2 – A Anatomia no Brasil

O ensino sistemático de Anatomia como condição para a prática médica em geral e da cirurgia em especial foi favorecido no cenário nacional pela vinda da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, e com a consequente inauguração das instituições Escola de Cirurgia do Hospital Militar, na Bahia, e da escola médica do Hospital Militar do Morro do Castelo, no Rio de Janeiro. Fortemente influenciada pela medicina francesa, tanto a medicina portuguesa quanto aquela que se desenvolve no Brasil visa o atendimento do paciente à beira do leito em detrimento da medicina experimental que se desenvolve na Alemanha, nesse mesmo período (Aires Neto, 1948).

A Anatomia surge nas instituições acadêmicas brasileiras como disciplina subordinada a outras áreas, especialmente à patologia e à medicina cirúrgica (Torres Homem, 1862). Desse modo, a vinda do médico e anatomista italiano Alfonso Bovero (1871-1937) para o Brasil no ano de 1914, a convite de Arnaldo Vieira de Carvalho e por ocasião da fundação da nova Faculdade de Medicina de São Paulo,1 trouxe novo fôlego para a disciplina e um novo encaminhamento para a constituição do campo anatômico no país.

O convite de Arnaldo Vieira de Carvalho a Bovero foi parte de um projeto maior que pretendia trazer para São Paulo médicos e cientistas europeus, sobretudo italianos, com o objetivo de impulsionar novas áreas de pesquisa (Salles, 1997, p.118-9). Ao mesmo tempo, a vinda de pesquisadores estrangeiros contribuiria para fazer da “Casa de Arnaldo” e do cenário acadêmico paulistano um local de produção de conhecimentos consoante com os propósitos da capital paulista de se modernizar, constituindo-se no locus privilegiado de desenvolvimento científico-intelectual, econômico e social do país (Motta, 2005, p.167).

A presença do anatomista italiano foi aguardada com as expectativas depositadas em um europeu que iria trazer novas ideias para a medicina nacional. Bovero chegou a São Paulo em abril de 1914 para ocupar a cadeira de Anatomia e Fisiologia na Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo (Marinho, 2006), trazendo consigo um exemplar da primeira edição do De humani corporis fabrica, de Vesalius, que atualmente está exposto no Museu de Anatomia Humana Professor Alfonso Bovero2 (Didio, 1986). No ano seguinte, o novo docente passou a reger também a cadeira de Histologia (Montes, 2009, p.28; Lacaz, 1989, p.66).

A presença de Bovero em São Paulo, com a missão não só de lecionar sua especialidade, mas também de organizar o departamento de Anatomia da jovem escola médica, inaugurou um novo período do ensino e da pesquisa em Anatomia, a qual tem sido denominada de “fase boveriana da Anatomia brasileira”. Dentre as contribuições do médico italiano, é possível mencionar as obras clássicas que trouxe consigo e a experiência nas técnicas de conservação a seco que aprendeu na Itália e na Alemanha, países onde realizou sua formação, o que lhe permitiu impor um novo rigor no ensino e na pesquisa por ele engendrado (Liberti, 2010, p.8).

A tarefa de maior destaque de Bovero foi no campo do ensino, e dos princípios que subjazem a esse processo. Na perspectiva boveriana da formação e prática anatômica, Liberti (2010) faz menção ao princípio da equidade, que, no ensino, mostrava-se sob duas perspectivas.

A primeira delas refere-se à necessidade de “equanimidade entre o clássico e o contemporâneo” (Liberti 2010, p.8), ou seja, ao equilíbrio entre o conhecimento básico, tradicional da disciplina e os conhecimentos contemporâneos derivados das pesquisas recentes. Em decorrência dessa primeira linha, passou-se a se exigir dos estudantes um novo grau de desempenho, além de um aumento considerável na carga horária destinada à Anatomia. Na segunda vertente do princípio de equidade, Liberti (2010) referiu-se à realização de provas práticas de Anatomia, cujo conceito a ser obtido só poderia variar de “muito bom a excelente”, conferindo assim novos e mais exigentes parâmetros avaliativos do conhecimento dos estudantes.

Durante sua permanência no Brasil, Bovero e seus alunos desenvolveram um número significativo de pesquisas, que foram publicadas em revistas médicas nacionais e estrangeiras. No início de 1937, já adoentado, ele partiu para a Itália para usufruir de um período de férias, vindo a falecer na cidade de Turim em 9 de abril daquele mesmo ano.

Nesse momento já se preconizava a existência de uma “escola boveriana” em São Paulo, informação que se apresenta recorrente nos textos assinados por vários anatomistas que foram alunos de Bovero, oportunidades nas quais são reiteradas suas contribuições no ensino e na pesquisa realizados no âmbito da Faculdade de Medicina de São Paulo.

Para os raros pesquisadores que se dedicaram ao tema da trajetória da Anatomia em São Paulo, uma das situações que conferiram um sentido mais evidente à existência da “escola” instituída por Bovero deu-se após a morte do professor italiano e, mais precisamente, no discurso proferido pelo professor Renato Locchi, quando assumiu a cátedra de Anatomia Descritiva e Topográfica deixada por Bovero, em 19 de setembro de 1937.3

No discurso pronunciado pelo acadêmico Helio Lourenço de Oliveira, nessa mesma ocasião, a escola de Bovero foi reiterada, conforme a transcrição de Didio (1986, p.23): “O seu novo professor é a garantia segura e plena de que não se perderá um dos seus legítimos padrões de glória – a sólida Escola Anatômica fundada por Alfonso Bovero”.

A partir dessa data, a escola anatômica paulista, ou boveriana, passou a ser cultuada no âmbito da Faculdade de Medicina da USP, sobretudo através das homenagens prestadas pelo professor Locchi a Bovero em suas aulas cotidianas e em datas específicas. Como relatou o professor Didio, quando havia aula de Anatomia no dia 9 de abril,4 a mesma era dedicada à vida e às obras de Bovero, e era denominada “comemoração do professor Bovero”. Quando não podia ser realizada no dia 9, era transferida para o dia 25,5 aniversário da aula inaugural do anatomista italiano em São Paulo. Depois da explanação, o professor Locchi dividia os alunos em turmas e os levava para conhecer a saleta do “mestre”, mantida intacta, como ele a havia deixado ao embarcar pela última vez para a Itália. Através desse ritual anual, Locchi criou e manteve uma tradição que ajudou a difundir a escola boveriana no contexto paulista e nacional. Didio relatou com eloquência a visita à saleta de Bovero:

Enquanto os grupos de oito alunos se sucediam o professor Locchi mostrava a cada grupo o pequeno escritório como um verdadeiro altar. A mesa, com tinteiro e outros pequenos objetos, todos bem dispostos, incluía até o vidro de cola que o próprio professor Bovero fazia por ser mais econômico, uma indicação da diligência com a qual administrava os dinheiros públicos. Nas paredes encontravam-se fotografias do professor Bovero, que aparecia em vários grupos de colegas e assistentes, e o quadro da formatura da turma de 1933, da qual fora paraninfo. Um armário continha livros e ao lado, o enorme avental branco, correspondendo ao porte de um longitipo alpino, como era o professor Bovero, e uma longa vareta de bambu bege que, durante as projeções, lhe servia de apontador e, segundo as lendas dos estudantes, para acordar o servente quando este adormecia durante as aulas! O professor Locchi referiu que as únicas modificações que havia introduzido na saleta eram a colocação duma estatueta de bronze, representando o próprio professor Bovero, presenteada por uma turma de médicos após celebrar o aniversário de formatura, a troca da toalha de rosto, junto da pia, e a lavagem periódica do avental... Por fim, com o mesmo cuidado e carinho que se dispensa a uma criancinha, mostrou os cadernos do professor Bovero, que continha artigos copiados por ele à mão, com as figuras decalcadas meticulosamente das originais, a maioria representando giros ou circunvoluções cerebrais. Todos ficaram com a impressão de que haviam visto um verdadeiro tesouro e que o tesouro estava em boas mãos, bem protegido por um guarda à altura do seu extraordinário valor. (Didio, 1986, p.29)

O relato de Didio mostra-se de valor não só pela descrição do ritual de “comemoração de Bovero”, mas também pelo significado que o próprio autor, enquanto membro da segunda geração da escola boveriana, confere ao registro desse relato na biografia do professor Locchi. E, assim, o autor prossegue:

Terminada a comemoração do professor Bovero houve intervalo mais longo do que o costumeiro, para que todos os grupos de estudantes pudessem ver as relíquias científicas, que a memorabilia do professor Locchi mostrava. Com isso, os alunos tiveram tempo para se recuperar das emoções, voltar a respirar normalmente e reencetar as dissecações no laboratório de exercícios práticos. A inclusão de dados sobre a vida de Bovero na biografia do seu discípulo, ao resumir a exposição por este feita a seus alunos, foi intencional de nossa parte para seguir a orientação do professor Locchi, imaginando que teria sido esse o seu desejo e para mostrar a unidade da Escola Anatômica e a semelhança de seus altos desígnios, de suas carreiras e de suas atitudes como homens, como cientistas e como professores. (Didio, 1986, p.29)

A primeira geração boveriana

Em 1934, com a criação da Universidade de São Paulo (USP), os discípulos de Bovero foram submetidos ao regimento da instituição, encontrando-se em condições de ocupar posições de destaque nos diversos departamentos dos cursos de Ciências Biológicas e Biomédicas e, em seguida, aplicar os princípios da “escola” que pertenciam a outras instituições de ensino superior que foram surgindo na capital, no interior do estado e em outras unidades da federação. Com isso, consagrou-se não só a institucionalização do ensino de Anatomia nos novos cursos que estavam sendo estruturados como também se buscou manter o espírito boveriano como orientador do ensino e das pesquisas realizadas na área.

Da primeira geração de discípulos de Bovero destacou-se um grupo que ocupou posições de relevo não só na USP, mas também em outras instituições de ensino e pesquisa. Além de Renato Locchi (1896-1978), que, com a morte de Bovero, sucedeu-o na cátedra de Anatomia Descritiva e Topográfica da Faculdade de Medicina, destacam-se ainda na década de 1930, no contexto paulista, João Moreira da Rocha, que se tornou catedrático de Anatomia na Escola Paulista de Medicina e também no curso de Odontologia da USP, e Max de Barros Erhart, catedrático na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. Ainda da mesma geração, ganharam evidência Odorico Machado de Souza, que assumiu a cátedra de Locchi quando este se aposentou, em 1956, e Olavo Marcondes Calazans, que, juntamente com Machado de Souza, responsabilizou-se, em 1951, pela organização do Departamento de Anatomia da Faculdade de Medicina de Sorocaba, que mais tarde seria integrada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Liberti, 2010).

Desses, certamente foi Renato Locchi o nome de maior relevo e o principal continuador da obra de Bovero. Os empreendimentos realizados por Locchi ao longo de sua trajetória acadêmica e, sobretudo, a sua inserção em comissões e congregações, tanto no âmbito da USP quanto fora dela, garantiram à Anatomia as condições necessárias para que as várias disciplinas incorporadas pela área firmassem sua identidade e importância no ensino superior paulista sob os auspícios da “escola boveriana de Anatomia”. O principal indício de tal consolidação é a intensa carga horária concedida à Anatomia na grade curricular do curso de Medicina da USP (Tavano, 2011).

Tavano (2011) oferece elementos que permitem acompanhar os trabalhos desenvolvidos na cátedra por Locchi, que ocupou essa posição na Faculdade de Medicina da USP de 1937 a 1955 lecionando a disciplina Anatomia Humana. Ao longo desse período, a disciplina, como já propunha Bovero, foi sendo continuamente reformulada em busca de atualização conteudística e aprimoramento didático-pedagógico, permitindo que algumas características metodológicas do ensino de Anatomia se mostrassem relevantes.

Em primeiro lugar, manteve-se a tradição da prática da dissecação como parte crucial do processo de ensino e aprendizagem, reproduzindo, no contexto da formação inicial dos estudantes, uma prática secular que fundamentou as pesquisas na área. Além da dissecação de peças anatômicas, também cabia ao aluno sua apresentação e arguição, que eram tarefas importantes no processo formativo e avaliativo, que, conforme havia estipulado Bovero, privilegiava a parte descritiva da disciplina no currículo.

Essa proposta se articulava com as necessidades e expectativas de um curso de Medicina e mostrava-se inovadora no contexto da dissecação sistemática ao longo da disciplina. Incorporava aspectos tradicionais da prática anatômica, como a observação das estruturas macroscópicas e a dissecação, aliando-as a uma postura de dúvida metódica e levantamento bibliográfico. Assim, tentava-se também estabelecer um campo de saber disciplinar que ultrapassava a grade curricular tanto da Faculdade de Medicina como de outras unidades uspeanas num empenho grupal de instituir uma área de pesquisa que desfrutasse de uma boa dose de autonomia.

A carga ampliada de Anatomia nos currículos bem como o ensino aliado à pesquisa foram, portanto, características da escola boveriana de Anatomia. Nesse cenário, apesar da autoridade exercida pelo professor catedrático, o aluno desfrutava de liberdade para construir seu próprio conhecimento. Para tanto, o catedrático tinha à sua disposição farto material anatômico e contava com o apoio de assistentes bem preparados para respaldar a parte prática da disciplina, a qual, aliás, tomava grande parte da carga horária em detrimento do tempo investido no ensino teórico, que deveria ser buscado pelos próprios estudantes, nos livros (Didio, 1986).

A partir de meados da década de 1940, uma série de contingências relativas à formação médica e ao desenvolvimento de pesquisas em subáreas da Anatomia impôs que a parcela descritiva do curso fosse cedendo lugar e tempo a outras “subculturas” anatômicas, como a Anatomia Topográfica e a Neuroanatomia. Devido a isso, conteúdos próprios do ensino de Anatomia, especialmente no referente à parte descritiva, foram alocados em disciplinas do âmbito da Clínica e da Cirurgia (Tavano, 2011).

Esse movimento fez com que as práticas de ensino empreendidas fossem reformuladas ao longo dos anos, a partir dos objetivos e demandas de cada uma das múltiplas facetas das “novas Anatomias” que foram incluídas no currículo de formação médica. A disciplina que se consagrara como básica na década de 1930, concentrando para si todo o conteúdo descritivo e topográfico de Anatomia Humana, a partir de 1950 passou a subsidiar novos saberes, dos quais se destacou a parte funcional.

A primeira geração dos anatomistas boverianos cumpriu sua missão, a qual já se mostrava implícita na proposta do próprio fundador da escola e que culminou na criação, em 1952, da Sociedade Brasileira de Anatomia.

A segunda geração boveriana

Da segunda geração de anatomistas da escola boveriana destacaram-se o professor Liberato J. A. Didio, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, que foi discípulo de Locchi, e também Plínio Pinto e Silva, por sua vez discípulo de Max de Barros Erhart, que em 1954 se tornou catedrático de Anatomia na Faculdade de Medicina Veterinária da USP.

Pinto e Silva aposentou-se em 1962, ocupando a partir de então posto semelhante na Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu,6 hoje incorporada à Universidade Estadual Paulista, sendo que seus alunos atualmente ocupam cargos docentes na área de Anatomia em várias instituições paulistas e de outros estados (Apamvet, 2011). Um deles é o professor da disciplina Anatomia Geral e Humana, descrita neste livro.

Em 1968, com a lei 5.540/68, que instituiu a reforma universitária, as cátedras foram abolidas das universidades. A semestralidade das disciplinas, a criação de ciclos básicos de ensino, a implantação do sistema de créditos para a composição da grade curricular, dentre outras medidas, fizeram com que o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP fosse criado naquele mesmo ano.

Houve, portanto, ao final da década de 1960, um realocamento dos docentes das disciplinas pré-clínicas, como as Anatomias, Farmacologias, Fisiologias etc., dos departamentos aos quais pertenciam dentro das faculdades de Odontologia, Farmácia e Medicina para o ICB (Início do ICB, 2011). Inicialmente, o ICB foi composto pelos Departamentos de Anatomia, Histologia, Fisiologia, Microbiologia e Parasitologia (Histórico do Instituto de Ciências Biomédicas, 2011).

A fusão de docentes de Anatomia das faculdades de Medicina e Odontologia fez do novo Departamento de Anatomia do ICB um “prestador de serviços didáticos”, atuando em uma vasta gama de cursos que paulatinamente foi sendo implantada na USP, como Fisioterapia, Educação Física, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia, dentre outros (Liberti, 2010). Em março de 2011, o Departamento de Anatomia do ICB contava com dezenove docentes, responsáveis por ministrar 28 disciplinas de graduação e doze cursos profissionalizantes, atendendo a aproximadamente 1.200 alunos. Além disso, também contava com um Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfofuncionais (Graduação, 2011).

A terceira geração

Na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes), as disciplinas Anatomia, Anatomia Humana e Anatomia Animal (exceto Anatomia Patológica e Anatomia Patológica Animal) são áreas básicas, ou especialidades da subárea Morfologia, que, junto com a Fisiologia, compõe a grande área Ciências Biológicas II.

Em março de 2011, segundo o site da Capes, existiam 68 Programas de Pós-Graduação (PPG) na grande área Ciências Biológicas II,7 dos quais oito eram em Morfologia (mestrado e doutorado). Desses oito programas, apenas um tinha por área básica a Anatomia: o PPG em Ciências Morfofuncionais, vinculado ao ICB, USP – São Paulo. A Anatomia também foi mencionada como área de concentração em um segundo programa, o PPG em Ciências Morfológicas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cuja área básica era Morfologia (Brasil, 2011).

Esses dados apontaram para uma diminuição drástica na formação de pesquisadores em Anatomia Humana/Animal em detrimento do número de programas em Bioquímica (19 programas), Farmacologia (16 programas) e Fisiologia (21 programas) reconhecidos pela Capes, só estando à frente dos programas em Biofísica (4 programas). A grande questão lançada pela geração atual de anatomistas brasileiros (que muito comumente se autodenominam “anatomossauros”) – “Qual é o futuro da Anatomia no Brasil e no mundo?” – está em suspenso. Urge, portanto repensar a formação do anatomista e, mais especificamente, do professor de Anatomia, que deverá, a despeito dos avanços nas pesquisas científicas, para as quais a Anatomia não passa de uma especialidade, continuar a exercer seu papel fundamental de educador acadêmico.