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Choe Seongil, o ladrão de Jemulpo, foi atormentado por pesadelos durante toda a noite. Enquanto ele estava preso entre o sonho e a vigília, o garoto deitado ao seu lado, Kim Ijeong, se levantou. Era hora de ir para a cozinha, como sempre. Choe Seongil tentou dizer algo para ele, mas nenhum som saiu de sua boca, e de repente Choe Seongil entendeu que seu corpo não se movimentaria como ele desejava. Estremeceu involuntariamente e suas pernas pesavam tanto, que pareciam paralisadas. Ele queria levantar a mão e segurar Ijeong, mas o garoto, inconsciente daquilo tudo, simplesmente se levantou e saiu. Depois de muito tempo passado assim, Choe Seongil foi assaltado pelo medo de morrer. Não podia morrer naquele vasto oceano sem família e sem amigos. Assim que aquele pensamento cruzou sua mente, o rosto de seu pai surgiu no ar. Seu pai parecia sossegado, sentado ao lado de uma cachoeira comprida e fina e bebericando alguma coisa.

— Ah, que delícia! — exclamou ele. Depois: — Os tormentos do mundo acabaram, e isso é o paraíso! Venha depressa, filho.

Em algum lugar atrás de seu pai, alguém cantava uma música: “Cachorro branco, cachorro negro, não lata. Cachorro branco, cachorro negro, não lata”. Dito e feito; bem nesse instante um cachorro branco e um cachorro negro surgiram diante de seus olhos e o cumprimentaram. Para alcançar o pai, ele precisava atravessar um rio em um ferryboat que estava atracado na beira d’água. O cachorro branco e o cachorro negro abanavam as caudas alegremente no barco. Ele nunca havia gostado de seu pai, mas a vista ali era tão linda, que a única coisa em que conseguia pensar era em ir até ele. Era um lugar com comidas e bebidas deliciosas e águas frias. Quando ele se aproximou do ferry, o cachorro branco saltou de cima do barco e caminhou pela margem do rio, enquanto o cachorro negro continuou a bordo, com a língua balançando para fora da boca.