31.

Outro Breed

Quando estávamos saindo do cemitério, o motorista de táxi ficou preocupado com as condições do túmulo da mãe dele. Perguntou se eu não me importava de fazer um pequeno desvio para que desse uma olhada.

O marcador do túmulo de sua mãe era uma pedrinha miserável – não que tivesse importância.

Então o motorista de táxi me perguntou se eu não me incomodaria de fazer outro breve desvio, dessa vez para ir até a loja de lápides, atravessando a rua do cemitério.

Como na época eu não era bokononista, concordei com certa irritação. Como bokononista, é claro que eu teria concordado alegremente em ir a qualquer lugar que qualquer pessoa sugerisse. Como diz Bokonon: “Sugestões de viagem peculiares são aulas de dança de Deus”.

A loja de lápides se chamava Avram Breed e Filhos. Enquanto o motorista conversava com o vendedor, perambulei por entre os monumentos – monumentos em branco, por enquanto em memória de ninguém.

Encontrei uma piadinha institucional no showroom: sobre um anjo de pedra havia um ramo de visco*. Galhos de cedro estavam empilhados no pedestal do anjo, e, em volta do seu pescoço de mármore, havia um colar feito com lâmpadas de árvore de Natal.

– Quanto quer pelo anjo? – perguntei ao vendedor.

– Não está à venda. Tem cem anos. Meu bisavô, Avram Breed, o esculpiu.

– A loja é tão velha assim?

– É, sim.

– E você é um Breed?

– A quarta geração nesta loja.

– Tem algum parentesco com o dr. Asa Breed, diretor do Laboratório de Pesquisa?

– É meu irmão. – Ele disse que seu nome era Marvin Breed.

– Que mundo pequeno – observei.

– Quando você o põe num cemitério, é, sim. – Marvin Breed era um homem agradável e comum, inteligente e sentimental.

* Visco é um tipo de arbusto que, assim como o azevinho, é associado ao Natal em algumas culturas. [N. de E.]