Capítulo Dezessete

QUATRO HORAS. – Nick consultou seu relógio enquanto guiava Admiral pelos portões e para dentro do parque em Monkhurst. – Fizemos um bom tempo, Richard, embora não com a mesma velocidade com a qual você cavalgou até mim esta manhã!

– Achei que era necessário levar-lhe a informação o mais rapidamente possível, Sir.

– Você estava certo. Chegou a tempo para eu discutir os novos planos com o capitão George, em vez de enviar novas instruções para ele.

– Apenas espero que nós estejamos certos, capitão – murmurou Granby.

– Bem, a descoberta faz todo sentido, Richard. E explica o interesse de Chelston em Monkhurst.

Nick instigou seu cavalo para um trote. Seu coração estava cantando, não apenas com ansiedade da ação iminente, mas também pelo pensamento de ver Eve novamente. Quando entraram no pátio do estábulo, ficou surpreso ao encontrar o lugar cheio de pessoas. Warren e Davies estavam conduzindo cavalos para fora do estábulo, enquanto Silas Brattee e seus filhos se viraram ao ver Nick se aproximar. A criada de Eve empurrou-os de lado para correr para a sua direção. Numa fração de segundos, Richard estava fora do cavalo para encontrá-la.

– Martha? O que houve?

– Oh, Rick, estou tão feliz que você chegou. – Martha pegou-lhe as mãos, então voltou o rosto molhado de lágrimas para Nick, cujas sobrancelhas se uniram numa expressão interrogativa.

– O que aconteceu? – perguntou ele em tom urgente.

Silas se aproximou.

– É a srta. Eve, capitão. Ela sumiu. Nós estávamos justamente organizando um grupo para ir procurá-la.

– Sumiu? Aonde ela foi? – demandou ele.

– Nós não sabemos, Sir – disse Martha. – Ela saiu para andar com aquele primo e nunca voltou.

– Shawcross esteve aqui? – questionou Granby. Voltou-se para Nick, franzindo o cenho.

– Sim – respondeu Martha, secando os olhos com seu avental. – Davies o deixou entrar.

– É verdade, capitão. – Davies deu um passo à frente, uma expressão ansiosa no rosto redondo. – Desculpe, Sir, mas quando ele veio andando para a porta dos fundos e disse que era primo da sra. Wylder…

– Você não tinha como saber – murmurou Nick. – Ele a sequestrou, isso é certo. – Ele se virou para Martha. – A que horas foi isso? Quando você a viu pela última vez.

– Era por volta do meio-dia, capitão. Quando Davies me contou que o sr. Shawcross estava aqui, não fiquei feliz sobre isso e fui procurá-la, não querendo deixá-la sozinha com o homem. Eu os vi saindo da casa, então fui atrás, mas a srta. Eve me mandou embora, pedindo que eu avisasse o sr. Granby que ela não precisaria de seu cavalo esta tarde.

Richard franziu o cenho.

– Cavalo? Nós não combinamos nada sobre o uso de cavalos.

Martha deu de ombros.

– Falei que ia chover… tentando convencê-los a voltar para dentro da casa, mas a srta. Eve riu e disse que, nesse caso, não precisaria de Per… Perséfone.

Nick virou-se para olhar para Granby, que meneou a cabeça.

– Ela não tem um cavalo com este nome.

– Não – disse Nick devagar –, mas lady Chelston se fantasiou de Perséfone recentemente. – Ele sorriu. – Garota esperta, ela está nos dizendo para onde Shawcross a levou!

O AROMA desagradável de sais para cheirar fez o nariz de Eve coçar, e ela instintivamente virou a cabeça para o outro lado. Conforme a consciência retornava, percebeu-se deitada num sofá estreito. Não abriu os olhos, mas podia sentir a seda escorregadia sob sua mão. Uma voz de mulher soava muito perto.

– Ela está voltando.

Havia alguma coisa familiar no tom de voz baixo e rouco, mas sua cabeça doía, e não podia lembrar onde ouvira aquela voz antes. Então ouviu outra voz que conhecia muito bem.

– Ficou inconsciente por horas; eu não achei que a havia golpeado com tanta força.

O tom de Bernard era queixoso, defensivo. Eve manteve os olhos fechados, como se fazendo isso pudesse evitar a verdade da situação. Sua memória estava retornando. Bernard a levara embora de Monkhurst. A voz rouca e suave pertencia à Catherine Chelston, e sugeria que estavam em Chelston Hall. Eve sabia que precisava descobrir por si mesma. Cautelosamente, abriu um pouco os olhos. O cômodo parecia muito claro, e ela os fechou de novo com um gemido.

– Está muito quente aqui. Jogue fora os sais para cheirar, depois sirva um pouco de vinho para ela! – Lady Chelston começou a aquecer uma de suas mãos. – Volte, senhora, já ficou deitada aí tempo demais. Precisamos de você acordada.

Com um tremor de desgosto, Eve liberou sua mão e tentou abrir os olhos novamente. Encontrou Catherine inclinada sobre ela, e mais à frente do rosto pintado e cabelos penteados, podia ver um teto branco enfeitado em estilo rococó. Já vira aquele design antes. Era a sala de estar de lady Chelston.

Eve se esforçou para se sentar. Bernard estava em pé na sua frente, os olhos estreitos.

– O que estou fazendo aqui? – perguntou ela friamente.

– Peço desculpas pelo tratamento rude, prima, mas isso era inteiramente necessário.

– Era necessário bater na minha cabeça? – demandou ela, pegando um cálice de vinho da mão dele.

– Oh, sim – replicou Bernard com um olhar gelado e prepotente. – Sabia que você estava considerando fugir, e não queria atravessar o vilarejo com você lutando como uma gata selvagem.

– Então, o que vocês querem comigo? – Ela olhou para os dois, a ansiedade a consumindo. Sabiam que Nick estava vivo? Sabiam dos planos dele para interceptar a remessa? As próximas palavras de Bernard a tranquilizaram um pouco.

– É muito simples: Monkhurst.

Ela deu um gole do vinho, esperando que a bebida a reanimasse.

– E como você propõe conseguir isso?

O sorriso dissimulado de Bernard causou um calafrio de apreensão em Eve.

– Você irá se casar comigo. Tenho de admitir que a ideia me agrada, de certa forma. Sempre senti afeição por você, prima.

Eve virou o rosto para o lado oposto dele. Olhou para o relógio sobre a abóbada da lareira: 17h. A essas alturas, Martha saberia que alguma coisa estava errada, mas conseguiria falar com Nick? E passaria a mensagem que Eve lhe dera antes de partir? Aquela era uma esperança muito pequena, mas era tudo que ela possuía. Não podia perder a coragem agora. Precisava ganhar tempo.

– Sinto-me muito mal. Há algum lugar onde eu possa lavar meu rosto, e talvez escovar meus cabelos.

Catherine Chelston a estudou por um momento.

– Muito bem, venha comigo. – Ela escoltou Eve para o andar de cima e para um dos quartos de hóspedes, mas quaisquer esperanças que Evelina pudesse ter de dominar a outra mulher foram destruídas quando lady Chelston chamou sua criada para acompanhá-las.

Eve demorou o máximo que ousou arrumando seus cabelos e lavando seu rosto com água fria. Quando retornou à sala de visitas, sentia-se consideravelmente mais alerta, embora não mais perto de encontrar um meio de escapar.

– Ah, minha noiva querida. Acredito que você esteja se sentindo um pouco melhor, prima?

Bernard parou de andar de um lado para o outro e tentou pegar em sua mão. Ela recolheu os dedos.

– Você não pode me forçar ao casamento. Todos sabem que o detesto.

– Sabem mesmo? – Catherine a empurrou para uma poltrona. – Sua presença nas festividades de minha casa não passou despercebida, sra. Wylder, nem o fato de que Bernard foi tão atencioso. O que é mais natural do que uma viúva solitária encontrar consolo com seu primo, quando se sente incapaz de esperar para satisfazer sua paixão? Então você escapuliu silenciosamente para se casar com uma licença especial…

– Uma licença que obtive – acrescentou Bernard, batendo no próprio bolso. – Não vejo a hora de torná-la minha, prima.

Eve tentou não pensar naquilo.

– Mas o sr. Didcot aconselhou cautela; talvez ainda não esteja viúva.

Bernard deu uma risada rude e irônica.

– Didcot é um velho tolo. Wylder está morto. Não há ninguém para contestar nosso casamento. Teria me casado com você e a levado para cama antes do amanhecer.

Um tremor a percorreu.

– Por que Monkhurst é tão importante para você? – perguntou Eve.

– Há certas… mercadorias… em Abbotsfield que precisam ser enviadas para o exterior – disse lady Chelston. – Oficiais aduaneiros estão vigiando o Rother, então nós queremos movê-las para Monkhurst Drain. Nós já tomamos providências para nos certificar de que ninguém use o pequeno rio naquela noite.

– Então vocês têm atacado pessoas minhas em Jury’s Cut.

– Pessoas suas… como isso soa feudal – repreendeu Bernard. – Sim, enviamos nossos homens para assustar os locais. E nos certificamos de que a guarda aduaneira estivesse ciente de que haveria uma remessa na outra noite. Normalmente, não se preocupariam com um caso tão pequeno, mas estão muito ativos aqui no momento. Acham que isso os levará para uma grande gangue de contrabandistas.

– Liderados por lorde Chelston e por você, talvez? – retorquiu Eve.

A voz fria de lorde Chelston veio de perto da porta.

– Precisamente, senhora, mas fazer tantas perguntas é perigoso para você.

Catherine virou-se para o marido.

– Você está de volta, meu querido! Trouxe o padre?

– Está na capela. – Ele gesticulou a cabeça na direção de Eve. – O quanto ela sabe?

Bernard se movimentou desconfortavelmente.

– Muito pouco, milorde. Meras conjecturas…

Lady Chelston levantou seu leque.

– Ainda assim, sabe o bastante para representar uma ameaça.

– Eve deixará de ser uma ameaça depois que nos casarmos – disse Bernard. – Eu lhes prometo.

– Você me prometeu Monkhurst se eu o tornasse sócio neste negócio – disse lorde Chelston. – Quero você e sua nova esposa de volta a Monkhurst o mais depressa possível. Se os servos armarem um clamor público, será um Deus nos acuda.

– Se ele me levar de volta para Monkhurst, o que irá me impedir de contar a verdade a todos? – demandou Eve.

Os olhos acinzentados frios de lorde Chelston se fixaram nela.

– Não subestime seu primo, sra. Wylder. Se você lhe causar muitos problemas, ele terá de matá-la, do mesmo jeito que matou seu marido.

Eve não precisou fingir estar chocada diante daquelas palavras. Apesar de saber a verdade, estava horrorizada em ouvir lorde Chelston falar em assassinato tão friamente.

– Wylder estava trabalhando com a guarda aduaneira – disse Bernard. – Se não tivesse atirado nele, seu marido teria arruinado tudo…

– Nós não temos tempo para isso agora – interrompeu lorde Chelston. – Leve-a para a capela.

– Espere! – exclamou Eve quando Bernard a puxou para colocá-la de pé. – E se eu me recusar? Você não pode me forçar a isso!

Lorde Chelston olhou para a esposa, que tirou um pequeno frasco de sua bolsa.

– Laúdano – disse ela. – Você não estará em posição de recusar.

– Não! – Eve protestou quando lorde Chelston parou atrás dela e segurou-lhe os braços nas laterais do corpo. Bernard pegou o frasco e removeu a rolha. Eve olhou para o medicamento à base de ópio. Se a forçasse a engolir o láudano, estaria perdida. Talvez até entregasse o segredo de Nick. Lutou desesperadamente, mas lorde Chelston a segurou com firmeza. Bernard se aproximou, um sorriso cruel nos lábios.

– Ora, ora, minha querida, por que você é tão contra me aceitar como marido?

– Porque ela não quer cometer bigamia.

Um silêncio ensurdecedor caiu sobre a sala. A cabeça de Eve virou em direção ao som da voz de Nick. Um alívio a inundou diante da visão de Nick sentado na janela aberta, as pernas abertas sobre o peitoril, e um revólver de aparência mortal em cada mão. Experimentou uma vontade súbita e irracional de rir. Nick parecia totalmente à vontade, e aquele sorriso familiar e encantador fez seu coração saltar. Bernard derrubou o frasco de láudano, e seu conteúdo derramou, formando uma mancha escura no tapete.

– Wylder! – exclamou ele. – Mas não pode ser. Eu… o baleei. Você está morto!

– Obviamente não – disse lorde Chelston. Ele chacoalhou Eve de leve. – Bem, senhora, você sabia que ele estava vivo?

– Não, no começo.

Bernard virou-se para fitar Eve com raiva, sua boca trabalhando convulsivamente.

– Não, juro que ela não sabia. Eu estava lá quando o homem de Wylder foi levar a notícia.

Tentou se libertar, mas lorde Chelston apenas a apertou ainda mais. Ele a segurava diante do corpo como um escudo.

– Meus parabéns, Wylder – disse ele friamente. – Você enganou a todos nós.

– Sim, enganei, não foi? – Nick sorriu enquanto passava a perna sobre o peitoril e entrava na sala, seguido por Richard Granby e Sam. – Tanto que nós sabemos tudo sobre seu plano de enviar a próxima remessa de smouch através de Jury’s Cut. O capitão George já tem ordens de interceptar o veleiro preto e prender seus companheiros em Abbotsfield. Está tudo acabado para você, Chelston.

– Oh, acho que não. Ainda tenho um ás na mão, Wylder. – Ele puxou os braços de Eve para trás dela, segurando-os com uma das mãos, enquanto a outra se enfiou no bolso e sacou um revólver. Pressionou a boca da arma de fogo contra a cabeça de Eve, bem abaixo da orelha. Eve engoliu em seco, tentando não tremer, e manter os olhos fixos em Nick. O sorriso dele não desapareceu, mas o corpo poderoso estava muito imóvel. Tensão crepitava ao redor da sala.

– Solte-a, Chelston – ordenou ele. – Você não tem como escapar agora.

– Talvez não, mas o que eu tenho a perder se atirar em sua esposa, antes? Talvez me agrade pensar que você sofreu por sua vitória.

Eve fechou os olhos. Ver o quanto ela estava apavorada não ajudaria Nick.

– Não seja tolo, homem.

Chelston deu uma risada baixa.

– Oh, não sou tolo, Wylder. Eu o conheço. Você não vai arriscar a vida desta moça bonita, vai? Um movimento errado de sua parte ou de seus companheiros e eu puxarei o gatilho.

Houve um silêncio de parar o coração, antes que Nick falasse novamente:

– Parece que nós chegamos a um impasse.

– Qualquer coisa que aconteça agora, sua esposa morrerá – disse Chelston. – A menos que…

A sentença pairou no ar. Os nervos de Eve estavam a ponto de explodir. Ela forçou seus músculos tensos a relaxarem, temendo que se tremesse aquela arma mortal dispararia.

– A menos quê…? – incentivou Nick em tom baixo.

– Cancele seus homens, Wylder. Deixe a remessa acontecer.

– Isso não está mais em minhas mãos, Chelston. A guarda aduaneira está ciente de toda a operação.

– Verdade, há pouco que posso fazer sobre Abbotsfield. Se o governo sabe de tudo, então é tarde demais para salvação. Isso não importa, uma vez que parece que você impossibilitou para que nós permanecêssemos na Inglaterra. Todavia, esta remessa final é valiosa, e preferia não a perder. Você pode enviar uma mensagem para seu capitão George, Wylder. Diga-lhe que estava enganado, e que as ordens originais devem permanecer: o navio dele deve continuar patrulhando o Rother.

Os olhos de Eve se abriram.

– Não – sussurrou ela, olhando para Nick. – Você não pode permitir que ele fuja.

– Você prefere morrer? – perguntou Chelston com zombaria.

Eve o ignorou. Manteve os olhos fixos em Nick.

Sinto muito. – Ela balbuciou as palavras, esperando que ele entendesse. Lady Chelston deu um passo à frente.

– Tudo depende do quanto nosso galante capitão valoriza a esposa.

Eve exclamou de maneira orgulhosa:

– Não acima do dever dele para com seu país! Eu não esperaria isso.

Nick olhou para o pequeno grupo de pessoas à sua frente e pesou as probabilidades. Com Richard e Sam armados, não duvidava que Shawcross, Chelston e a lady pudessem ser dominados, mas também não duvidava que o revólver pressionado contra a cabeça de Eve estava carregado, e que Chelston o usaria se fizessem uma tentativa de atacá-lo. Seu coração se comprimiu dolorosamente ao ver quão bravamente Eve se mantinha firme em sua posição. Ele lhe fitou os olhos castanhos suaves. Estavam escuros agora, as pupilas dilatadas como o único sinal de que ela estava com medo. Que Deus a abençoasse, mas Eve realmente acreditava que ele poderia colocar seu dever antes dela?

– Muito bem – disse ele finalmente. – Cancelarei a guarda aduaneira.

Eve deu um pequeno soluço.

– Não. – A voz fraca não passava de um sussurro. – Você foi enviado para cá com o objetivo de impedir isso – argumentou ela. – Quando descobrirem, você será arruinado.

– Sim, isso oferece outra reviravolta prazerosa neste episódio – murmurou Chelston. – O heroico capitão Wyldfire, um traidor para seu país.

Nick ignorou a provocação. Sinalizou para que Sam e Richard baixassem suas armas.

– Solte-a, Chelston, e você terá a minha palavra que não será interceptado esta noite.

– Não, não, capitão, você tem a minha palavra que uma vez que o Merle for carregado e partir navegando novamente, libertarei sua mulher – replicou lorde Chelston. – E não tenho medo dos seus barcos, uma vez que o Merle estiver se movendo. Eu o faria ultrapassar qualquer coisa que você possa ter em sua frota. Vá embora com seus homens agora, Wylder. Mande avisar os oficiais aduaneiros para que o barco costeiro permaneça vigiando a boca do rio Rother, e se certifique de que nada aconteça para impedir que este último carregamento chegue ao Merle, ou para impedir de meu pequeno grupo entre a bordo de meu iate em Hastings. Estamos de acordo?

– E minha esposa?

– Sra. Wylder será minha hóspede a bordo do Maestro, e nós assistiremos aos procedimentos de lá. E agora, capitão Wylder, peço que tome sua decisão rapidamente. Meu braço está começando a doer, e este gatilho é muito sensível.

– Que garantia tenho de que você cumprirá a sua palavra?

– Bem, nenhuma, meu bom capitão. Mas então, que garantia tenho que você irá cumprir a sua? – Ele riu suavemente. – A sra. Wylder é a minha garantia da passagem segura para fora do país. O tempo está correndo. Você precisa ir embora agora, se quiser que suas instruções cheguem ao capitão aduaneiro a tempo. Lembre-se, capitão Wylder, sua esposa está segura somente enquanto as coisas estiverem transcorrendo tranquilamente, de modo que é melhor você se certificar para que eu veja o barco costeiro na baía Rye esta noite. Irei observá-la quando nós passarmos por ela navegando no Maestro. Deste momento em diante, a sra. Wylder será acompanhada para todos os lugares por Shawcross, Catherine ou por mim; nós todos estaremos perdidos se formos capturados, então nenhum de nós tem medo de puxar o gatilho, não estou certo? – Chelston olhou para seus companheiros, antes de fixar os olhos em Nick novamente. – Se eu suspeitar que você está tentando me enganar, ela será a primeira a morrer. E então?

– Seu carregamento não será interceptado. Você tem a minha palavra quanto a isso.

Nick precisou de todo seu autocontrole para não reagir ao brilho de triunfo que viu nos olhos de Chelston. Tinha forçado uma expressão indiferente no próprio rosto, e mais uma vez, lutou para observar sem emoção quando Chelston puxou Eve para mais perto e alisou-lhe o rosto com o revólver.

– Então, minha querida, você confia nele? – Aquela voz melodiosa mexeu com os nervos tensos de Nick. – Afinal de contas, ele a enganou antes, não é? Deixou-a pensar que estava morto. Que tipo de truque é esse para se fazer com uma esposa amada?

Nick viu a raiva nos olhos de Eve, e a expressão desgostosa no rosto bonito. Ele lhe deu um sorriso triste, e perguntou:

– E então, querida?

Eve ergueu o queixo.

– Sim – respondeu ela em tom alto e claro. – Sim, confio nele. Inteiramente!

Apesar da situação desesperada deles, uma onda de felicidade percorreu Nick. Ele prendeu o olhar desafiador de Chelston.

– Se você a machucar, eu me certificarei que não viva para ver o dia amanhecer.

Os lábios finos de lorde Chelston se curvaram num sorriso.

– Não sou um selvagem. Cumpra sua parte no acordo, e ela será libertada. Shawcross, toque o sino, por favor. Nossos visitantes irão sair pela porta principal, eu acho.