Capítulo Vinte e Um

FOI NO fim da manhã que Eve recebeu uma mensagem de Nick. Estava sentada na pequena cafeteria da estalagem quando Martha entrou com um bilhete. Eve quase lhe arrancou o papel das mãos.

– Hum – murmurou ela, lendo com rapidez. – Tipicamente dominador. Sem um pedido de desculpas, apenas diz que estará aqui assim que possível. “Eu pedi que o jantar fosse servido no seu quarto.” Hah! Eu estou tentada a ir contra tal ordem.

– Ooh, srta. Eve, suplico que não faça isso! O capitão não a quer comendo com o povo comum.

– Nós poderíamos usar esta sala. Bem – disse ela, enquanto Martha mudava o peso do corpo de um pé para o outro, desconfortavelmente –, por que não?

– Bem, senhorita, você sabe, Richard e eu… – Martha quase se contorceu diante dela.

– Ah, eu entendo – replicou Eve, tentando não sorrir. – Você está planejando um jantar particular com o sr. Granby. Como sua empregadora, talvez eu deva perguntar-lhe se as intenções dele em relação a você são honráveis.

– Não, senhorita Eve, por favor, não faça uma coisa dessas! É só um jantar, afinal de contas, e é melhor para nós dois do que ficar ouvindo as conversas fúteis na cozinha. Estava tão preocupada com ele, sabe…

– Muito bem, Martha, mas você precisa me prometer que irá se comportar. – Eve olhou para o lado de fora da janela. – Agora, o sol está brilhando, e eu gostaria de tomar um pouco de ar. Nós iremos sair.

– E se o capitão vier procurá-la, srta. Eve?

Ela ergueu o queixo.

– Então não me encontrará. Deixe-o ficar irritado e esperar por mim. Pegue meu xale, por favor, Martha, e o seu. Iremos explorar a cidade, depois andaremos até a igreja para admirar sua bela arquitetura!

Eve voltou do passeio na cidade sentindo-se muito mais revigorada, e se ficou desapontada ao descobrir que Nick não estava esperando por ela, não admitiu isso. Ainda era cedo, e Eve pediu que Martha fosse descobrir se era possível para ela se banhar antes do jantar. Enquanto os servos da hospedaria construíam o fogo e subiam a escada em caracol com baldes de água, Eve voltou sua atenção para as roupas que Martha estava separando para seu uso.

– Este é meu vestido cor de creme, Martha. Você não tem nada menos… ostentoso?

– Não, senhorita, somente o vestido que você usou o dia inteiro.

– Mas o vestido cor de creme faz parte de meu enxoval.

Martha deu-lhe um olhar dissimulado.

– Bem, então é, senhorita, mas é muito romântico, também.

Eve deu de ombros e virou-se, sabendo que qualquer protesto seria perda de tempo, e provavelmente levaria ao seu próprio desconforto. Permitiu que Martha a despisse, e entrou na banheira para apreciar a água quente aromática. O banho era muito relaxante, mas conforme a hora do jantar se aproximava, seu nervoso aumentava. Ela terminou de se lavar, vestiu uma combinação limpa e deixou Martha prender seus cabelos no topo da cabeça. Então olhou para o vestido de seda cor de creme estendido sobre a cama. O decote baixo parecia zombar dela.

No momento que sua criada pegou o espartilho, Eve falou.

– Amarre-o bem apertado, Martha.

– Muito bem, senhorita.

A sensação do espartilho lhe apertando as costelas lhe provocou visões de cavaleiros em armaduras inflexíveis. Não muito distinto de seu encontro iminente com seu marido.

– Mais apertado – ordenou ela, acrescentando em tom baixo: – Não quero me divertir esta noite.

Martha a ajudou com o vestido e ajeitou as pregas da saia sobre a anágua cor-de-rosa. Não foi até que o corpete do vestido estivesse fechado que Eve percebeu que o efeito do espartilho não era o que ela desejava. Podia se sentir restrita e desconfortável, mas o tecido apertado acentuava sua cintura fina, e pressionava seus seios de uma maneira que enchia o decote baixo do vestido, e chamariam a atenção de qualquer homem. E Nick era definitivamente homem. Bem, não havia tempo de pedir que Martha a despisse novamente agora.

– Você trouxe um lenço na mala para mim, Martha?

– Sim, senhorita, mas…

– Ache-o, por favor.

Cinco minutos depois, Eve olhou com satisfação para o lenço de musselina que cobria seu peito.

– Pronto, assim é muito melhor. – Muito mais seguro. – Agora, Martha, se você for buscar os utensílios para pôr a mesa do jantar e remover todas as coisas do banho daqui, pode tirar sua folga e se juntar a Richard Granby.

Eve não sabia se desejava ou temia a aparição de Nick. Andou de um lado para o outro, depois que a banheira, a água e as toalhas foram levadas embora, e a pequena mesa foi aberta e arrumada para o jantar. Martha e os empregados da hospedaria trabalhavam com rapidez e eficiência, acendendo as velas, fechando as cortinas e construindo o fogo para espantar o leve frio da noite. Eve os observou trabalhar, pensando que quanto mais tempo eles levassem para realizar suas tarefas, mais ela poderia adiar seu encontro com Nick.

Os passos apressados de botas do lado de fora da porta lhe disseram que estava enganada.

Nick entrou, trazendo consigo um senso de urgência que fez os servos se apressarem em suas tarefas e saírem.

– Por favor, perdoe-me a informalidade, Eve. – Ele lhe fez uma reverência. – Permitirá que jante com você neste traje?

O coração de Eve disparou quando ela o olhou. Nick estava vestido como estivera na primeira vez que ela o vira, em calça de camurça e botas de cano longo. O casaco de montaria feito sob medida, a camisa branca impecável e a gravata falavam do galanteador elegante da cidade, mas o rosto bronzeado e o brilho travesso nos olhos azuis pertenciam ao aventureiro. Ele abriu as mãos no ar e murmurou de modo apologético:

– Mandei uma mensagem para Monkhurst, pedindo que minhas roupas fossem trazidas para cá, mas estas foram as melhores que consegui reunir.

Eve pegou-se respondendo ao sorriso preguiçoso dele.

– Então estas servirão, Sir. Ela percebeu que Martha pairava perto da porta, e gesticulou para dispensá-la. – Sim, sim, você pode ir, Martha. Eu a chamarei, se precisar. – Olhou para Nick, sentindo-se estranha agora que eles estavam sozinhos. – Acredito que Martha irá jantar com seu homem esta noite, Sir. Espero que você não faça objeção?

– De forma alguma. Richard me contou que quer tornar Martha uma mulher honesta, então sugeri que jantassem na cafeteria esta noite.

– Oh. É por isso que nós devemos comer aqui?

– Não, querida. Iremos comer aqui porque é mais conveniente.

Ela observou o breve olhar de Nick na direção da cama, e uma onda de excitação a percorreu. Eve reprimiu-a rapidamente. Ele se aproximou, franzindo o cenho de leve.

– O que é isto ao redor de seu pescoço?

– O quê? Oh, isto. – Ela tocou o lenço de musselina. – Estava… um pouco frio aqui.

– Bem, o fogo está queimando agora, de modo que você não precisará mais disto. – Antes que percebesse o que Nick ia fazer, ele lhe removera o lenço e o pusera de lado. Eve sentiu um rubor subir ao seu rosto quando os olhos dele pousaram em seus seios cheios e arredondados. Nick segurou-lhe os ombros, murmurando suavemente:

– Agora, por que você queria esconder tamanha beleza?

Ele abaixou a cabeça escura e ela sentiu lábios sensuais roçando a pele sensível logo acima do decote do corpete. Seus seios enrijeceram imediatamente. Eles pareciam querer escapar do confinamento e se oferecerem para a boca de Nick. Ela perdeu o fôlego. Bom Deus, por que ele a afetava tanto?

– Eu… não queria distrair você. – Eve conseguiu dizer, sua voz falhando pateticamente. Outra respiração profunda, outra tentativa de controlar seus sentidos atordoados. – Nós temos coisas a discutir, Sir.

Nick levantou a cabeça.

– Ah.

Uma batida à porta anunciou a chegada do jantar. Enquanto dois garçons punham suas travessas sobre a mesa, Nick escoltou Eve para lá. Os dedos queimavam através da manga de seda de seu vestido. Deus, um único toque, e ela estava tremendo de desejo! Olhou para a comida colocada sobre a mesa… sopa, carne, cogumelos, torta de maçã… e seu apetite desapareceu. Nick ocupou seu lugar à mesa e observou Eve brincando com a comida. Alguma coisa estava errada. Estava chateada; ele podia ver isso no rosto delicado, na postura dos ombros curvados. Eve lhe contaria o que a perturbava, antes que a noite terminasse. Noite. Queria erguê-la em seus braços agora, carregá-la para cama e fazer amor com ela. Apenas tal pensamento o excitava. Eve estivera certa em colocar aquele lenço ao redor dos ombros. A visão dos seios arredondados se pressionando contra o decote do vestido o distraía demais. Ele sorriu, esperando parecer tranquilizador enquanto servia mais vinho em suas taças.

– Sugiro que adiemos a nossa… conversa, até que tenhamos comido.

Ele cortou algumas fatias de carne para tentar o apetite de Eve, serviu-a de alguns cogumelos e de um pedaço de torta de maçã. Ela comeu como quem cumpre um dever, e Nick ficou aliviado ao ver um pouco de cor retornar ao rosto dela. Os garçons entraram com outros pratos, incluindo um ragu de carneiro e uma torta doce. Eve estava mais no comando de si mesma, e conseguiram falar de coisas comuns até que estivessem sozinhos mais uma vez.

– Então, sua investigação foi concluída agora? – perguntou ela, comendo um pedaço da torta.

– Sim. – A ponta da língua de Eve deslizava pelo lábio inferior de um jeito incrivelmente sensual. Ele desviou os olhos. – Sim – repetiu. – Fiz meus relatórios. O capitão George irá levar os prisioneiros para Londres. Talvez eu precise ir à cidade em algum estágio, mas meu trabalho aqui terminou.

Ela assentiu.

– Você está ansioso para retornar ao seu lar, então. Em Yorkshire.

– Há assuntos que requerem minha atenção, sem dúvida. – Agora, para onde aquela conversa os estava levando? – Administração de propriedades pode ser tedioso, eu sei, mas deve ser feita.

Eve estava evitando os olhos dele, olhando para a taça de vinho quando murmurou:

– Você preferiria estar no mar, eu acho.

– Evelina… – Nick estendeu o braço sobre a mesa para lhe pegar a mão, mas ela a tirou de seu alcance. Quando os garçons retornaram naquele momento, ele deixou o assunto morrer, mas esperou com impaciência enquanto a mesa era tirada.

– Está bom assim – disse ele finalmente. – Deixem a garrafa e as taças. E vocês não precisam mais voltar. – Nick sorriu mais uma vez para Eve. – Toma mais um pouco de vinho comigo, senhora? Um brinde a um trabalho bem-feito.

– Muito bem, Sir. Mas agora eu acho que nós deveríamos… precisamos… conversar.

Ele se levantou da mesa e lhe estendeu a mão.

– Nesse caso, vamos nos sentar perto do fogo?

Nick a conduziu para uma das duas poltronas posicionadas de cada lado da lareira. Ela se sentou e passou alguns momentos ajeitando suas saias. Um cacho escuro escapou do penteado e caiu sobre a pele alva do ombro delgado. Ele resistiu à tentação de tocá-lo, ocupando a poltrona oposta, em vez disso.

– Agora, minha querida, o que você quer me dizer?

Eve não lhe respondeu, mas manteve os olhos baixos, os dedos alisando as pregas da saia.

– Eve?

Ela levantou a cabeça então, os olhos escuros fixando-se nele.

– Você disse que deve retornar para Yorkshire logo. Entendo isso. Afinal de contas, lá é seu lar. Eu gostaria de saber se, talvez, quando você for para o norte, permitiria que eu continuasse em Monkhurst?

Nick ficou muito imóvel. Tinha a estranha sensação que seu mundo estava balançando, prestes a desmoronar. Agora, quando finalmente sabia o que queria, ela estava prestes a lhe tomar tudo aquilo? Falou baixinho:

– Você se arrepende de nosso casamento.

Ela olhou para cima rapidamente.

– Não! Isto é… – Eve suspirou, e agitou as mãos no ar num gesto de impotência. – Você se casou comigo para conseguir Monkhurst. Eu sei isso, e não estou zangada. Sei que você não pretendia… consumar a união. Acredito que realmente pensou que se… se nós não fôssemos adequados um para o outro, então o casamento poderia ser anulado. – Ela deu um pequeno sorriso irônico. – Não funcionou exatamente assim, certo? Nós estamos atados agora. Irrevogavelmente.

Ele deu de ombros. Uma mão gelada estava apertando seu coração.

– Nós somos marido e mulher, querida. Para o melhor e para o pior. Até que a morte nos separe.

Nick se censurou silenciosamente. Não pretendera que as palavras soassem tão duras. Viu um brilho de alarme no rosto de Eve. Ela se levantou da poltrona e começou a andar pela sala.

– É tão cruel, Nick. Tão injusto. Nós somos tão diferentes. Você anseia por aventura, por excitação; capturando contrabandistas, lutando por uma causa, arriscando sua vida… é isso que você faz. Eu o observei, a bordo do iate, lidando com os marinheiros. É um líder natural, Nick. E… quando estava conversando com Silas, sobre sua vida no mar, tudo se tornou claro para mim. Você já sente falta dessa vida. – Ela se virou para ele, os olhos escuros e tristes. – Uma vida de domesticidade tranquila não o faria feliz, Nick. Você sofreria, e eu não quero que sofra. Deve ser livre para fazer o que gosta. Eu sei disso, mas não suporto a incerteza de sua vida, sabendo que cada vez que você sai para uma jornada, talvez não retorne. Eu preferiria dizer… adeus agora, e viver sossegada em Monkhurst a sofrer esse tipo de agonia constantemente.

Nick fechou os olhos e respirou lentamente. O mundo estava se endireitando outra vez.

– Pensei que nós pudéssemos viver aventuras juntos.

Eve pôs as mãos no rosto e meneou a cabeça. Por que ele não ouvia? Por que estava dificultando tanto as coisas? Ela precisava fazê-lo entender.

– Não – disse Eve. – Não entende? Eu seria um estorvo para você. – Ela baixou as mãos nas laterais do corpo. – Desta vez, arriscou tudo para me salvar. Eu sei, gosto de pensar que você faria tudo novamente – acrescentou com um sorriso triste. – Mas nem sempre será capaz de salvar o mundo e me salvar, também.

Nick estava fora de sua poltrona tão rapidamente que ela só teve tempo de piscar. Ele parou na sua frente e pôs as mãos em seus ombros.

– É isso que você acha? – questionou Nick. – Que não posso ser feliz, a menos que esteja enfrentando perigo? Meu doce anjo, talvez esse possa ter sido o caso no passado, porém não mais. Minha vida mudou quando a conheci; subitamente tinha alguém para quem viver. – Ele a fitou, os olhos azuis mais sérios do que ela já vira. – Eve, quando Bernard Shawcross me baleou, pensei que seria melhor deixar todos pensarem que eu não estava mais vivo. Acreditei que eu pudesse pegar Chelston e a gangue dele e voltar para você sem deixá-la saber de nada. Então você me escreveu para contar sobre o falecimento de seu avô. Aquele foi o pior momento da minha vida, querida. Eu não podia estar ao seu lado para confortá-la em sua perda, e, pior ainda, eu a tinha colocado em perigo. Jurei então que, quando tudo isso acabasse, eu nunca mais a colocaria em risco. E falo sério, Eve. Pretendo ser um marido modelo de agora em diante.

Eve piscou, tentando clarear as lágrimas quentes que nublavam seus olhos e fechavam sua garganta, dificultando para que ela falasse.

– Eu gostaria de acreditar em você, Nick, mas não consigo. Ouvi o que Silas falou, sobre o mar. O mar nunca liberta…

Nick pegou-lhe as mãos agitadas e segurou-as com firmeza, seus polegares circulando o interior dos pulsos delicados, a carícia acalmando-a.

– Silas tem alma de marinheiro, mas eu – um sorriso repentino iluminou os olhos azuis –, sou mais um aventureiro. Eu apreciei a marinha, mas posso deixá-la por um novo desafio, e há muitos desses pela frente. Nós estamos vivendo numa época de excitação, Evelina. Em minha nativa Yorkshire há fábricas iniciando para fiação e tecelagem, com novas barcaças prontas para carregar o máximo do que for produzido para Londres ou para a costa. A Inglaterra também está mudando, Eve, e nós devemos ser parte disso. Eu não preciso deixá-la, querida; há mais do que desafios suficientes para um homem no meu país, especialmente para um homem com uma esposa ao seu lado. – Ele lhe apertou os dedos. – Bem, o que você me diz? Estou lhe oferecendo tudo, Eve, meu coração, assim como minha mão. Eu a amo, sabe? Vai dividir sua vida comigo?

Eve lhe estudou o rosto. Não havia sinal de tranquilidade ou alegria no semblante de Nick, apenas a expressão séria e ansiosa de um homem esperando o resultado de seu destino. Tal vulnerabilidade demoliu as últimas defesas de Eve.

– Sim – sussurrou ela. – Oh, sim, Nick!

Lentamente, a expressão séria desapareceu, substituída por um misto de amor, triunfo e felicidade. Nick a envolveu nos braços, e ela se derreteu contra o corpo forte. Nick lhe cobriu a boca com a sua e a beijou de maneira tão profunda e longa que seus sentidos começaram a girar. Eve se inclinou contra ele, tonta e ofegante. Sentiu mãos grandes em seus ombros.

– Abra os olhos – murmurou ele. – Preciso que você se levante.

Ele estava abrindo o cordão de renda de seu corpete, os dedos longos trabalhando com ritmo firme.

– O que você está fazendo?

O olhar sedutor que Nick lhe deu tornou a pulsação dela ainda mais errática.

– Este é um lindo vestido, querida, mas está no meu caminho.

O calor inundou o baixo ventre de Eve. Foi um esforço permanecer imóvel quando ele tirou os cordões dos últimos ilhós e abaixou o corpete pelos seus ombros. A seda caiu no chão como um sussurro, e Eve se sentiu enrubescer. Ocorreu-lhe que suas faces deveriam estar da cor de sua anágua cor-de-rosa. Começou a desabotoar o colete de Nick, causando um brilho de desejo nos olhos azuis. Uma vez que o ajudou a remover paletó e colete, as mãos de Nick foram para sua cintura e pararam. Ele inclinou a cabeça para trás, uma expressão perplexa no rosto.

– O que é isto? – perguntou, apertando o grande enchimento almofadado preso às costas dela.

– É um falso traseiro. – Eve reprimiu uma risada. – Está na moda.

– Bem, nós não precisamos disto – disse ele, soltando as amarras e jogando-o de lado. – Temos um traseiro perfeito sem isso. – Como se para provar suas palavras, Nick segurou-lhe as nádegas com as mãos e puxou-a para si. Eve arfou, sentindo-o rijo e excitado contra sua barriga. Ele baixou a cabeça e trilhou uma linha de beijos leves ao longo de seu pescoço, fazendo-a gemer baixinho. As mãos másculas se moveram para a cintura dela novamente. – Estou com vontade de usar uma faca neste espartilho – murmurou ele quando seus dedos puxaram as fitas. – Isto é camada após camada de armadura.

Ela riu, sentindo seu poder sobre Nick.

– É exatamente uma armadura, para me proteger de suas intenções maliciosas.

Nick ergueu-lhe o queixo e olhou para ela.

– Você quer ser protegida de mim?

Derretendo-se por dentro, Eve umedeceu o lábio inferior com a língua e meneou a cabeça. Não achava que poderia falar. Os olhos azuis ardentes prendiam os seus, enquanto dedos hábeis soltavam as fitas do espartilho. A fricção vibrava contra o corpo dela, enviando ondas de prazer para seus membros. Depois de livrá-la do espartilho, Nick removeu-lhe a combinação e abraçou-a, pressionando-lhe a carne contra a sua. Por uma fração de segundo, permaneceu congelada de prazer, arqueando-se em direção a ele, então o mundo explodiu ao redor deles. Nick beijava seu pescoço, seu rosto, suas pálpebras. Estavam ambos ofegando, os olhares selvagens enquanto o restante de suas roupas era descartado. Com um gemido, Nick ergueu Eve nos braços e carregou-a para cama. Ela se agarrou a ele, puxando-o para cima de seu corpo, envolvendo as pernas ao redor da cintura dele, como se para uni-lo a si para sempre. Eve entrelaçou os dedos nos cabelos de Nick, guiando os lábios dele de volta para os seus, onde lhe devolveu beijo por beijo. Aquele não era um abraço gentil, era uma possessão feroz e furiosa, e Eve deleitou-se em cada segundo do ato de amor. Deslizou as mãos pelas costas largas, explorando os contornos, encantada com a sensação dos músculos poderosos se ondulando sob a pele. As mãos de Nick passearam pelo seu corpo, acariciando e excitando, até que ela gemeu, arqueou as costas e impulsionou os quadris para a frente, convidando-o a penetrá-la. Ele mudou de posição, cobrindo-a com seu peso, seus corpos se movendo juntos, cada vez com mais força e velocidade, até que Eve não pôde mais controlar sua própria resposta. Enterrou as unhas nas costas largas de Nick, gritando quando um espasmo de puro prazer a percorreu. Ouviu Nick gritar. Ele investiu uma última vez, e Eve se sentiu caindo de uma grande altura. Nick rolou e caiu ao seu lado sobre os lençóis emaranhados. Estendeu um braço e pegou-lhe a mão, entrelaçando os dedos nos seus.

– Bem, senhora, você está satisfeita?

Eve virou a cabeça para olhá-lo. O peito nu subindo e descendo com a respiração acelerada, a pele brilhando e dourada na luz das velas. Ela sorriu.

– Por ora.

Nick ergueu-se sobre um cotovelo e estudou-a.

– Por ora, hum? – Ele trilhou um dedo de leve sobre os seios dela, que enrijeceram imediatamente ao seu toque. – Você será um desafio, sra. Wylder.

Eve descansou as mãos sobre a barriga.

– Acho que talvez tenhamos outro desafio à nossa frente, Nick. É muito cedo para ter certeza, mas…

Ele a olhou, as sobrancelhas levemente unidas, então os olhos azuis se iluminaram e Nick deu um sorriso amplo.

– Oh, Deus, nunca pretendi que isso acontecesse.

Eve sentou-se.

– Oh, você não está feliz? – perguntou ela, ansiosa.

– Feliz? – Nick a puxou para si. – Acho que devo ser o homem mais feliz do mundo! Oh, mas você não deveria estar descansando? Eu não deveria tê-la beijado, ou… você sabe?

Ela sorriu.

– Não acredito que precisamos desistir de nossos prazeres por enquanto, meu amor.

Nick deitou Eve novamente na cama e lhe beijou o nariz.

– Agora, esta é uma notícia boa. Porque acabo de perceber que nós ficamos separados pela maior parte de nossa vida de casados. Temos de compensar o tempo perdido.

Eve permitiu que seu olhar descesse pelo corpo de Nick. Um sorriso travesso curvou seus lábios.

– Bem, temos a noite inteira, meu amor…