NIGHT BIKERS

 

Quem o visse em sua bicicleta a pedalar lentamente pelo aclive da avenida Angélica, como o vemos agora – nesta folha de papel que se evaporaria num instante, se o outro homem, caminhando pela rua da Consolação, aproximasse dela a chama de seu isqueiro –, não imaginaria que ele, para serenar o espírito atiçado pelo trabalho, tem por hábito mapear a cidade, à noite, com sua mountain bike e seus silenciosos demônios.

Chama-se Aurélio o primeiro; Abreu, o segundo. Estão em bairros próximos, mas não sabem da existência um do outro. Este sente o chão em seus pés, pisando na própria sombra; aquele pedala suavemente, as mãos acariciando as manoplas; o vento escreve uma trama invisível no rosto de ambos.

São nove horas no relógio de pulso de Aurélio, nove e três no da rua, fora do campo de visão de Abreu. A cidade, ensombrecida, mudou de mãos. Outros são seus dínamos, outra a cor de suas farsas. O fluxo de veículos ainda é intenso, largo o labirinto de avenidas iluminadas e ruas no escuro, só poetas e larápios costumam sair a essas horas sem destino.

Nas ruas, os fatos se sucedem à revelia, uns grudados aos outros, como os passos de Abreu, ou as pedaladas de Aurélio, e, assim, a noite vai tecendo sua rede.

É a primeira vez que Aurélio sai pela noite em busca de companhia. Boa ou má, não se sabe, mas ruidosa e alegre, como o são as pessoas em confraria. Na reportagem de uma revista, leu sobre um grupo de ciclistas que se reuniam todas as quintas-feiras na praça Benedito Calixto. Dali, os night bikers partiam para um giro, improvisando o itinerário, parando em bares ao ar livre, à frente de clubes e danceterias.

Abreu, ao contrário, cumpria a rotina de bandear com os amigos, estranhamente não os encontrou hoje nas rodas de sinuca. É sua primeira caminhada solitária. Segue pela calçada sombria, fumando com avidez; de certa forma, a solidão o alivia.

Os dois homens caminham por ruas distintas, mas podem se avizinhar como um rio que, à certa altura, permite a aproximação de suas margens longínquas.

Aurélio atingiu o ponto mais íngreme da avenida; dali em diante terá uma reta mínima, depois contornará a praça dos Arcos rumo ao cemitério do Araçá, para enfim chegar à outra praça, de onde sairão os ciclistas. À beira do meio-fio, pode-se notar seu rosto, iluminado pela lâmpada de um poste.

Na rua da Consolação, a distância entre um poste e outro obriga Abreu a caminhar em contínua semiobscuridade. Suas feições se confundem com as sombras da noite, impossível ler em seu rosto a sua história, embora esteja ali, linha por linha.

O ciclista chegou à subida da Angélica; o outro, em poucas passadas, desceu duas quadras da Consolação. Estão em ruas paralelas, uma transversal os uniria, mas cada um segue a trilha de seu arbítrio.

Aurélio engata uma marcha mais forte, a correia salta de uma catraca para outra com um pequeno estalido, imprime um ritmo mais ágil ao seu passeio, quase uma corrida, quando atinge a avenida Dr. Arnaldo, à direita os muros do cemitério, inúteis em sua missão de cercar os mortos, como se existisse para eles território demarcado. O próprio ciclista pedala bravamente rumo à morte, ela o aguarda em algum semáforo, é a verdade mais segura que ele conhece nessa vida.

A sombra dos túmulos ultrapassa os muros e, além dela, um pedaço de céu cheio de nuvens. Veloz, o ciclista desvia os olhos, à sua esquerda a paisagem é mais viva, uma fila de automóveis disputa os espaços na avenida.

Como se fosse seu reflexo num espelho negro, Abreu observa à sua direita um rosário semelhante de veículos, volta-se para o lado oposto, coincidentemente estão os muros do cemitério da Consolação, sua companhia por mais uma quadra. Ele dá a última tragada e atira o cigarro na rua, uma fagulha salta e se espirala no ar; enquanto a guimba, em brasa, cai no asfalto, seus olhos espicham até o final da descida, lá adiante, uma reta que o conduzirá ao bar Redondo.

Aurélio diminui a força nos pedais, reduz a marcha, os muros do Araçá desapareceram atrás dos quiosques dos floristas, excessivamente iluminados para atrair a freguesia. Não há quem não se deixe enlevar pela beleza colorida, a variedade alegre e o perfume das flores que vibram nessa avenida. São dálias, verbenas, rosas, margaridas, violetas, hortênsias, prímulas, flores selvagens ou delicadas, que cederam seu nome às mulheres, se não foi o contrário. É uma delícia para a vista, e mais ainda para o olfato. Aurélio vai deslizando rente aos quiosques, pequenos jardins que se reproduzem, metro a metro, como teriam sido os da Babilônia, e revelam floristas em trabalho, as mãos de um a fazer um ramalhete, outro empunhando a tesoura, um terceiro espargindo água sobre a folhagem das samambaias. O ciclista estaciona no meio-fio entre dois carros, não porque precise de água, mas para sentir o vivo aroma das flores que já estão morrendo.

No Redondo, Abreu se acomodou a uma mesa, pediu um chope e logo pedirá outro. Ao seu redor, desfilam mulheres de olhos borrados e lábios vermelhos, também são flores, mas se prestam a outros atrativos, talvez se chamem Dália ou Verbena, Violeta ou Margarida, ou esses sejam seus nomes de guerra. Se estivesse com os amigos, Abreu se insinuaria para uma delas, escolheria a mais bonita para esguichar seu sêmen, é tão fácil possuí-las, ainda mais com o dinheiro que se pode conseguir em noites furtivas. Daqui a pouco é preciso sair atrás dele, logo acabará o que ontem obteve com os amigos. Sem companhia, é melhor abrir o maço e apanhar outro cigarro.

Aurélio oculta um objeto à sua cintura, sobe em sua bike novamente, inicia as pedaladas, a terceira e quarta marchas são perfeitas para essa avenida sem desníveis. O ciclista se enfia em meio à corrente dos automóveis, atravessa o semáforo na luz amarela e começa a descer pela Cardeal Arcoverde. Rua de outros cemitérios, sem arcos, de poucas áreas verdes, e nenhum cardeal a rezar pelo destino de seus fiéis. É uma longa descida, sorver o vento da noite em alta velocidade lhe dá um friozinho na barriga.

Abreu se enfia por um corredor sombrio do bar, vai se aliviar num cubículo às escuras, difícil saber se realmente há ali uma privada, apenas se ouve o ruído de seu mijo na água. Não há luz, ou ele não a quis acender. A janela cerrada, quase não dá para se respirar, o banheiro lembra uma câmara ardente. Abreu fecha a braguilha, sai sem puxar a descarga, talvez por hábito, ou preguiça.

A praça Benedito Calixto está entupida de ciclistas, um burburinho sobe para o céu noturno. Os night bikers se preparam para a saída, dez horas segundo a revista, sorte Aurélio surgir agora nas imediações. Há gente de todas as idades, uma surpresa para ele, bicicletas velhas e coloridas, quem poderia imaginar uma legião tão grande de notívagos? Há de tudo nessa confraria, daí o prazer de se filiar a esses amigos provisórios – empresários, médicos, bancários, estudantes, poetas –, qualquer um que se motive a um passeio pela noite, um encontro fortuito pelas avenidas. É um show de sorrisos, pernas bronzeadas, bigodes espessos, seios intumescidos, gente que se decidiu pela liberdade, não pelas grades do sono. Quem aqui chegou antes, engata com os mais próximos conversas sobre a vida, comentários sobre o cronômetro e o odômetro que levam na mesa da bicicleta, a nova moda em capacetes e garrafas térmicas, as bebidas que inventaram para eles, ciclistas.

A um aviso velado, ninguém sabe de onde partiu, mas que se alastra como uma febre, deu-se a largada, saem todos desembestados, em tropelia, parece que querem chegar logo a um desfecho.

Uma prostituta circula entre as mesas do Redondo, boêmios chegam para provar um tira-gosto e bebericar cerveja, Abreu se ergue, decidido, é seu horário-limite para reiniciar o passeio solitário. Onde se meteram os amigos? O que andam aprontando a essa hora? Por que hoje o excluíram do trabalho, se é que se pode chamar de trabalho o que fazem? Ao menos sozinho, não há quem o trapaceie, ninguém sabe melhor enganar a um homem que ele mesmo, a consciência é como um guidão, vai para o lado que a viram. Saindo do bar, uma dúvida: seguir pela avenida Ipiranga e desembocar na São João, ou continuar descendo até sair na praça das Bandeiras? Como não há com quem discutir, Abreu decide pela segunda hipótese, atravessa a rua e se embrenha pela Consolação.

Os night bikers já se enveredam, em fileiras rumorosas, pela rua Pedroso de Morais, Aurélio vai entre eles, finge estar em sintonia com o grupo, como se não fosse sua primeira vez. Estão no início do passeio, o ritmo imposto pelos ponteiros é forte, há fôlego de sobra ainda, continua plena a capacidade aeróbica do grupo, bonita a linha de bicicletas que tangenciam o meio-fio, refluindo para a avenida Rebouças. Não é uma competição, apesar da ligeireza de todos, pedalam com facilidade, sorridentes, as faces úmidas e rosadas, e conversam entre si. Essa é mais uma das infinitas maneiras de se começar uma amizade, uma noite de amor, um crime. Os ciclistas seguem até a Faria Lima, contornam a curva fechada e, no embalo, já retornam à Rebouças, agora na via contrária, reta que os leva à avenida Brasil. Os veículos zunem, indiferentes, a uma distância mínima dos bikers, apenas um e outro motorista observam as bicicletas rentes ao meio-fio. A temperatura baixou, a brisa viaja pela noite, o céu está límpido, seria uma graça se, entre as nuvens, se pudesse ver a lua.

– Linda noite, não?

– Linda!

– Não estão forçando o ritmo?

– É assim mesmo!

– Quem comanda o itinerário?

– Dois ou três, lá na frente.

– Eu não sabia.

– É sua primeira vez pelo jeito…

– Sempre é tempo.

Abreu já atingiu o cruzamento entre a Consolação e a avenida São Luís, onde alguns transeuntes e ônibus elétricos passam vagarosos. A brisa também acaricia seu rosto, mas não o revela, nem seus ocultos desejos. Lentos são seus passos, ágeis vão seus olhos, a pular de uma pessoa a outra, averiguando o que carregam de valioso. É a primeira vez que mede solitariamente sua coragem, sua capacidade de escolher entre um homem e outro. Abreu vai em direção ao viaduto Nove de Julho, há mais movimentação por ali, muita gente em torno da Câmara dos Vereadores.

Os ciclistas passaram pela avenida Brasil, margeiam o lago do parque Ibirapuera, cujas árvores flutuam na escuridão. O grupo a essa altura já se fragmentou em subgrupos, alguns na vanguarda, outros a meio caminho, muitos no fim da fila. Aurélio vai entre os ponteiros, o hábito de rodar pela noite lhe deu invejável vigor físico, há energia de sobra em seus braços e suas pernas. O moletom azul e esportivo, que o diferencia da pequena turma colorida, está empapado de suor; seus ouvidos filtraram alguns elos de conversas, a briga de um casal, a frivolidade de dois conhecidos, a gíria incompreensível dos adolescentes.

Em meio à avenida, os bikers do primeiro grupo pedalam em disparada, influenciados pelo ritmo veloz dos automóveis. Ultrapassam a Câmara dos Deputados e se avizinham do Obelisco para contorná-lo e seguir do outro lado para a avenida 23 de Maio, onde vão se deparar com o Caravela, barzinho construído na forma de uma nau, um porto seguro para todos nesse passeio. As conversas continuam, vozes saltam de uma bicicleta a outra, deliciosa essa aventura, foi uma boa ideia Aurélio ter se misturado aos night bikers.

A tentativa de Abreu, diante da Câmara dos Vereadores, é que não foi boa, se avançou algumas passadas, retrocedeu outras tantas, sem os amigos fica mais difícil a abordagem. O outro cigarro lhe pende dos lábios, a tentativa frustrada há pouco lhe atiçou os nervos, poderá induzi-lo a um novo erro. A rua Ana Paula submerge, espessa, na escuridão pontilhada aqui e ali por ônibus e táxis sonolentos, quase não há pedestres, escassos se tornam os alvos para quem, inesperadamente, se aliou a si mesmo para agir. Abreu se apressa, segue pelo viaduto Maria Paula até a praça João Mendes, lá o movimento é maior, há muitas padarias, bares e bêbados desavisados. Debaixo do viaduto passam veículos, barulhentos, faróis amarelos para os que seguem em direção ao centro; vermelhos, no rumo contrário, para os que vão do outro lado da 23 de Maio, onde está o Caravela, em cujas mesas os bikers se refrescam com água, suco, vitaminas que trouxeram para a viagem.

Os automóveis rugem nas cercanias, é agradável estar à vontade nesse bar, ao alto, numa espécie de tombadilho, observando as bicicletas enfileiradas no pátio de entrada, como pequenos barcos oscilando na meia-escuridão. Aurélio preferiu permanecer lá embaixo, às margens da avenida, é típico dos marinheiros de primeira viagem reserva em relação aos novos amigos. Florinda, uma jovem ciclista, despertou-lhe a atenção desde o início, quando ainda não haviam partido da praça Benedito Calixto, tão próximo estão ambos agora. Ele a contempla, os cabelos negros em rabo-de-cavalo, os seios fartos tremulando sob o colant, as faces morenas. E, volteando o pescoço delicado, uma corrente de ouro, ou talvez uma bijuteria. Ela ajeita a mochila no selim de sua bike, aparenta calma, mesmo estando no grupo de vanguarda.

Apesar de atrativo adicional ao bar, a alegre chegada dos ciclistas para os fregueses não parece bem-vinda, o grupo não veio para beber drinques, nem para provar gordurosos aperitivos que passam em bandejas na mão das garçonetes. Os ponteiros já saíram e se espalham em torno das bicicletas, averiguando pneus, garfos, eixos, rodas, quadros e freios. Alguns estão curvados sobre o guidão a fim de retomar o passeio. Um deles, inquieto, desgarrou-se da aglomeração e se enfiou, de súbito, pela 23 de Maio, reiniciando a fila que se formará em seu encalço. Florinda segue-o imediatamente; Aurélio também e, num instante, o primeiro grupo está em marcha alta, passando abaixo do viaduto Santa Generosa.

A noite para Abreu não rendeu nada até agora, exceto o nervosismo, ele gira sob os calcanhares, cospe de lado, orienta seu timão para a avenida Liberdade. Arrota, cospe outra vez, a lua pendendo ao alto, às suas costas, desliza no céu, tão bela, ninguém repara em suas manchas, ainda que com elas também se faça poesia.

Enquanto Abreu envereda por uma ponta da avenida, os ponteiros, adiantados, avultam na outra ponta, vieram desembocar na Liberdade; Florinda entre eles, o rabo-de-cavalo oscilando como um pêndulo sobre o pescoço rodeado pela corrente de ouro. Os bikers atravessam a noite, espalhando-se pelas ruas, como as nuvens no céu a encobrir as estrelas, só o primeiro grupo viaja compacto, dá para contar quantos são, seis ao todo, contando Aurélio que observa à sua frente as costas de Florinda, o movimento gracioso de seus quadris, a nuca que desaparece quando ela se inclina para pedalar mais depressa.

Em cada uma das pontas da Liberdade, avança uma ação, os passos de Abreu; os giros de Aurélio e dos outros night bikers. Vão se encontrar em poucos minutos e tudo seria diferente se Florinda não decidisse apertar o ritmo e, imprudentemente, desgarrar-se do grupo e tomar a dianteira. Sabe-se lá que motivo a impulsiona, o orgulho, ou a emoção da velocidade; Aurélio acelera também, a fim de segui-la de perto.

Quem move as pernas dessa mulher, uma divindade ou o demônio? Ela se afasta cada vez mais do grupo, só Aurélio a acompanha, a distância, aos olhos dela o que passa à sua volta, dos dois lados, mais parece um borrão de imagens, um rastro de faróis e vultos que se confudem e, à sua frente, a luz vermelha de um semáforo, em cujo cruzamento Abreu vem chegando.

Os automóveis param atrás de Florinda, os motores barulhando, impedindo Aurélio de vê-la por inteiro. Só Abreu a tem ao alcance, as faces ruborizadas pelo esforço, a respiração arfante, os seios a palpitar e, reluzindo entre o pescoço úmido e o colant, a corrente de ouro. Como se tudo se congelasse ao redor, ele não escuta nada, nem a voz dos amigos no alvoroço de outras noites, apenas seus cinco dedos se alteiam, como uma chave em direção à fechadura, e a mão, num relâmpago, agarra a corrente e a arranca. O sinal vermelho se abre, um filete de sangue contorna o pescoço de Florinda, ela ainda nem sentiu dor, as perdas ultrapassam a morosidade da consciência, a fuga de Abreu é instantânea. Ele dispara pela Liberdade, o vento lambendo seu rosto, o mesmo vento que deu satisfação a Aurélio na subida da Angélica.

Os automóveis aceleram, nervosos, reinauguram o caudal de luzes pela avenida. Rente ao meio-fio, está Florinda, um pé no asfalto, outro no pedal, a mão detecta o vergão na garganta, a voz vai esboçar um grito. Aurélio se aproxima dela, nota os sinais do delito, lá adiante corre um homem.

– Ladrão! Ladrão! – ela grita.

Aurélio já a ultrapassou, nem perguntou se está ferida, a prioridade é pegar o agressor que chispa pela sarjeta em sombras; o primeiro leva vantagem sobre o segundo, frágil é o que exibiu força. Abreu sabe que lhe perseguem, se estivesse com os amigos, ou mais chope no estômago, ou uma arma sob a blusa, não temeria ninguém, foi um erro sair nessa noite tão desprevenido. Ele percebe que outros ciclistas vêm atrás daquele que está quase a pegá-lo, a sensação do cerco o amedronta, melhor soltar a corrente aqui mesmo, o perseguidor vai parar ao perceber que o furto foi jogado na rua. Mas Aurélio não se importa com a corrente, alguém a pegará, o crime cometido o incita a prosseguir.

Os dois homens estão próximos, embora em situação inversa: Aurélio é um vulto sem rosto que corre na avenida; Abreu vai na calçada, as lanternas orientais iluminam sua face. Vazios, os bolsos e as mãos do fugitivo. Debaixo da cintura o perseguidor carrega a proteção insuspeitada para um ciclista; não podemos ver a lua, escondida entre as nuvens, apenas a bicicleta que invade a calçada, no Largo da Pólvora.

Em meio à confusão, ao vozerio que vem lá de trás, onde os ponteiros amparam Florinda, ouve-se um estampido. Depois, o silêncio.