Quando estávamos saindo do cemitério, o motorista de táxi ficou preocupado com as condições do túmulo da mãe dele. Perguntou se eu não me importava de fazer um pequeno desvio para que desse uma olhada.
O marcador do túmulo de sua mãe era uma pedrinha miserável – não que tivesse importância.
Então o motorista de táxi me perguntou se eu não me incomodaria de fazer outro breve desvio, dessa vez para ir até a loja de lápides, atravessando a rua do cemitério.
Como na época eu não era bokononista, concordei com certa irritação. Como bokononista, é claro que eu teria concordado alegremente em ir a qualquer lugar que qualquer pessoa sugerisse. Como diz Bokonon: “Sugestões de viagem peculiares são aulas de dança de Deus”.
A loja de lápides se chamava Avram Breed e Filhos. Enquanto o motorista conversava com o vendedor, perambulei por entre os monumentos – monumentos em branco, por enquanto em memória de ninguém.
Encontrei uma piadinha institucional no showroom: sobre um anjo de pedra havia um ramo de visco*. Galhos de cedro estavam empilhados no pedestal do anjo, e, em volta do seu pescoço de mármore, havia um colar feito com lâmpadas de árvore de Natal.
– Quanto quer pelo anjo? – perguntei ao vendedor.
– Não está à venda. Tem cem anos. Meu bisavô, Avram Breed, o esculpiu.
– A loja é tão velha assim?
– É, sim.
– E você é um Breed?
– A quarta geração nesta loja.
– Tem algum parentesco com o dr. Asa Breed, diretor do Laboratório de Pesquisa?
– É meu irmão. – Ele disse que seu nome era Marvin Breed.
– Que mundo pequeno – observei.
– Quando você o põe num cemitério, é, sim. – Marvin Breed era um homem agradável e comum, inteligente e sentimental.
* Visco é um tipo de arbusto que, assim como o azevinho, é associado ao Natal em algumas culturas. [N. de E.]