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Celia não desceu para jantar. Passou o resto da tarde a ler numa das espreguiçadeiras da sua varanda privativa.

Por um lado, era uma boa maneira de descontrair a seguir a uma palestra. Por outro lado, era difícil concentrar-se num livro. Estava constantemente a ser interrompida pelo mesmo pensamento. E se o procurador-geral decidir acusar-me? Não tenho dinheiro para continuar a pagar a um advogado.

A gerência da Carruthers tinha sido compreensiva até agora, mas, quando o artigo da People saísse, era provável que a despedissem ou que pelo menos a aconselhassem a tirar uma licença sem vencimento.

Às seis horas, pediu para lhe trazerem o jantar, uma salada e salmão. Apesar de ser uma refeição ligeira, não conseguiu comer tudo. Quando regressara à suíte, tinha trocado a roupa anterior por umas calças confortáveis e uma camisa, mas agora decidiu vestir o pijama e deitar-se na cama. Sentindo-se subitamente muito cansada, lembrou-se de que não tinha dormido nada na noite anterior.

Antes de o mordomo vir abrir a cama, ela pendurou na porta um letreiro que dizia: Silêncio, por favor. Acho que soa mais simpático do que Não incomodar, pensou secamente.

Adormeceu de imediato.