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No dia 12 de agosto de 1905, o vice­-ministro das relações exteriores da Coreia, Yun Chiho, bebia café no Hotel Imperial de Tóquio. Havia marcado um encontro com Durham Stevens, um americano que atuava como conselheiro do império coreano e que era pró­-Japão. Stevens começou a conversa com palavras de condolência:

— Lamento não ter podido visitá­-lo em seu luto.

Yun Chiho seguiu a etiqueta e abaixou a cabeça em um cumprimento:

— Não há necessidade para um homem tão ocupado se preocupar com assuntos como esse, não é? — Yun Chiho havia perdido sua esposa chinesa, Ma Aifang, em fevereiro daquele ano.

Stevens apresentou os dois americanos sentados ao seu lado. Um deles tinha rosto branco, enquanto o outro estava bronzeado pelo sol. O branco se chamava Heywood e o moreno, Swinsy, representante da Associação de Produtores de Cana­-de­-Açúcar do Havaí. Swinsy tinha personalidade afável e parecia saber bastante sobre Yun Chiho.

— Os latifundiários havaianos estão muito desgostosos com as medidas tomadas pelo império coreano. Dizem que os coreanos são mais que bem­-vindos em seu país, pois trabalham com muito mais empenho que os japoneses e os chineses e se comportam bem, mas, se de repente proibirem sua imigração, onde esses proprietários irão encontrar uma força de trabalho assim?

Yun Chiho retrucou:

— É mesmo?

Swinsy puxou a cadeira mais para frente e perguntou:

— Existe alguma possibilidade de rescindir essa medida?

Yun Chiho empurrou os óculos para cima do nariz:

— Bem, tanto a opinião pública quanto a do governo em relação à imigração são bastante negativas, portanto não será fácil.

Ao ouvir isso, o conselheiro em assuntos diplomáticos Stevens interrompeu.

— Por que não faz uma visita ao Havaí? Se o senhor vir com seus próprios olhos as condições de trabalho dos camponeses e encorajá­-los, e, ao retornar, der uma palavrinha com sua majestade, será uma enorme ajuda para estimular também as relações de amizade entre a Coreia e os Estados Unidos. A Associação de Produtores de Cana­-de­-Açúcar do Havaí informou que cobrirá suas despesas.

Swinsy assentiu, sugerindo que eles já haviam entrado em acordo.

Yun Chiho era a pessoa ideal para aquela tarefa. Era cristão e estudara nos Estados Unidos, nas universidades de Vanderbilt e Emory, e tinha excelente domínio de três línguas estrangeiras: falava inglês fluentemente, tinha ótimo chinês e aprendera japonês quando fugiu para o Japão durante o Golpe de 1884. Mas levantou a mão e recusou a oferta de que lhe pagassem as despesas.

— Não posso aceitar dinheiro de interesses privados enquanto sirvo o meu país.

Yun Chiho jamais gostara de Stevens, que trabalhava para os japoneses mas recebia um salário do governo coreano. O ministro de relações exteriores do império, que não tivera outra escolha a não ser contratá­-lo, estava em uma situação sofrível. Stevens apertou a mão de Yun Chiho e se levantou.

— De qualquer maneira, por favor, pense no assunto. Afinal, esta é uma daquelas coisas que um funcionário do Ministério das Relações Exteriores deve fazer.