Mia descansava as pernas no painel do Chevy caindo aos pedaços que haviam alugado. Pressionava os pés descalços no vidro, retirava-os e observava o lento desaparecimento das impressões dos dedos ali condensadas. Ao lado, Finn tamborilava no volante, acompanhando um blues que soava no rádio.
Eles se dirigiam para o sul através da conhecida Highway One, deixando San Francisco para trás, uma cidade cujo charme febril os cativara, fazendo-os passar mais tempo lá do que o planejado. Na primeira noite acabaram deixando as mochilas no quarto de um motel barato e saíram para jantar num movimentado restaurante tailandês que servia saborosos camarões doces e apimentados. O proprietário do estabelecimento indicou uma boate em um porão a algumas quadras de distância e, apesar de atordoados pelo fuso horário, beberam e dançaram até os pés não aguentarem mais. Saíram da boate algumas horas mais tarde para apreciar o amanhecer na cidade e, aos trancos e barrancos, cruzaram com uma cafeteria, onde compraram pãezinhos de canela e café fresco e depois se acomodaram no extremo da baía para observar o sol rosado e esmaecido que emergia de Alcatraz.
Uma névoa baixa os espreitou ao longo da costa, cobrindo o mar como uma capa úmida que obscurecia a visão do horizonte. Mia abriu a janela do carro, pôs a cabeça para fora e tentou enxergar o céu.
– O sol já se vai.
– Vou parar no primeiro acostamento.
A poucos quilômetros de distância avistaram um mirante de pedras no alto de um penhasco. O sol ainda ardia por entre a neblina e deixava à vista uma linha costeira acidentada e verdejante. Despenhadeiros cobertos de mato e flores secas que deviam ser espetaculares na primavera descaíam até uma baía selvagem com águas brancas e espumantes.
Mia saiu descalça do carro, entrelaçou as mãos em cima da cabeça e se alongou de estômago tenso. Fechou os olhos e aspirou o ar salgado.
Finn se encostou ao carro e cruzou os braços no peito.
– Olhe só este lugar.
– Quer ir lá embaixo?
– Claro.
Eles descobriram uma trilha estreita que descia espiralada pela face do precipício e contornava os trechos mais íngremes do caminho. Chegaram lá embaixo e Mia foi a primeira a correr até a praia e molhar os pés no mar.
– Alô, Pacífico! – gritou. Em seguida voltou-se para Finn: – Vamos nadar?
– Aqui? O mar parece muito agitado.
– Então, tome conta de minhas roupas. – Ela tirou o top e o short e só ficou de calcinha e sutiã que não combinavam nem um pouco. Seu corpo era esbelto e musculoso. Embora se achasse muito angulosa para ser considerada bonita, sabia como acentuar os ossos do quadril e os seios pequenos e não se envergonhava na frente de Finn. Os dois já tinham se visto despidos centenas de vezes – ela conhecia de cor a largura dos ombros, o umbigo ligeiramente protuberante e os pelos espalhados ao redor dos mamilos e do peito dele.
– Bom bronzeado londrino – ela disse, referindo-se ao branco leitoso do peito dele, demarcado pela marca da gola da camiseta.
– Bom bronzeado de quem não trabalha.
Ela riu e ele aproveitou a oportunidade e saiu correndo, mergulhou na água espumante e furou as pequenas ondas antes de ter as pernas engolfadas pelo mar. Seguiu pela água adentro de braços abertos e com um rápido mergulho fez a água levantar no ar.
Ela ainda ria quando correu para se juntar a ele. A água fria bateu nos joelhos e a fez arrepiar. Uma gaivota cruzou lá no alto e ela observou em êxtase o voo que deslizou pela brisa. De repente o solo cedeu e a água subiu pela calcinha de algodão até o estômago. Ela tentou escapulir da mordida do mar, respirou fundo e mergulhou.
Emergiu com os cabelos negros escorrendo como óleo e saiu nadando com braçadas e batidas de pernas vigorosas.
– Não se afaste muito – gritou Finn. – Só faço resgates a la Baywatch em dias de calcinhas vermelhas.
As ondas se formavam e arrebentavam em cima de Mia. Uma delas pegou-a de surpresa e cobriu-a de espuma branca como um cobertor. Ela esfregou a água nos olhos e retomou o nado crawl, os músculos se contraíam em razão da força que faziam para seguir adiante. Em cada braçada em que virava a cabeça para tomar fôlego, sentia a tímida carícia do sol no rosto.
A certa altura, as pernas enrijeceram pelo esforço e o frio e isso a fez diminuir o ritmo e nadar paralelamente à praia, agora observando os penhascos de um novo ângulo. Era uma linha costeira impressionante – além de dramática, fustigada pelo tempo e vazia. Era uma região inebriante, um alívio físico depois de Londres, onde Mia se sentira sufocada, como se nunca mais pudesse respirar. Longe da cidade, longe da memória da pessoa que se tornara, era a primeira vez em meses que ela se sentia completamente à vontade.
* * *
À noite eles se sentaram num banco de mesa de piquenique para tomar uma caneca de chocolate. As ondas quebravam ao longe, uma doçura ecoante, parecia um caminhão passando ao longe. Mia tirou do bolso traseiro um frasco de prata e abriu a tampa.
– Uísque?
Finn estendeu a caneca para ela.
– Você caprichou no jantar.
Já estavam acostumados a acampar juntos desde a adolescência e tinham aperfeiçoado a arte de fazer um único prato em nível mais do que mágico. Naquela noite Mia se oferecera para cozinhar, servindo miojo refogado com fatias de salame, nacos de cogumelos, tomates-cereja e especiarias.
– Fora de casa sempre parece mais gostoso – disse, pondo uísque nas duas canecas. – Faz muito tempo que não acampamos juntos.
– Os parques de Londres não são tão atrativos.
– É verdade. – Ela sorriu. – Mas está mesmo gostando de Londres? – Ele se mudara para lá após a formatura e alugara um apartamento em cima de um açougue. O apartamento ficava de fundos para a linha férrea e a água tremia na pia toda vez que passava um trem.
– Estou. Quer dizer, estava. Foi uma mudança e tanto depois da Cornualha.
– As noites de sexta na SJ’s não faziam isso por você?
– É verdade, adoro a estampa de oncinha e a lycra dos velhos anos cinquenta. – Ele riu. – Londres não foi legal pra você, não é?
– Acho que não. – Ela morria de saudades do mar e se dera conta de que tinha sonhos habitados por praias e horizontes vazios.
– Foi por isso que quis viajar?
Ela puxou os punhos do moletom, cobriu as mãos e enlaçou-as em volta da caneca para mantê-las aquecidas.
– Já estava pronta para uma mudança.
– Foi um ano difícil. Você merece um descanso.
Será que mereço?, ela pensou. O ano tinha sido difícil para Katie, não para ela; Katie é que se mantivera estoicamente ao lado da mãe durante toda a doença. Enquanto Mia fechara os olhos para o grande número de pílulas, os chumaços de cabelo no ralo do chuveiro e a esqualidez do rosto da mãe – simplesmente porque era mais fácil. Qualquer coisa era mais fácil do que assistir ao implacável esmorecimento da mãe outrora forte e capaz. Ela sentiu uma pontada da pedrinha de culpa que sempre incomodava o estômago e se esticou para pegar o frasco de prata e levar o gargalo metálico e frio aos lábios.
Finn abraçou-a pelo ombro.
– Você está bem?
Ela assentiu com a cabeça.
– Preste atenção, Mia. – A voz dele soou séria e a fez erguer os olhos. – Sei que não ficamos muito juntos durante a doença de sua mãe, mas você sabia que eu estava lá com você, não sabia?
– Claro que sabia. – Ela se embaraçou com a seriedade do assunto. Até então não tinham mencionado os dolorosos quatro meses, durante os quais se erguera entre eles um muro com tijolos de ressentimento cimentado pelo silêncio dela. Ela não tinha certeza se estava preparada para conversar sobre isso naquele momento.
Finn percebeu a indecisão de Mia, retirou o braço do ombro dela e perguntou:
– Fale então sobre o Mick. Quando é que decidiu que queria vê-lo?
– Encontrei uma fotografia dele quando estava tirando as coisas de mamãe do armário. – Era uma foto que o exibia no palco com uma banda e à frente de uma faixa onde se lia OVELHA NEGRA. Aparentemente, era o final da apresentação da banda porque os músicos estavam com o rosto vermelho e suado. Ao centro, um cara de cabelos longos e pretos umedecidos nas têmporas segurava uma guitarra presa ao pescoço e olhava fixamente para a câmera. Ao lado dele, um Mick exuberante e novinho em folha, usando um conjunto de calça e paletó dos anos setenta e sapatos marrons cujas pontas se erguiam à altura dos dedões. Ao contrário dos outros, não segurava instrumento algum e fazia uma pose de cabeça inclinada para o lado e com uma piscadela para a câmera. Mia nunca faria um gesto assim tão pouco natural, embora no todo tivesse gostado da foto porque notara uma similaridade entre ela e o pai, nos traços fortes do nariz e possivelmente na curva dos lábios. – Acho que essa fotografia aguçou minha curiosidade.
– E não sentia curiosidade antes?
– Na verdade, não. Talvez apenas um pouquinho. – Ela admitiu ao se lembrar de um inesquecível comentário feito pela avó alguns anos antes. Estava no banho e a água escurecia por causa da lama grudada nos joelhos, e quando começou a se debater e protestar porque não queria lavar os cabelos, acabou recebendo uma palmada da avó, que lhe disse: “Que coisinha independente e teimosa é você.” E logo acrescentou entre dentes: “Igualzinha ao seu pai.” A ilicitude desse nome pairou no banheiro enevoado de vapor por um longo tempo. Longo a ponto de enraizar-se na mente de Mia.
Finn levou a caneca aos lábios para terminar o drinque.
– Por que não contou para Katie que estava com vontade de visitá-lo?
Mia pensou por um segundo.
– Às vezes quando as pessoas nos dão alguma opinião sobre a nossa vida, essa opinião pode acabar virando a nossa própria opinião. Eu não queria isso.
Um carro entrou no acampamento e, antes de desligar o motor, os faróis os iluminaram por um momento. Um casal saiu de dentro e começou a montar uma barraca com o auxílio de uma lanterna.
As poucas frases que acabavam de trocar eram o máximo que Mia admitia para os outros e para si mesma. Por ora, era o suficiente. Ela se esticou e pegou a caneca de Finn.
– Vou lavá-la. – Em seguida retirou-se da mesa de piquenique e sumiu de vista para lavar a louça na torneira.
Mais tarde, já de dentes escovados, entrou na barraca junto com Finn. Estava armada com a sombra de uma encosta ao fundo e o ar salgado ao redor. Eles apoiaram a cabeça numa toalha de banho dobrada e estendida para fora da barraca a fim de observar o céu estrelado. Já tinham compartilhado a mesma barraca inúmeras noites e também a cama de solteiro do quarto de um ou de outro, espremidos como sardinhas. Era uma amizade até então inquebrantável, uma dádiva pela qual Mia sempre agradecia.
– Uma estrela cadente – ela disse, apontando para o céu.
– Não vi.
– É difícil vê-las de olhos fechados. Você está caindo de sono.
Eles colocaram a cabeça para dentro, fecharam o zíper da barraca e se deitaram juntinhos, como já tinham feito em centenas de noites.
O solo do lugar era um horror e Finn então se moveu para um dos lados, evitando uma protuberância que incomodava o ombro.
Mia já estava dormindo. Ele se concentrou na respiração dela e no canto dos grilos que ecoava lá fora. Adorava acampar porque nos acampamentos a vida parecia se mover a passos vagarosos. Uma simples refeição demorava muito mais para ser preparada; os banhos e as trocas de roupas eram luxuriantes e não rotineiras. Levava-se mais tempo para absorver os sons, os aromas e o ritmo dos lugares, e prestava-se mais atenção nos próprios pensamentos.
Mia mexeu a mão que escorregou da barriga e tombou no braço dele. O calor da pele dela se encontrou com o da pele dele. Ele podia puxar o braço, mas o manteve parado. E sem as repressões, agora no meio do escuro, concentrou-se em certa noite de verão em que Mia estava com 16 anos.
Eles assistiam ao show que esperaram por meses a fio, de uma banda punk americana chamada Degelo. Mia vestia um jeans desbotado e rasgado nas coxas que comprara num brechó chamado Hobos. Uma linha prateada de delineador lhe avivava os olhos e alguma coisa fazia o rosto dela brilhar. Aparentava mais idade que a garota de cara lavada a quem ele ajudou a puxar uma cavala com o anzol na manhã daquele mesmo dia, e de alguma maneira a transformação mexeu com ele.
A banda atendia todas as expectativas: a plateia pulsava de energia; dançava freneticamente e a cada música se tornava mais selvagem. Mia dançava louca e efusivamente, as mãos voltadas para o céu. Em determinado momento se virou e gritou alguma coisa para um cara corpulento de pescoço grosso que estava por perto. Ele pôs as mãos em posição de calço e, antes que Finn percebesse o que estava acontecendo, ela apoiou o pé nas mãos suadas do cara e foi arremessada ao ar. Foi pega por um oceano de mãos, o corpo arqueado para trás e os braços abertos como asas, e saiu surfando por cima das cabeças da multidão.
Mia vestia uma camiseta preta da Beastie Boys que sempre dividia com Finn, já que eles tinham feito uma vaquinha para comprá-la. A camiseta subia pela cintura e deixava exposta uma barriga suave e esbelta. A multidão acesa empurrava aquela garota etérea que se projetava para frente em meio a uma onda de cabelos negros. Um grupo de sujeitos suados de punhos fechados e voltados para o ar assobiava e dizia gracinhas para ela. Cada centímetro do corpo de Finn se retesava a cada comentário lançado, e ele chegou a cogitar em abrir caminho pela multidão para calar a boca daqueles sujeitos.
A multidão continuou em frenética danação sob as luzes azuis que faiscavam a laser enquanto ele fazia de tudo para manter Mia à vista. Até que esticou o pescoço por um dos lados de um sujeito esguio e viu que os seguranças formavam uma barreira de segurança para ela. Embora não fizesse ideia de como ela encontraria o caminho de volta, o fato é que quatro músicas depois ela apareceu.
Espremida por entre um vão impossível, lá estava ela à frente dele, com as faces coradas e a testa brilhando de suor.
– Mia!
Quando a banda executou a última música, a plateia forçou passagem para frente e levou-a de encontro a Finn. Ele a agarrou pela cintura por instinto, temendo que pudesse ser pisoteada. E no corpo a corpo sentiu o calor do peito de Mia através da camiseta molhada. Alheia à multidão que se contorcia debaixo de uma grossa cortina de fumaça, ela o segurou pelo rosto e o beijou rapidamente nos lábios.
A multidão retrocedeu; ela soltou-se das mãos dele e se voltou para a banda a fim de retomar a frenética dança. Ele continuou plantado no mesmo lugar enquanto milhares de pessoas dançavam.
Na história humana sempre há incidentes-chave – pontos essenciais que fazem o eixo da vida girar e nos quais as ações aparentemente mais inócuas acabam por mudar a direção do destino de alguém. Para Finn, aquele beijo mudou tudo. Da noite para o dia, aquela garota que sempre estava ao seu lado tornou-se um enigma. No dia seguinte, cada interação corriqueira na escola – segurar o tubo de ensaio enquanto ela acrescentava uma fita de magnésio, comer um sanduíche de presunto lado a lado no banco debaixo do pé de plátano, compartilhar o mesmo fone de ouvido no ônibus de volta à casa – fundiu-se no recente desejo dele. Era como se ele tivesse saído do próprio corpo e se tornado outra pessoa. Ficou tão abalado com a mudança que se enfurnou dentro de casa por dois dias para se dar um tempo para pensar.
Nas férias de verão, Mia chegou de bicicleta à casa de Finn, com barraca, saco de dormir e uma garrafa de vodca que subornara Katie para comprar, e disse que eles iriam acampar na floresta que dava para os penhascos. Ele não conseguiu uma boa desculpa para recusar, e só lhe restou pegar o saco de dormir e segui-la.
Naquela noite uma repentina chuva torrencial e imprevista os levou para dentro da barraca antes de escurecer. Jogaram cartas e beberam vodca enquanto ele lançava olhares furtivos para ela, se perguntando por que ainda não tinha reparado naqueles olhos verdes e brilhantes como esmeraldas. Depois que a chuva parou, eles abriram o zíper da barraca, que estava de frente para uma floresta escura e impregnada de um rico odor de terra. Sentiram-se bêbados e exuberantes sobre a urze úmida e com as bainhas das calças encharcadas. A lua daquela noite era um perfeito disco de prata que, de tão espetacular, o fez uivar inesperadamente para o alto como um lobo. Ela caiu na risada e também uivou.
Nas 72 horas que se seguiram ao beijo de Mia, Finn não parava de pensar no que teria acontecido se tivesse retribuído o beijo. De maneira adequada.
– Mia – ele disse, colocando-se em frente um tanto zonzo. Ela o olhou ainda rindo. Sem maquiagem, a pele dela resplandecia sob a luz do luar. – Deus, como você é linda! – Depois do rompante, ele estendeu a mão até o rosto dela e se curvou para beijá-la.
Ela deu um salto pouco antes de ser tocada nos lábios.
– Finn! – Riu e bateu no peito dele. – Por um segundo achei que você não estava brincando! Não me estranhe!
Ele se dobrou para frente e fingiu que também estava rindo, mas na verdade era como se tivesse levado um soco no meio do estômago.
Depois disso, ficou sem vê-la por três semanas porque teve que se juntar à família no norte da França para as festas de fim de ano. E nessa viagem perdeu a virgindade com uma garota de 17 anos que se chamava Ambré e que trabalhava na limpeza do estacionamento onde a família ficava. Ela estava com um sutiã cor-de-rosa debaixo do uniforme e sem calcinha; toda tarde passou a convidá-lo para dentro de uma caminhonete no intervalo das três da tarde. Embora genuinamente fascinado com o compromisso, aos poucos esse relacionamento revelou a profundidade dos sentimentos que ele nutria por Mia. Não só ansiava tocá-la e beijá-la como fazia com Ambré, como também sentia falta de outras coisas, como a risada e o jeito com que ela mordiscava a ponta da unha do polegar quando se concentrava e o tom determinado quando dizia para ele “eu não posso fazer isso”. Sentia falta da amizade de Mia – e não queria colocá-la em risco outra vez.
Os dois retomaram a velha rotina depois que ele retornou para casa e nunca mais mencionaram aquela noite. Um cortejo de outras garotas e, mais tarde, de outras mulheres aquietou a aflição dele, e ele agradeceu pela amizade que retornara ao ritmo habitual.
Agora, no entanto, depois que Mia se despiu na praia, deixando à vista um corpo maravilhoso e esguio, uma nota baixa de desejo passou a tocar e ressoar na cabeça de Finn.
Ele sabia que seria arriscado permitir que uma nota proibida soasse muito alta, e por isso puxou o braço que estava debaixo da mão dela com todo cuidado e se afastou com certa relutância.