fim, depois de choramingar por um bom tempo e se queixar da própria sorte, foi embora. A Baixinha desabou na poltrona, entre as pilhas de jornais. Estava exausta, e o pior da história era que Ceferino Argüello havia contagiado sua confusão e o pânico que sentia.

Olhou para seus joelhos e viu que estavam tremendo. Era um pequeno movimento, da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, quase imperceptível, cadenciado e frio. Quando levantava um pé, o tremor cessava, mas só nesse joelho, no outro continuava. Sentiu-se dominada pelo medo, da raiz dos cabelos à sola dos pés. O medo contagiado pelo cagão do Ceferino Argüello. Tentou se acalmar, pensar com objetividade. Tinha que fazer o que recomendou ao fotógrafo: sair de casa o quanto antes, ir se hospedar com alguém de confiança, até que o temporal amainasse. Onde, quem? Passou em revista mentalmente as pessoas que conhecia. Eram muitas, com certeza, mas nenhuma com intimidade suficiente para pedir alojamento. Parentes não tinha, ou não via fazia muitos anos. Seus amigos eram jornalistas, gente do rádio e da televisão com quem mantinha relações ocasionais e muito superficiais. Na verdade, a única pessoa com quem poderia se confiar num caso assim seria Rolando Garro. O assassinato dele a deixara sem o seu único amigo de verdade.

Um hotelzinho ou uma pensão, então. Onde ninguém soubesse que ela estava. Mas quanto custava? Tirou da cômoda uma caderneta onde anotava cuidadosamente suas despesas e receitas. Era ridículo o saldo que tinha: menos de trezentos soles. Ia ter que pedir um empréstimo. Ela sabia muito bem que, com a morte do chefe, seria muito difícil receber o salário daquele mês na Revelações. Provavelmente os recursos da revista estavam com o próprio Garro ou quem sabe ficaram sob a guarda da justiça após sua morte. O gerente da revista sempre dizia que ela estava à beira da falência, o que agora talvez já fosse verdade. Ou seja, desse lado não havia nada a esperar.

O que fazer então, Baixinha? Ela se sentia deprimida, encurralada, paralisada. Sabia muito bem que era perigoso continuar em sua casa, o primeiro lugar onde iriam procurá-la se quisessem lhe fazer alguma coisa. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde encontraria outro emprego sem dificuldade, acaso não era boa em sua profissão? Claro que sim, mas aquele não era o momento mais adequado para visitar jornais, rádios e televisões em busca de trabalho. Era hora de se esconder, de salvar a própria pele, de ninguém saber onde ela estava. Até que as coisas fossem se acalmando e voltassem à normalidade. Onde, merda, onde se esconder?

E, então, a princípio de maneira confusa e remota, mas que pouco a pouco foi tomando forma, consistência, realidade, veio aquela ideia. Era audaciosa, sem dúvida, não isenta de riscos. Mas não era isso que seu mestre lhe havia ensinado, o que ele mesmo praticou muitas vezes na vida: para grandes males, grandes remédios? E o que podia ser pior que sentir-se ameaçada no exercício de sua vocação? Foi essa a aposta que acabou com Rolando Garro, não foi, Baixinha? Ele perdeu a vida, e de uma forma atroz, por praticar jornalismo investigativo e expor ao público as imundícies que podiam se permitir os ricos deste país sem leis e sem moral.

Era arriscado, claro. Mas, se desse certo, não apenas estaria protegida, mas poderia até tirar algum proveito profissional da coisa.

De repente, a Baixinha sentiu que o tremor dos seus joelhos tinha parado. E estava sorrindo.