Notas

38Poderá dizer-se que casos como estes já não sucedem nas escolas brasileiras. Se realmente estes não ocorrem, continua, contudo, preponderantemente, o caráter narrador que estamos criticando.

39Simone de Beauvoir, El pensamiento político de la derecha. Buenos Aires: Ediciones Siglo Veinte/S.R.L., 1963, p. 34.

40Não fazemos esta afirmação ingenuamente. Já temos afirmado que a educação reflete a estrutura do poder, daí a dificuldade que tem um educador dialógico de atuar coerentemente numa estrutura que nega o diálogo. Algo fundamental, porém, pode ser feito: dialogar sobre a negação do próprio diálogo.

41A concepção do saber, da concepção “bancária”, é, no fundo, o que Sartre (El hombre y las cosas. Buenos Aires: Losada S.A., 1965, pp. 25-6.) chamaria de concepção “digestiva” ou “alimentícia” do saber. Este é como se fosse o “alimento” que o educador vai introduzindo nos educandos, numa espécie de tratamento de engorda…

42Há professores que, ao indicar uma relação bibliográfica, determinam a leitura de um livro da página 10 à página 15, e fazem isto para ajudar os alunos.

43Fromm, op. cit., pp. 28-9.

44Id., ibid., pp. 28-9.

45Reinhold Niebuhr, Moral Man and Immoral Society. Nova York: Charles Scribner’s Sons, 1960, p. 130.

46The reflexion of consciousness upon itself is as self-evident and marvelous as is its intentionality. I am at myself; I am both one and twofold. I do not exist as a thing exists, but in an inner split, as my own object, and thus in motion and inner unrest. Karl Jaspers, Philosophy, v. 1. The University of Chicago Press, 1969, p. 50.

47J.-P. Sartre, op. cit., pp. 25-6.

48Edmund Husserl, Ideas Pertaining to A Pure Phenomenology and to A Phenomenological Philosophy: General Introduction to A Pure Phenomenology, 3a ed. Londres: Collier Books, 1969, pp. 103-6.

49Em Ação cultural para a liberdade e outros escritos, discutimos mais amplamente este sentido profético e esperançoso da educação (ou ação cultural) problematizadora. Profetismo e esperança que resultam do caráter utópico de tal forma de ação, tomando-se a utopia como a unidade inquebrantável entre a denúncia e o anúncio. Denúncia de uma realidade desumanizante e anúncio de uma realidade em que os homens possam ser mais. Anúncio e denúncia não são, porém, palavras vazias, mas compromisso histórico.

50No Capítulo IV analisamos detidamente este aspecto, ao discutirmos as teorias antidialógica e dialógica da ação.