A constituição de um campo da disciplina antropológica na área da discussão da imagem é questão que vem sendo debatida internacionalmente há pelo menos 40 anos. Nem por isso há unanimidade quanto ao termo que designaria esse campo ou mesmo as subáreas que a ele poderiam estar relacionadas. Em várias instâncias e instituições observa-se a utilização de expressões como “antropologia visual”, “antropologia da imagem e do som”, “antropologia do audiovisual”, “antropologia da imagem” e outras mais.
Todas elas guardam um pouco das facetas da longa discussão acerca desse assunto: a imagem (fotografia, cinema ou vídeo) como uma questão de método; a imagem pensada como artefato cultural e por isso passível de se transformar em objeto da antropologia; a linguagem audiovisual como um caminho possível para elaboração e divulgação dos resultados de pesquisa, constituindo-se em alternativa à etnografia clássica; e ainda a utilização do debate em torno da imagem, realizada em qualquer um desses casos, como subsídio para uma discussão epistemológica da prática antropológica.
Este livro tem por objetivo mapear um percurso de contato e interlocução entre a antropologia e a produção de imagens. Trata-se de trazer uma discussão sobre o estabelecimento de relações efetivamente construídas ou possíveis entre a elaboração do conhecimento antropológico e o universo da imagem. Percorreremos, assim, desde os pontos de contato das histórias do nascimento da antropologia como disciplina e do cinema como linguagem até as experiências paradigmáticas da utilização da imagem no âmbito da pesquisa etnográfica. O intuito, nesse sentido, é discutir as várias possibilidades que a introdução da imagem no campo da antropologia pode oferecer.