Capítulo Dezenove
EVE PRECISOU de toda sua força de vontade para não gritar por Nick enquanto saía da sala. Assim que a porta se fechou, lady Chelston puxou uma das cordas da janela e amarrou os pulsos de Eve. Depois disso, Eve tornou-se o centro de um redemoinho de atividades. Foi obrigada a permanecer sentada passivamente, enquanto assistia as malas sendo arrumadas ao seu redor, ordens sendo gritadas e servos sendo dispensados. Sua inatividade forçada era profundamente frustrante. E, durante o tempo inteiro, lady Chelston, lorde Chelston ou Bernard pairavam ao seu redor, como um lembrete constante de que, se alguma coisa desse errado, ela seria a primeira a sofrer. Eve teve a esperança de que os homens de Nick ou oficiais aduaneiros atacassem Chelston Hall ou algo assim, então ficou um pouco desapontada quando uma hora se passou sem nada mais excitante acontecendo do que a criada de lady Chelston derrubando um vidro de perfume no piso de mármore do hall, e preenchendo o ar com o cheiro enjoativo de rosas em excesso. Disse a si mesma que Nick a estava protegendo, que ele não faria nada que pusesse sua vida em risco, mas irritava-a estar tão impotente. Lembrou-se das palavras do sr. Granby: Capitão Wyldfire corre com o vento, senhora. Bem, ele estava correndo com um vento muito perigoso agora, e ela não imaginava como Nick poderia virá-lo ao seu favor.
O trajeto para Hastings foi um pouco mais interessante, porém menos confortável, pois estava esmagada dentro da carruagem com lady Chelston e a criada da lady, que chorava no seu avental e declarava que não queria deixar sua família.
– Por que não posso ficar, milady, como o homem do lorde?
– Griffin não vai ficar, sua tola – retorquiu lady Chelston. – Ele ficou para empacotar o resto dos pertences, e nos seguirá o mais breve possível.
– Mas não gosto da água, senhora; sabe como fico enjoada!
Em resposta, lady Chelston tampou os ouvidos e disse a si mesma para se controlar, mas os soluços da criada apenas aumentaram. Eve desviou o olhar em desgosto. Do lado de fora das janelas, podia ver lorde Chelston e seu primo cavalgando ao lado da carruagem. Estava amarrada, e enquanto a carruagem chacoalhava sobre a estrada irregular, Eve foi obrigada a erguer as mãos e agarrar-se à correia pela maior parte da viagem mais desconfortável de sua vida. Entraram a bordo do Maestro em Hastings. Com as mãos amarradas, Eve achou difícil subir no iate, mas fechou os lábios teimosamente contra qualquer reclamação. Quando Bernard ajudou-a a subir no deque, ouviu lorde Chelston se dirigir ao primeiro marinheiro.
– Sr. Briggs, onde está seu capitão?
O homem assumiu a postura de atenção.
– Doente, milorde – replicou ele. – Disenteria. Indo ao banheiro…
– Sim, sim, não precisa me dar todos os detalhes. – Lorde Chelston acenou para dispensá-lo. – Bem, vá em frente, homem. Você sabe o que fazer.
Lady Chelston e sua criada imediatamente se recolheram numa cabine, a moça reclamando de enjoo, e Bernard levou Eve para um lugar tranquilo perto da popa do iate, enquanto os marinheiros descalços se moviam rapidamente, fazendo suas tarefas, preparando tudo para a saída ao mar. Para todo lado que Eve olhava, havia uma profusão de cordas, mastros de madeira e enormes velas que, para seus olhos inexperientes, faziam o Maestro parecer pesado demais. Enquanto a tripulação ajustava as velas para aproveitar ao máximo a leve brisa, ouviu o primeiro marinheiro informar a seu amo que, com tão pouco vento, seria praticamente impossível fazer um bom tempo de percurso. Se isso fosse verdade, então talvez o Merle também atrasasse sua chegada ao ponto de encontro; ninguém poderia culpar Nick por isso. Eve esperou até que a primeira atividade fervorosa de ajustar as velas tivesse acabado, então estendeu seus pulsos amarrados em direção a Bernard.
– Ficaria grata se você me desamarrasse agora. Afinal de contas, dificilmente poderia escapar daqui. – Ela olhou para a água acinzentada calma que os cercava. – Você sabe que não sei nadar, primo. Que mal eu poderia lhes causar aqui? – Ela dirigiu um olhar firme para lorde Chelston, do outro lado do deque, que assentiu.
– Solte a corda, Shawcross, mas fique de olho nela. – Ele se voltou para Eve. – Qualquer truque, senhora, e será amarrada e trancada lá embaixo. Entendeu?
Eve encontrou-lhe os olhos sem piscar.
– Perfeitamente.
Uma vez que seus pulsos estavam livres, Eve andou para a proa do iate, onde esperou que não ficasse no caminho da tripulação. Esfregou os braços, rezando para que a noite continuasse quente, uma vez que tinha apenas um xale de seda que lady Chelston lhe dera para protegê-la dos ventos gelados. O sol já se pusera, e a luz do dia não passava de uma linha acinzentada fina no horizonte. Não havia lua, e a única iluminação vinha das estrelas, que começavam a brilhar ao leste, embora acima de sua cabeça, a confusão de cordas, mastros e enormes velas tapassem o céu. Passou pela antepara, onde um número confuso de cordas estava amarrado, e inclinou-se sobre a borda, de modo que pudesse espiar o cordame no mar vazio diante deles. Apesar da falta de vento, o barco parecia viajar rapidamente sobre a água, a proa cortando as ondas sem esforço, com um balanço gentil que ela achava tranquilizante. O ar marítimo estava frio em seu rosto, e Eve podia sentir o gosto de sal nos lábios. Era revigorante, pois aquilo a lembrava de Nick. Bernard aproximou-se e se sentou ao seu lado. Eve encolheu os ombros e virou-se de costas para ele.
– Olhe, prima. – Ele apontou em direção à linha costeira com a antiga cidade de Rye sobre seu morro, erguida como uma fortaleza medieval. – Está vendo as velas ali? É o Argos, navegando na boca do rio Rother. O capitão George terá uma longa espera.
Eve não respondeu. O barco aduaneiro parecia muito distante, então não podia esperar ajuda de lá.
– O Maestro é um barco muito ligeiro – continuou Bernard. – Leve, com equipamentos muito bem pensados…
– Bernard – interrompeu Eve, com cansaço. – Você tem a menor ideia do que isso tudo significa?
– Significa, querida prima, que nós temos vantagem sobre qualquer embarcação do governo. Chelston me disse que o Maestro foi construído no mesmo estaleiro que o veleiro que está esperando que nossos barcos remem para lá com os cascos cheios de smouch. Significa – disse ele com grande deliberação – que mesmo que seu marido tente nos perseguir esta noite, não irá nos pegar. – Bernard deu um suspiro satisfeito. – É uma prática comum, acredito, que os construtores navais construam barcos tanto para os comerciantes livres quanto para os aduaneiros, mas são os comerciantes livres que conseguem os barcos mais velozes.
– Com tão pouco vento, não imagino que diferença isso pode fazer – observou Eve.
– Oh, ele logo ganhará velocidade. Por enquanto, nós não estamos com pressa. O Merle não é esperado no local de encontro até à meia-noite. – Ele se acomodou mais confortavelmente. – Parece muito escuro para mim. Mal dá para enxergar a mão na frente do seu rosto, mas soube que o grupo prefere dessa maneira.
– Como o Merle saberá que este não é um barco inimigo? – perguntou ela. Então acrescentou esperançosamente: – Talvez ele faça a volta e navegue para longe.
– Há sinais combinados previamente. Chelston me informou que nós devemos ser capazes de ver a remessa sendo transferida para o Merle, e quando estiver tudo feito, devemos seguir o barco para Boulogne. – Bernard estendeu o braço e pôs a mão sobre o ombro dela. – Estou ansioso para levá-la para praia, minha querida.
Furiosa, Eve tirou a mão dele de seu corpo.
– Lorde Chelston deu sua palavra que se a operação não fosse interceptada, eu seria libertada.
Ela viu o breve brilho dos dentes dele na escuridão.
– Sim, prima, mas lorde Chelston não disse onde. Se nós a deixarmos em Boulogne sem dinheiro, sem criada e sem bagagem, acho que você logo se encontrará em dificuldades. O que acha, prima? – Ele se inclinou para mais perto, até que ela pudesse sentir o hálito quente no rosto. – Uma jovem lady, desacompanhada, num porto movimentado… você não duraria cinco minutos. Muito melhor se colocar sob a minha proteção, minha querida. Ademais, acho que seu marido me deve alguma coisa por me obrigar a experimentar esta situação difícil, sem nem mesmo meu pajem para me atender. Pelo menos, terei você para aquecer minha cama…
Ela ergueu a mão e deu-lhe um tapa forte do rosto. Praguejando, Bernard levantou-se, sua forma escura agigantando-se sobre ela.
– Sua…
– Cale-se! – A voz de lorde Chelston cortou como um chicote através do deque. – Nós chegamos ao ponto de encontro.
Resmungando, Bernard saiu andando. Eve o observou ir com algum alívio. Olhou em direção à figura sombreada do lorde, andando de um lado para o outro no deque.
– O que acontece agora? – ela lhe perguntou no momento que ele se aproximou.
– Agora, nós sentamos e esperamos para ver se seu marido tem realmente palavra.
Uma escuridão pesada caiu, prendendo-os entre o céu aveludado, com suas infinitas estrelas brilhando, e a escuridão sedosa do mar. O único som era da água batendo gentilmente contra o casco, ou do ocasional movimento de uma vela acima de suas cabeças. Eve abraçou o xale ao seu redor, e perguntou-se o que poderia fazer quando chegassem a Boulogne. A ideia de permanecer sob a proteção de Bernard era impensável. Nick iria procurá-la, estava certa disso, mas quão breve? Talvez pudesse encontrar um padre que a recolhesse, até que Eve enviasse uma mensagem para Nick. Fechou os olhos, lembrando-se daquele último olhar que ele lhe dera antes de sair da sala de estar de Chelston Hall. Sem palavras, mas uma expressão nos olhos azuis que haviam prometido que a acharia. Era uma pequena esperança, mas era tudo que Eve possuía, e agarrou-se a esta com desespero.
– Aí está o barco, milorde.
O murmúrio baixo do primeiro marinheiro despertou Eve. Ela forçou os olhos até que lacrimejassem. No começo, não podia ver nada na escuridão, mas aos poucos, distinguiu o contorno do barco preto a distância. Um leve brilho, como um flash, surgiu na escuridão. Um dos membros da tripulação de lorde Chelston balançou um lampião em resposta, e um murmurinho de antecipação se espalhou ao redor do deque. Eve permaneceu ao lado do parapeito, observando e observando. Minutos se passaram. Finalmente, um pequeno movimento lhe chamou a atenção; podia ver uma fila de pequenas formas na água, aproximando-se do Merle. Sabia que aqueles deviam ser os barcos longos, carregados com caixas do chá falso para serem transferidas para o veleiro. Sua pulsação acelerou. Talvez Nick e seus oficiais tivessem substituído os homens do barco longo e estivessem neste exato momento a bordo do Merle, dominando a tripulação e capturando o barco para a coroa. Talvez… Uma série de luzes piscou do contorno preto do barco, e Eve ouviu lorde Chelston dar um grito de satisfação.
– Ótimo. Tudo está bem; o barco está carregado. Algum sinal de barcos inimigos, Briggs?
– Não, Sir.
O coração de Eve entristeceu quando viu os barcos pequenos se afastando do Merle. Daquela distância, pareciam uma fileira de pérolas numa cama de seda escura. Depois que o Merle começasse a navegar, havia pouca chance de que os oficiais aduaneiros pudessem impedir o barco de chegar a Boulogne. A tristeza a assolou. Uma vez que fosse descoberto que Nick permitira que os contrabandistas escapassem, a reputação dele estaria perdida. E ela era culpada. Nick havia sacrificado tudo numa oferta desesperada de salvá-la. Eve endireitou os ombros. Não devia estar deprimida; se as histórias que ouvira pudessem ser acreditadas, o capitão Wyldfire se recuperara com sucesso de situações piores que aquela. Por enquanto, havia pouco que ela pudesse fazer, exceto permanecer alerta. Enquanto observava os formatos pretos dos barcos longos deslizarem em direção à praia, uma questão lhe ocorreu.
– O que acontecerá com estes homens?
Chelston deu de ombros.
– Não tenho ideia.
– Mas você poderia tê-los avisado. Se retornarem a Abbotsfield, serão presos.
– Isto não é problema meu. Não têm mais uso para mim.
– Como você pode ser tão frio? – Ela meneou a cabeça com incredulidade. – Não tem consideração pelas pessoas que abandonou?
– Não, nenhuma. – Lorde Chelston pôs seu telescópio no olho, e lentamente virou-se, estudando o mar. – Bem, bem, o Merle está a caminho, e não há nenhum outro barco à vista. Wylder cumpriu sua palavra. Ele deve realmente amá-la, minha querida.
– Oh, eu a amo, Chelston. Nunca duvide disso.
– Nick!
Eve correu pelo deque em direção à figura alta e familiar que apareceu perto do mastro principal. Nick a puxou para si com uma das mãos, enquanto o revólver na outra nunca desviava de seu alvo, que era o coração de lorde Chelston. Ela notou que Richard Granby estava ao lado dele, sua arma mirando em Bernard, que tinha erguido ambas as mãos. Mesmo no escuro, conseguiu ver que ele estava tremendo. Nick inclinou-se para lhe plantar um beijo no topo da cabeça.
– Machucaram você, querida?
Ela o abraçou, pressionando o rosto contra a lã áspera do casaco de Nick.
– Não, de forma alguma. Mas eu estou tão feliz em ver você.
– Maldito Wylder, de onde você veio? – exclamou lorde Chelston.
– Estava no espaço entre os deques com Richard. Nós não queríamos estragar a surpresa, permitindo que você nos visse cedo demais.
– Muita esperteza de sua parte, quando vocês estão em número menor do que a minha tripulação. Pegue-os!
Eve arfou quando Chelston se deitou no chão, mas Nick não se moveu. Não houve tiros, nem tentativa de colocar a mão sobre Nick, que meramente riu.
– Levante-se, Chelston, você parece muito tolo deitado aí. Acho que irá descobrir que os membros da tripulação não são mais seus homens. Eu os contratei.
– Você fez o quê? – Estava muito escuro para ver o rosto de Chelston, mas Eve podia ouvir a perplexidade na voz dele.
– Eu os contratei. Você os mantinha muito tempo em terra firme, Chelston, e com meio salário, também. Um erro, mas embora estivessem ansiosos para voltar ao mar, nem um único marinheiro queria virar pirata, no que eu os convenci que eles se tornariam se seguissem você. Admito que foi a recompensa que ofereci pela sua captura que finalmente os persuadiu a passarem para o meu lado. Desejo possuir o Maestro também; afinal de contas, você não terá uso para o barco agora. É claro, seu capitão não pôde ser comprado, então tivemos de deixá-lo para trás, mas acho que quando descobrir sobre sua prisão, irá considerar em anular o contrato que tem com você. – Nick ergueu o tom de voz: – Sr. Briggs, leve-os à popa e amarre-os, por favor.
– Sim, sim, capitão.
Eve agarrou-lhe o casaco.
– Nick, lady Chelston…
– Seguramente trancada em sua cabine, querida. Acho que ainda não tem ciência do que está acontecendo; tomou uma dose de láudano assim que o barco entrou em movimento.
– E a criada?
– Trancada com a lady. Foi medicada contra enjoo, mas ainda parece decididamente verde. E quanto a você, meu amor, sem enjoos do mar?
Eve meneou a cabeça.
– Fiquei no deque o tempo inteiro.
– Esta é a minha garota. – Ele apertou o braço ao seu redor, puxando-a contra seu peito. Guardou o revólver no bolso do casaco, antes de segurar o queixo de Eve na mão e inclinar-lhe o rosto em direção ao seu. – Tem certeza de que você não está machucada?
– Sim, tenho certeza.
– Você sentiu medo?
Ela lhe sorriu de forma adorável.
– Não. Eu sabia que você viria para mim.
Nick jogou a cabeça para trás e riu.
– O quê? Sem acesso de nervos, sem crises de choro? Você é uma mulher feita para o meu coração, Evelina! – Ele a fitou, subitamente sério, e disse em tom suave: – Não! Você é o meu coração!
Estava escuro para ver o semblante dele claramente, então Eve levantou uma das mãos e tocou-lhe o rosto. Um músculo no maxilar forte tremeu sob seus dedos, então ele a puxou ainda para mais perto, até que ela pudesse sentir o corpo másculo contra o seu. Nick abaixou a cabeça, virando-lhe o rosto para si. No instante seguinte, cobriu-lhe a boca com a sua, num beijo ardente e possessivo. Eve pressionou-se contra ele, consumida por um desejo feroz, até que as mãos de Nick se moveram para seus ombros e ele a afastou um pouquinho.
– Vamos com calma, querida – disse ele, trêmulo. – Muito mais disso e terei de tomá-la aqui, no deque. Pense como isso chocaria o pobre Richard!
Ela o olhou, zonza, atordoada. Tudo que sabia era que o queria. Conseguiu uma risada trêmula.
– Eu disse que não tive medo, mas isso não é verdade. Temi que nunca mais fosse ver você.
Nick acariciou-lhe o rosto gentilmente.
– Você nunca poderá imaginar quanto me custou deixá-la em Chelston Hall.
Ela lhe cobriu a mão com a sua, e esfregou o rosto contra os dedos de Nick.
– Está tudo acabado agora…
Eve parou diante de um súbito grito de alarme. Nick olhou para cima, e instantaneamente empurrou-a para longe de si. Quando ela atingiu a antepara, viu lorde Chelston avançando para cima de Nick, que caiu no deque com um gemido de dor. Chelston endireitou o corpo. Houve um flash quando o céu estrelado brilhou sobre a lâmina na mão dele. Eve pegou um pino de metal da antepara e jogou-o com o máximo de força que foi capaz, atingindo o braço de Chelston com um barulho como se um osso tivesse se quebrado, e a faca caiu no chão. Houve uma pausa infinitesimal, um breve momento de imobilidade para que Eve recuperasse o fôlego antes que fosse cercada por homens. Um marinheiro gentilmente tirou mais um pino de seus dedos, enquanto outros dois punham as mãos em lorde Chelston, que gritava de dor. Richard Granby estava ajudando Nick a se levantar, o sr. Briggs pairava ao lado dele, ansioso para pedir desculpas.
– Sinto muito sobre isso, capitão. Estava parecendo tão quieto, e me distraí por um instante…
– Sim, bem, não arrisque mais nada com este homem – replicou Nick, levando a mão à lateral de seu corpo.
– Você está ferido – disse Eve, a voz não muito firme.
– Não foi nada sério – replicou ele. – Chelston atingiu meu ferimento, mas nenhum dano foi causado, espero. Um golpe certeiro, Evelina. Muito bem, meu amor. – Nick estendeu-lhe uma mão e olhou por sobre a cabeça dela para se dirigir ao primeiro marinheiro. – Briggs, leve lorde Chelston daqui e amarre-o com segurança desta vez… e cuidado com o braço dele; acho que está quebrado. Agora, sr. Granby, vamos navegar e ver se capitão George capturou o Merle.
– Mas como pode ter feito isso? – Eve franziu o cenho. – O Argos ainda está em Rye Bay. Vi com meus próprios olhos, quando nós saímos de Hastings.
– O barco dele pode estar em Rye, mas o capitão George e seus homens devem estar perto de Boulogne a essas alturas, como hóspedes de Silas e o irmão de Silas no velho barco a remo!