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Dez horas depois de ter adormecido, Roger Pearson abriu os olhos. Estou vivo, estou vivo, pensou. Percebeu que estava a respirar com a ajuda de um ventilador e que tinha a testa quente quando lhe tocou. Mas acho que vou ficar bem.
Olhou para o lado e viu um homem com uma bata branca de médico a dormir na cadeira reclinável ao lado da sua cama. Queria dizer o seu nome e dizer que tinha caído do Queen Charlotte. Tinha uma memória clara da expressão maníaca de Yvonne quando se lançara a ele e, com toda a sua força, o empurrara para trás. Tencionava evidentemente dizer-lhe que sabia o que ela tinha feito, mas não estava pronto para partilhar o sucedido com quem quer que fosse naquele navio que iria fazer-lhe perguntas.
Fechou os olhos e entregou-se ao sentimento de bênção por estar quente e enrolado em pesados cobertores. Por muito que eu viva, nunca mais vou nadar, pensou ele, quando a memória de estar a congelar e a tentar cuspir água salgada lhe invadiu a mente.