Tenho pensado sobre isso. Muito.
Conclusão: a única forma de saber se as coisas vão mudar um dia é perguntar a Scott como se sente com relação a mim.
Ontem, quando as aulas recomeçaram, eu o evitei fora da sala de aula.
Foi muito bom colocar as novidades em dia com Sadie. Eu não tinha percebido como tinha sentido saudade dela até que a vi bem ali novamente.
Se as coisas não mudarem com relação ao Scott, meu estômago só vai piorar. Quero ser mais feliz. Quero que nós dois sejamos o tipo de casal que sei que podemos ser. E sou eu que tenho de fazer essa mudança acontecer.
Quando Scott chega ao Crumbs, aceno-lhe discretamente. Tudo ficará bem. Precisa ficar. Consegui guardar uma mesa para nós, apesar das várias tentativas de algumas mães de roubar a cadeira de Scott.
Scott me beija. Mesmo depois de ter me beijado tantas vezes, ainda sinto uma emoção forte. Acho que nunca me acostumarei com ele me beijando, não importa quanto tempo estejamos juntos. Para mim, será sempre assim: “Não acredito! Scott Abrams está me beijando!”.
— Este é qual? — pergunta Scott e aponta para meu cupcake.
Ele acha engraçado como Sadie me deixou viciada no Crumbs. Eu não tinha adoração por cupcakes antes. Quero dizer, claro que gostava. Quem não gosta de cupcakes? Só não era obcecada por sabores, glacês e pitadas, do jeito que esta subcultura de fanáticos por cupcakes é. Sadie pertence a esse grupo. Sua obsessão aparentemente me influenciou, porque agora sou fã do Crumbs.
— É o “Cupcake da Semana” — respondo.
— Do que é?
— Piña colada. Adoro este guarda-chuva pequeno! É bolo branco, com recheio de limão e abacaxi, e cobertura de coco. Com uma cereja por cima, como você pode ver.
— Não acredito que você não comeu a cereja ainda.
— Queria que você o visse inteiro.
Depois que Scott pega um cupcake (o “Squiggle”, que tem exatamente o mesmo gosto do “Hostess Cup Cake” de chocolate; eles até colocam aquela linha de glacê em espiral por cima) e café, é hora de me livrar de tudo que está me incomodando.
— Não precisa ficar bravo — digo eu —, mas tenho de conversar com você sobre uma coisa.
— Manda.
— Humm... bem, só queria saber para onde as coisas estão caminhando.
— Que coisas?
— As coisas entre nós.
— Assim... o que você quer dizer?
Como Scott pode não saber o que quero dizer? Perguntar aonde as coisas estão indo não é o código universal para querer que a outra pessoa defina o relacionamento?
— Parece que... OK, sabe que adoro estar com você. Estou apenas querendo saber como se sente sobre nós, porque, para mim, parece que as coisas não estão caminhando para o próximo nível, e eu não sei por quê.
Scott olha de relance para o garotinho na mesa ao lado. Sua mãe o observa, enquanto ele come um cupcake de menta com lascas de chocolate. Há glacê de menta na bochecha do garoto.
— Nós estamos falando sobre sexo? — diz Scott, discretamente.
— Não! Não é este tipo de próximo nível. Eu quero dizer o próximo nível emocional, por exemplo, nos abrirmos mais um com outro.
— Eu te contei sobre Ross, não contei?
— Sim, mas não conversamos sobre nada mais que seja importante. Parece que as coisas estão meio... superficiais. Só acho que já deveríamos estar mais sérios, mas parece que você tem medo de se aproximar ou algo parecido.
— Eu?
— Mais ou menos.
— Isso é irônico!
— Quer dizer... ?
— É você que não deixa as pessoas entrarem.
— Não é verdade!
Achei que, aqui, eu estava melhorando. Achei que a nova Brooke estava fazendo amigos. E Sadie? Ela é praticamente minha melhor amiga agora. E John? A antiga Brooke nunca seria amiga dele!
Scott se recosta na cadeira, esfregando as mãos no rosto. Um grupo de garotas do ensino fundamental chega fazendo barulho, todas dando gritos histéricos e discutindo em voz alta.
— Por que você está fazendo isso? — pergunta ele.
— Só estou dizendo como estou me sentindo. Em um relacionamento, as pessoas não deveriam ser capazes de falar para o outro como se sentem?
— Sim, mas por que tem de ficar tão sério? Gosto do jeito que as coisas estão! Achei que você também.
— Eu gosto... quase sempre. É que parece que não estamos saindo do lugar.
— Não estamos juntos há tanto tempo assim.
— Tempo suficiente para saber se queremos mais.
Scott me olha como se eu tivesse enlouquecido. Entendo o lado dele. Para ele, estamos juntos há menos de três meses, mas, para mim, estamos ligados há muito mais tempo. Tudo que eu quero que sejamos está sendo construído durante mais de dois anos. É como se uma parte de mim pertencesse a ele todo esse tempo e, sim, talvez eu esteja agindo como louca, mas esta coisa toda foi uma loucura. Foi uma loucura deixar minha vida inteira para trás e vir para cá atrás de um garoto. É uma loucura estar triste quando deveria estar eufórica. Para Scott, é uma loucura que eu queira um compromisso mais sério tão cedo, porém, para mim, não parece cedo. Tenho a impressão de que estou esperando para ter alguma coisa de verdade com ele há uma eternidade!
— Nós estamos nos divertindo — diz Scott. — Não é esse o objetivo do terceiro ano? Nós... Ficar com você é legal. Por que isso não é suficiente?
Ficar? É o que ele acha que estamos fazendo todo esse tempo? Ele faz parecer uma coisa tão casual!
— Porque não é — respondo. — Porque me mudei para cá para estar com você e eu não teria largado tudo e mudado minha vida inteira por alguém se não fosse sério o que sentisse em relação a essa pessoa!
O grupo de garotas barulhentas vem para a mesa perto de nós. Teria sido melhor se Scott tivesse vindo à minha casa. Não sei por que pedi para ele me encontrar aqui.
— Você não acha que isso me pressiona? — pergunta Scott. — O que tenho que fazer com isso? Como posso corresponder e ser esta pessoa que você quer que eu seja?
— Você está...
— Eu não acho que posso ser a pessoa que você quer. Realmente... eu não acho que sou o bastante para você.
— Mas você é! Eu o conheço mais do que você imagina.
— Conhece? Você me observou durante dois anos e depois me seguiu até aqui. Isso é conhecer alguém?
Quando começamos a sair e disse a Scott como me sentia em relação a ele, como o conhecia embora ele não me conhecesse, achei que ele tivesse entendido, que tivesse me compreendido. Mas estou percebendo que ele não me entende nem um pouco.
— Você significa tanto para mim! — digo eu. — Achei que soubesse disso.
— Eu sei. É por isso que é impossível corresponder às suas expectativas. Este sou eu. Não posso ser outra pessoa.
As garotas barulhentas estão gritando, comentando que o “Cupcake da Semana” é muito bom. O Garoto do Glacê Verde está tendo um acesso de raiva. Ele quer terminar de comer seu cupcake, mas sua mãe quer levar metade para casa. Enquanto isso, minha tragédia pessoal está sendo encenada aqui, na Mesa da Rejeição. Sou um Fracasso no meio de uma grande quantidade de açúcar. Nunca me senti tão sozinha no meio da multidão.
As Garotas Barulhentas olham para mim.
Debruçando-me sobre a mesa, sussurro:
— Lamento se você se sente pressionado.
Não consigo deter as lágrimas. Enxugo os olhos com raiva.
— Não chore! — diz Scott. Ele passa o guardanapo para mim. — Você não disse que sempre quis morar aqui? Muito antes que eu entrasse em cena?
Faço que sim com a cabeça.
— Então, agora você está aqui! Isso é uma coisa boa, certo?
“Não sem você. O sonho de estar com você e o sonho de morar aqui estavam entrelaçados. Estes sonhos estão juntos do jeito que você e eu deveríamos estar.”
Limpo o nariz. Evito contato visual com a mãe do Garoto do Glacê Verde.
Scott diz:
— Não podemos apenas... deixar que continue divertido assim como está?
É tão tentador dizer “sim”, ficar com Scott do jeito que ele deseja! Mas jogo este jogo o tempo inteiro. Eu quero desesperadamente ser aquela garota que pode se divertir nas noites da cidade com um garoto que ela ama e não querer mais nada. Desde quando Scott me beijou, tento ser assim. Só que não sou ela. Se Scott e eu não podemos estar juntos do jeito que sei que deveríamos estar, de acordo com o que meu coração diz, então não posso mais fazer isso.
— Não — digo eu. — Seria mentira.
— O que você quer dizer?
— Que... eu não posso fazer isso. Não posso ter apenas uma parte de você. Não foi por isso que vim para cá.
— Podemos ser amigos?
— Não sei. Preciso pensar.
Scott afasta rapidamente sua cadeira e se levanta.
— Então vou lhe dar espaço para fazer isso — diz ele.
E, exatamente assim, voltei a ficar totalmente sozinha.