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Celia correu durante uma hora. A seguir, tomou um duche, vestiu-se e pediu um café e um queque. As palavras «o que devo fazer» rodopiavam-lhe na cabeça. Imaginemos que vou ter com o comandante e lhe entrego o colar. Ele acreditará em mim? E se não acreditar, será que me prende na sala de detenção? Será que posso limpar as minhas impressões digitais e deixá-lo num sítio onde possa ser encontrado? É uma possibilidade. Mas, e se alguém me vê ou se sou apanhada pelas câmaras de vigilância? E depois? Será que podem procurá-lo nos camarotes? Não, se o fizessem já teriam encontrado o colar no meu cofre.
Em pânico com aquele pensamento, Celia olhou à volta do quarto num grande nervosismo. Foi até ao cofre, abriu-o e tirou de lá o colar de Cleópatra. Tinha-se vestido para a sua palestra e envergava um casaco e calças de tecido. O casaco tinha um corte fluido e um só botão ao nível do pescoço. As calças tinham bolsos fundos. Será que podia esconder o colar na sua pessoa? Tinha as mãos a tremer quando enfiou a peça volumosa no bolso esquerdo e correu até ao espelho.
Não se via nenhum inchaço.
É o melhor que consigo fazer, pensou, desesperada.