122.

A família Robinson suíça

Eles me levaram até o que sobrara da casa de Franklin Hoenikker, a casa no topo da cachoeira. O que tinha sobrado era a caverna embaixo da cachoeira, que havia virado uma espécie de iglu embaixo de um domo branco-azulado e translúcido de gelo-nove.

O ménage consistia de Frank, o pequeno Newt e os Crosby. Eles haviam conseguido sobreviver escondidos em uma das masmorras do palácio, uma bem menos protegida e agradável do que o nosso calabouço. Haviam subido à superfície assim que os ventos diminuíram, enquanto eu e Mona permanecemos sob a terra por mais três dias.

Acontece que encontraram o milagroso táxi esperando por eles embaixo do arco no portão do palácio. Acharam uma lata de tinta branca. Nas portas do táxi Frank havia pintado estrelas brancas e no chão, as letras de um granfalloon: E.U.A.

– E você deixou a lata de tinta embaixo do arco – eu disse.

– Como você sabe? – perguntou Crosby.

– Alguém veio depois e usou para escrever um poema.

Acabei não perguntando como Angela Hoenikker Conners, Philip e Julian Castle encontraram seu fim, porque teria de falar também sobre Mona. Ainda não estava preparado para fazer isso.

Eu particularmente não queria discutir a morte de Mona, já que os Crosby e o pequeno Newt pareciam inapropriadamente felizes enquanto rodávamos no táxi.

Hazel me deu uma pista de toda aquela alegria:

– Espere para ver onde moramos. Temos um monte de coisas boas para comer. Sempre que queremos água, fazemos uma fogueira e derretemos um pouco. Somos a família Robinson suíça.*

* Referência ao romance The Swiss Family Robinson, de Johann David Wyss. Publicado em 1812, o livro conta a história de uma família suíça que se perde no mar e acaba em uma ilha tropical deserta, onde precisam aprender a sobreviver. [N. de E.]