Scott Abrams me beijou ontem à noite.
Preciso ficar reprisando o beijo para me convencer de que realmente aconteceu. Não que eu consiga pensar em qualquer outra coisa! Scott veio aqui em casa. Scott realmente me beijou.
“O Saber” estava certo o tempo todo.
Depois que ele me beijou, não o convidei a entrar, nem nada. Estava emocionada demais com a enormidade de tudo isso para acessar minhas habilidades pensantes. Scott só disse: “Até amanhã!” e eu fiquei observando enquanto ele ia embora. Finalmente, ele se virou para ver se eu ainda estava ali. Eu estava. Pude ver seu sorriso bobo no meio do quarteirão.
Como se tudo já não fosse suficientemente maravilhoso, nós vamos sair hoje à noite. Tudo bem, não é exatamente um encontro de namorados. Vamos fazer uma coisa para a escola, com Sadie e John. É um projeto para a Caixa, para o qual pesquisaremos como o conhecimento da cultura popular cria vínculos sociais. Aproveitei a ideia de John. Ele vai à noite dos conhecimentos gerais em uma cafeteria chamada The Situation Room. Quando me contou que seu time não conseguiu se reunir para a noite dos conhecimentos gerais deste mês e é preciso de, no mínimo, quatro pessoas para jogar, achei que seria perfeito se nós quatro formássemos um time.
Sadie e eu combinamos de ir à cafeteria juntas, mas ela ligou dizendo que nos encontraria lá e não disse por quê. Espero que seja porque ela está no Rite Aid convidando Carlos para sair. Seria muito legal, pois poderíamos ter um namoro duplo. Mas estou irritada porque queria lhe contar sobre Scott durante o trajeto. Ontem à noite, estava muito tarde para ligar e contar o que tinha acontecido. E eu estou louca para contar tudo para ela, desde o começo, dois anos atrás.
Eu já estou esperando no degrau da porta da frente de Scott quando ele sai.
— Legal! — diz ele.
Desde que Scott me beijou, fico me perguntando quando me beijará de novo. Na verdade, estou mais do que me perguntando, estou obcecada. Poderia ser agora mesmo! Para o caso de isso acontecer, já chupei um monte de balas de hortelã. Meu hálito está com frescor de hortelã. O The Situation Room fica a cinco quadras de distância. Não temos muito tempo se ele quiser me beijar novamente antes de chegarmos lá, ou se quiser me dar a mão. Por que ele não tenta me dar a mão?
— Então — diz Scott —, fiquei feliz por você ter vindo ao meu apartamento ontem à noite.
— Estou contente por você ter ido ao meu.
— É?
— Completamente.
— Achei que... quando você me contou sobre a mudança para cá e tudo, isso foi... demais. Ninguém nunca tinha feito nada assim por mim.
— Bem, não consegui evitar. Eu me importo com você.
— Então, isso me deixa impressionado. Nós nem nos conhecíamos direito na nossa cidade.
— Você não sabia nada sobre mim.
— Sabia que você fazia origami.
— Verdade.
— E que você era bonita.
— Era bonita?
— É bonita.
— É verdade?
Scott olha para mim.
— É verdade.
Ele tira um fio de cabelo do meu rosto, o que é quase tão bom quanto ficar de mãos dadas.
John guardou uma mesa para nós. Ele está acenando freneticamente, espremido entre duas mesas lotadas, atulhadas de bagunceiros viciados em conhecimentos gerais.
— Você está vendo John em algum lugar? — pergunta Scott, tentando não rir.
John acena ainda mais freneticamente.
— Quem, John? Hum, não! Ele já está aqui?
— Acho que não.
Continuamos olhando para todos os lugares, menos para John. Ele está fora de sua cadeira agora e, por pouco, não acerta a cabeça de uma garota enquanto seu braço se move rapidamente por cima dela, desesperado.
— Ah, olhe, lá está ele! — digo eu.
— Muito engraçado — John diz, bravo, quando chegamos à mesa. — Não é permitido ficar guardando mesa por tanto tempo. Poderíamos ter ficado sem.
— Desculpe — falo eu. — Estamos atrasados?
John consulta o relógio.
— Três minutos — resmunga.
— Não sabia que eles eram tão rígidos — diz Scott.
John pergunta:
— Onde está Sadie?
— Não sei — respondo. — Mas ela disse que nos encontraria aqui, portanto, não se preocupe.
— Se ela não estiver aqui em aproximadamente dois segundos, teremos de desistir do jogo.
— Relaxe! — diz Scott. — Ela vai chegar.
— Mas e se...
De repente, Sadie chega, abrindo caminho, aos empurrões, no meio do público.
— Desculpe, desculpe! Eu estava...
— Bem-vindos à noite dos conhecimentos gerais no The Situation Room! — a voz do moderador ressoa ao microfone.
Ele está em um pódio, próximo ao balcão da frente. Presa no pódio, há uma pequena lâmpada para leitura. Em seu crachá adesivo, está escrito: OI! MEU NOME É BILL.
— Minha competente assistente, Amanda, vai passar pelas mesas para registrar os times de quatro a seis jogadores. Quatro a seis jogadores, garotos e garotas! Não deixem de pegar, com ela, o formulário de respostas e os lápis.
— Quais serão as categorias, você sabe? — pergunto a John.
Já ouvi tanto sobre sua noite dos conhecimentos gerais que sei como funciona. São dez rodadas de perguntas. Cada rodada tem sua própria categoria. Algumas categorias são gerais, como Geografia, enquanto outras são mais específicas, como “Os castelos europeus”. Geralmente são duas categorias sobre cultura popular, o que justifica o uso do jogo em nosso projeto.
— Cada rodada consiste em dez perguntas, e um total geral de cem perguntas surpreendentes, capazes de deixá-los aturdidos — Bill explica. — Qualquer pessoa do time pode registrar a resposta final no formulário de respostas. Só serão consideradas as respostas deste formulário. Se mais de uma resposta for marcada para a mesma pergunta, nenhuma delas será considerada.
— O que ganhamos? — um garoto do fundo grita.
— Prêmios — grita Bill de volta. — O primeiro prêmio é uma rodada de bebidas grátis para todos do seu time e mais uma camiseta do Situation Room para cada um!
Buzinadas de todos os lados. Que bando de fanáticos! Quem mais ficaria empolgado com uma camiseta de baixa qualidade e um pouco de café?
— Os segundos colocados receberão bebidas grátis e prêmios Cracker Jack![9] — continua Bill. — O terceiro prêmio é um lanche saboroso.
— Temos que dividir o lanche? — o garoto do fundo grita.
Bill diz:
— Parece que está na hora de ligar as células desses cérebros!
John está empolgado. Quando John fica nervoso, é ainda mais difícil se manter sentado, quieto. É como se toda sua energia estimulasse um frenesi impossível de ser controlado. Ele está movimentando a perna sem parar, fazendo a cadeira chacoalhar.
Ele me entrega o formulário de respostas.
— Quer ter a honra? Você escreve nossos nomes?
Na tampa da caixa, escrevo:
Scott Abrams
Brooke Greene
Sadie Hall
John Dalton
— Que nome daremos para o time? — pergunto a John.
— O que você quer colocar?
— Não sei. Qual é o nome habitual do seu time?
— Retículo Endoplasmático.
Olho para Scott e Sadie.
— Alguma sugestão?
— Blood Sugars? — sugere Sadie.
— Por quê?
— Porque adoro essa banda. E soa legal.
— Acho que nosso nome deveria ser mais significativo — diz John. — Deveria ser alguma coisa que nos descrevesse.
Scott pergunta:
— E... o que somos?
Aí está uma pergunta que estou louca para lhe fazer. Nós estamos aqui, sentados com nossos amigos que ainda nem sabem sobre nós. Por que Scott não lhes conta que estamos juntos? Será que ele quer manter isso em segredo? Ele nem tocou em mim durante todo o tempo que estamos aqui, exceto por um segundo, quando seu cotovelo bateu acidentalmente no meu braço.
— Somos dois de Nova York e dois de New Jersey — Sadie decide.
— Que tal Dois Novos? — sugere Scott.
John pensa um pouco.
— É o seguinte: por ora, ficamos com este e, se pensarmos em alguma coisa melhor, podemos mudá-lo.
— Está bem para mim — digo, escrevendo o nome.
— Primeira rodada! — soa a voz de Bill ao microfone. O microfone revida, com um agudo ruído de retorno. — A categoria é... “Os dez mais”.
As primeiras perguntas são obscuras. John escreve algumas respostas e nós três estamos completamente perdidos.
Então Bill diz:
— A quarta pergunta tem quatro partes. Que programa dos anos 1980 apresentava, em todas as noites, listas dos “Dez Mais” e em que ano estreou?
— Letterman! — sibila Sadie.
— The Late Show — acrescenta Scott, alcançando o lápis de John.
— Não — eu falo, alto demais. Depois me curvo por cima da mesa. As mesas estão tão juntas que os outros times poderiam nos espionar. — Tinha outro nome antes — explico, baixando a voz. — Era Late Night with David Letterman.
— Tem certeza? — pergunta John.
— Esta é minha. — Escrevo no formulário, agitada com a adrenalina de saber a resposta. — Estreou em 1982.
— Fenomenal! — diz John. — Não tinha a menor ideia.
— Isto é perturbadoramente difícil — comenta Sadie.
Scott se curva na minha direção e sussurra:
— Foi ela quem disse!
Dou muita risada. Sadie e John olham para nós.
— O quê? — pergunta John.
— É uma coisa do Office — digo a ele.
Dou um tapa no braço de Scott.
— Ai! — diz ele.
— Até parece.
— Até parece — debocha ele.
Não sei por que ele está sendo tão imaturo, em vez de agir como parte de um casal. Eu quero pular em cima da mesa, mandar Bill pôr um foco de luz em mim e anunciar para todo mundo que Scott e eu estamos juntos. Mas não acredito que Scott faria nada disso.
Após as cinco primeiras rodadas, tem um intervalo. As pessoas fazem fila no balcão para mais bebidas. Alguns garçons circulam tirando as canecas e os copos vazios das mesas. Um deles estende a mão para pegar minha caneca, do outro lado da mesa.
— Cerveja aquela caneca — diz Scott.
Passo minha caneca para o garçom, tentando conter o riso. Não sei quem é essa garota passando a caneca e tentando conter o riso. Só sei que adoro nossas piadas confidenciais sobre Office. É como se tivéssemos nossa própria língua ou algo assim.
— Tem alguma razão para guardarem as boas piadas só pra vocês? — pergunta Sadie.
Queria muito contar para eles sobre nós. Olho de relance para Scott, levantando as sobrancelhas para ele, como quem pergunta: “Posso contar para eles?”. Ele encolhe os ombros, despreocupado.
— Humm — eu comprimo os lábios para conter as risadinhas. — Nós estamos... juntos agora.
— Assim... juntos juntos? — pergunta Sadie.
— Juntos juntos — confirmo.
— Quando aconteceu isso? — pergunta John.
— Ontem à noite — respondo, olhando fixamente para Scott. Percebo que estou parecendo uma garotinha. Ainda não consigo acreditar que é verdade.
— É muito legal! — diz Sadie efusivamente. — Vocês dois são tão bonitinhos juntos!
John fica olhando fixamente para mim.
— Ah! — diz Sadie. — Quase esqueci. — Ela vasculha a bolsa enorme e tira algumas amostras de hidratante corporal Bliss. — Para você.
— Obrigada! Adoro isso. — Passo um pouco de hidratante nas mãos.
— Tem um cheiro gostoso — observa Scott.
John me encara mais um pouco.
As coisas pioram quando a próxima rodada começa. Estávamos indo muito bem antes do intervalo. John conhece muitos fatos aleatórios. Teve uma rodada sobre “Clássicos Literários” em que fui bem, não que me interesse por clássicos literários, mas me lembro de quase tudo daquele tédio das aulas de inglês do passado. Comparando com Scott e Sadie, nós sabíamos um pouco mais, mas agora as coisas ficaram diferentes. Ninguém sabe nada sobre presidentes mortos. A rodada seguinte é sobre “Ciências na cidade”. John estava me falando sobre o Manhattanhenge[10] outro dia, por isso, quando Bill pergunta: “Quais são as duas datas em que acontecerá o Manhattanhenge no ano que vem?”, eu empurro o formulário de respostas para John, toda empolgada porque, finalmente, sabemos alguma coisa novamente.
Só que John fica ali parado, olhando para o lápis.
— Oi! — digo eu. — Você estava me contando sobre o Manhattanhenge esses dias.
— Eu estava?
— Vamos lá! Sei que você sabe isso!
John me olha com cara de derrotado.
— Dá um tempo! — diz ele. — Nós não estamos na monitoria.
Ele não escreve nada.
Tento responder baseada no que ele me contou. Todos os outros bebem seus cafés em pequenos goles.
Não é nem um pouco constrangedor!
— Vocês duas planejaram esta combinação? — pergunta Scott, apontando para mim e para Sadie. Estou vestindo uma camiseta prateada brilhante, com um cardigã preto, e Sadie veste uma camiseta preta brilhante, com um suéter curto, cinza.
— Não — responde Sadie. — Tem muita coisa que Brooke se esqueceu de me falar.
Seus olhos estão gritando: “Eu não acredito que você não me contou sobre Scott!”. Tento fazer meus olhos dizerem: “Cara, vou contar mais tarde!”, mas é muito difícil comunicar isso com um olhar.
A próxima rodada envolve uma cesta de pimentas. Cada pimenta está etiquetada com um número. Temos que identificar cada tipo.
— Por favor, me diga que um de vocês sabe alguma coisa sobre pimentas — implora Sadie.
— Desculpe — diz Scott —, estou fora.
— A número quatro deve ser “jalapeño” — sugiro.
John olha feio para as pimentas.
— Espere. — Sadie pega a número sete. — Acho que esta é pimenta caiena. Minha mãe às vezes nos tortura com elas, quando está a fim de fazer arte culinária.
Escrevemos nossos melhores palpites. John puxa o papel e escreve “serrano” para a número nove.
Quando a última rodada começa, fico aliviada que está quase na hora de ir embora. John está totalmente calado. Quero dizer, provavelmente, para Scott e Sadie, ele está bem, mas sei que alguma coisa está errada. Seu nível de energia está baixo. Na verdade, ele está sentado quieto.
Agora é uma rodada de som em que Bill vai tocar clipes de três segundos de cada música. Precisamos gravar tanto o título da música quanto o nome do músico. Os dois primeiros clipes são impossíveis. Quando a terceira música começa, Scott e eu falamos juntos: “Eu sei esta!” e então rimos muito, pedindo a folha de respostas aos gritos e brigando por um lápis.
Teria sido muito agradável se o time Dois Novos (não pensamos em nome melhor) tivesse vencido. Porém, não vencemos, nem chegamos perto. Aqueles times da noite dos conhecimentos gerais são duros na queda. Também teria sido muito agradável se eu pudesse passar o resto da noite sozinha com Scott, mas seu irmão deve ligar logo e Scott disse que realmente não estava com vontade de passear. Estava esperando que ele fosse me beijar antes de sair, o que também não aconteceu. Ele só me deu um abraço rápido e foi embora. John ainda estava de mau humor quando partiu. Então ficamos somente Sadie e eu, caminhando juntas para casa.
— Por que você não me contou sobre Scott? — grita Sadie.
— Era muito tarde para ligar para você ontem à noite. Eu ia contar no caminho para cá.
— É tão legal que vocês dois estejam juntos.
— Eu sei.
— Como aconteceu? Conta tudo.
Conto tudo a ela.
— Isso — diz Sadie — é profundo. Você se mudou para cá por ele! Que romântico!
— Estou aliviada por ter dado certo.
— Vocês realmente pertencem um ao outro. Não que eu esteja surpresa.
— O que você quer dizer com isso?
— Apenas que eu sabia que você gostava dele.
— Como?
— Humm, porque a vi na mesma sala que ele...? É meio óbvio.
Isso é novidade. Achei que estava sendo discreta.
— Por que você não me disse que sabia? — pergunto.
Sadie tira um pacote de chiclete. É aquele com listras de arco-íris e com uma girafa.
— Não era da minha conta. Achei que se fosse para eu saber, você me contaria. E depois que concordou em ser monitora, não queria pôr tudo a perder.
— Depois que você me atormentou para ser monitora.
— Não atormentei.
— Atormentou sim.
Sadie masca o chiclete e me oferece um. Pego um verde.
— OK, talvez eu tenha corrido atrás do seu grande cérebro porque sabia que você se sairia muito bem. Você tem de admitir que é divertido, certo?
— Humpf!
— Isso é um sim?
— Talvez.
— Ah, você gosta!
Na esquina, um ciclista passa voando por nós e, por dois milímetros, não acerta nossos narizes. Meu coração dispara com o contato tão próximo com a morte. Sadie nem se incomoda.
— Você é tão sortuda! Eu queria muito que Carlos aparecesse na minha porta e me beijasse.
— Bem, talvez ele viesse, se soubesse que você gosta dele.
— Por que temos que fazer tudo?
— Scott não disse que gosta de mim. Quero dizer, suponho que ele goste de mim porque me beijou, mas o que aconteceu hoje à noite? Ele nem tocou em mim! E quando foi embora só disse um: “Até mais”, como se eu fosse apenas uma amiga.
— Pelo menos você é amiga dele. Carlos nem sabe que eu existo.
Sadie atravessa a rua correndo, no meio do quarteirão. Eu corro atrás dela. Estou me acostumando com seu jeito frenético de caminhar, mas ainda é impossível prever onde ela vai ziguezaguear em seguida.
— Ele sabe que você existe — digo. — É impossível que você fique toda nervosa perto dele, como fica, sem que ele perceba que você existe.
— Mas e se ele não souber? E se eu convidá-lo para sair e ele perguntar: “Nós nos conhecemos?”.
— Você nunca vai saber a menos que...
— Ou, pior, e se ele tiver namorada? Eu estaria me humilhando totalmente por nada.
— Não é por nada.
— Para ele, é.
— Só porque você não está dando uma chance para que ele transforme isso em alguma coisa. Se eu me convencesse de que nunca aconteceria nada com Scott, nem estaria aqui neste momento! Você acha que eu não estava com medo de me mudar para cá, estudar em uma escola nova, não conhecer ninguém, morar com meu pai depois de ficar sem vê-lo durante seis anos? Todos nós temos medo que as pessoas nos desapontem. Você acha que conhece alguém e aí...
— Não acredito que veio aqui atrás de Scott. Você correu um grande risco. Você é tão mais corajosa que eu!
— Não, não sou. Apenas nunca deixei de acreditar no meu querer, que ele poderia virar realidade.
Este sonho se concretizou. A possibilidade de que outros também se realizem faz com que eu queira transformar em realidade todo o potencial presente na minha vida.